Porque é que mexer menos no plantel traz melhores resultados

Vou analisar o que se passou com os plantéis do Vitória nas últimas quatro épocas. Inscrevemos na Liga Profissional de Futebol Profissional 233 atletas, que dá uma média de 58,25/época. Destes atletas inscritos tivemos 22 emprestados e subimos do escalão de juniores 35 jogadores.

Nestas quatro épocas, houve uma grande rotatividade de jogadores, pois de todas as inscrições só temos 10 jogadores com a totalidade das épocas, e destes, já deixaram o Vitória sete, são eles: Palha e Assis (guarda-redes), Luís Rocha (defesa), João Pedro e Bruno Alves (médio) e Areias e Tomané (avançados). Restaram o Douglas, Miguel Oliveira e Josué.

Com três épocas temos 17 atletas, um guarda-redes, cinco defesas, seis médios e cinco avançados e destes, mantêm-se cinco jogadores, o Miguel Silva, o Dabo, o Moreno, o Alex (que foi emprestado ao Moreirense) e o Hernâni, que irá voltar ao clube que o emprestou o FC Porto.

Esta rotatividade será uma das razões para que os resultados deixem de ser equilibrados, pois nestes quatro anos ficamos em 10º. lugar (duas vezes), em 9º. lugar e 5º. lugar. Tivemos um feito extraordinário, foi ter ganho a Taça de Portugal na época de 2012/2013.

Comprovamos que com, a formação de plantéis novos, em quase todas as épocas, não se obtêm bons resultados. Vejamos a década de 1990 a 2000: obtivemos 1 – 3º lugar; 1 – 4º lugar; 3 -5º lugar; 3 -7º lugar; 1 – 9º lugar e 1 – 11º. lugar. Já na década seguinte e com as alterações sucessivas dos jogadores, obtivemos as seguintes classificações: 1 – 3º lugar; 1 – 4º lugar; 1 – 5º lugar; 1 – 6º lugar; 1 – 8º lugar; 1 – 14º lugar; 1 – 15º lugar; 1 – 17º lugar (descemos de divisão).

Se fizermos uma consulta às classificações do Vitória desde o ano de 1980 até à época passada (mandato de Pimenta Machado), verificamos que no período de 1980 a 2003 obtivemos as melhores classificações, pois era norma do Vitória manter o esqueleto da equipa. Nas quatro últimas épocas (2000 a 2003) já estávamos a rodar muito as equipas, com entrada de jogadores novos todos ao anos, o que originou obtermos fracas classificações com exceção do ano de 2002/2003 (4º lugar).

Com o mandato de Vítor Magalhães obtivemos um 5º lugar e um 17º lugar, época triste para nós, pois foi a descida de divisão.

Com Emílio Macedo Silva obtivemos um 3º lugar; um 5º lugar, dois 6º lugar e um 8º lugar. Foi neste mandato que o Vitória acumulou semelhante passivo que esteve em risco de fechar.

Com o atual mandato de Júlio Mendes obtivemos um 5º lugar, um 9º lugar e dois 10º lugar, estando esta época prestes a ficar em 4º lugar e com possibilidades de ganhar outra Taça de Portugal. Vamos esperar para ver e a gestão de Júlio Mendes irá modificar em termos desportivos, menos emprestados e reforço do plantel, pois até aqui houve gestão financeira e desportiva para equilibrar as contas do Vitória.

Em suma, é preciso “mexer” menos no plantel no final de cada época.

Secundino Rodrigues, 63 anos, é reformado da profissão de empregado administrativo. Sócio do Vitória com o número 1.104, gosta de verter a sua paixão pelos números na análise dos resultados do seu clube. Escreve à quarta-feira.