Novos tempos, novas respostas

O Século XXI e a sua geração de “millennials” trazem desafios acrescidos às autarquias. O tempo da internet, do imediatismo e da exigência vieram para ficar.

A quantidade e fluxo de informação, aliados à necessidade de resposta informada, eficaz e imediata, constituem outra parte desta equação que aumenta o grau de dificuldade da sua resolução.

Felizmente, o avanço tecnológico caminha no sentido de dar respostas às novas necessidades deste novo tempo. Infelizmente, a velocidades distintas, com clara vantagem para o progresso da realidade.

Os recursos dos municípios são escassos para darem resposta a problemas que são globais. Contudo, para problemas desta escala, é necessário ganhar amplitude e aproveitar forças de âmbito regional, nacional e europeu.

Urge por isso caminhar no sentido da exigência dos tempos. Começando por um atendimento permanente, ajustado aos horários dos cidadãos e o mais aproximado do “24/7” possível. Algo que só é solução, se toda a oferta de serviços públicos estiver online, desmaterializada e simplificada.

Particulares, empresas ou promotores, na submissão de processos de urbanismo, desporto ou ambiente, no pedido de utilização de infraestruturas municipais ou na candidatura a apoios camarários, precisam de ver resposta adequada ao final da segunda década do século XXI.

Um site ou uma app. Um repositório único de informação. Adaptado a uma geração que não se entende em decretos de lei, em regulamentos, em linguagem complexas ou em informação dispersa. As perguntas do munícipe são fáceis de entender, seja qual for o assunto: Como faço? Quanto custa? Em que estado está?

Atender um munícipe com linguagem simples e com processos intuitivos. De forma humanizada, ainda que automatizada. O Machine Learning e a Inteligência Artificial são temas quentes nas áreas das novas tecnologias e dão resposta adequadas a estas necessidades emergentes.

Também no atendimento pessoal é ainda possível inovar. Se libertarmos os nossos trabalhadores das suas rotinas, ganhámos ativos capazes de fazerem o serviço público ir ao encontro do seu destinatário. Sim, postos de atendimento móveis das autarquias locais. Porque não?

A tomada de decisão dos organismos começa também a ser necessariamente baseada em mais conhecimento: sensores, análise de dados e modelos preditivos.

Se todos refletirmos sobre a quantidade de informação que fica em aparelhos e infraestruturas com que interagimos, perceberemos que começa a ser um dever do Estado antecipar os meus problemas.

Por preocupação com o cidadão, mas também com os recursos do país. Mais informação significa também mais assertividade na hora de tomar decisões políticas que pressuponham despesa pública. Smartcities, iOT ou Big Data têm de deixar de ser chavões de embelezamento de discursos.

Todo este processo colide também com a escassez de recursos das autarquias. Daí que este caminho precise de cooperação e complementaridade. Entre Câmaras e Juntas de Freguesia, com delegação de competências. Entre Câmaras e outras Câmaras, com partilha de recursos e criação de soluções regionais ou nacionais. Entre Governo Central e Câmaras Municipais, com a dotação de meios para dar respostas mais adequadas a quem melhor conhece os cidadãos.

O futuro é hoje.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.