“A Bicharada”

O reino animal sempre foi vítima, daquele que se auto proclama o mais inteligente, o mais esperto ou manhoso, mas que, para além das necessidades fisiológicas, consegue ser o mais violento e cruel, a ponto de agredir e matar, por puro prazer, mesmo os da própria espécie, ou seja, o humano.

Com a industrialização, apareceram as “fábricas” de criar e introduzir, na denominada cadeia alimentar, cada vez mais espécies de animais.

Com a ajuda de substâncias estranhas, temos no mercado o frango de cinco semanas, o leitão ou a petinga, que fazem as delícias do consumidor.

Por outro lado, temos o consumidor de elite que, com o poder de compra adquirido à custa de muita exploração, caso deseje barbatana de tubarão, umas ovas de esturjão, um casaco de pele de arminho ou de lontra, chacinam-se uns quantos e o senhor é servido.

Por vaidade exibicionista, milhares de animais são capturados e arrancados ao seu ambiente natural, traficados num negócio que movimenta milhões, muitos milhões.

De entre os animais, ditos domésticos, sobressaem o cão e o gato. O primeiro torna-se o defensor do território e de quem o adoptou, enquanto o gato se adapta ao meio que mais lhe convém.

Quando já não serve, o animal deixa de ser de estimação e torna-se um problema, quantas vezes resolvido com mau trato, abandono e até a morte.

As associações de defesa dos animais, vão denunciando estas situações e assim contribuindo, para o aumento do respeito por eles.

Cada vez mais, a sociedade vai tomando consciência que, os animais têm vida e sofrem com a tortura que lhes é infligida.

Ao contrário do que querem fazer crer, o touro não nasceu para ser lidado, nem o cavalo para correr com outro animal às costas. As lutas entre variados tipos de animais, são de uma selvajaria extrema e deveriam ter sido banidas da sociedade “civilizada”, há muito tempo.

As câmaras municipais deveriam criar condições, para que acabar com o abandono de animais. No caso de Guimarães, o canil/gatil existente é, por demais, insuficiente e a sua localização pouco convidativa.

Sou favorável à criação de um outro espaço e, nesse sentido, já fiz chegar propostas à câmara que, até agora, fez ouvidos de mercador.

Não concordo com alguns fundamentalistas, quando dizem que, devemos amar os animais.

O respeito pela natureza e tudo o que ela acolhe, seria o suficiente, para tornar o planeta mais limpo e mais pacífico ou seja um verdadeiro paraíso.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.