Se pudessem escolher, onde moravam?

Quando perguntam a alguém em que cidade do mundo gostariam de viver que resposta costumam obter? Estocolmo, Bristol, Paris, Barcelona, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Guimarães?

São várias as respostas, tal como as motivações. Do clima à rede de transportes, do glamour ao amor à terra.

Esta é uma pergunta bem diferente de que cidade do mundo gostaríamos de visitar. Porque tem muito mais em conta as condições de vida do destino selecionado, do que propriamente a aventura ou a beleza natural do local.

Mas ambas, caso a resposta não seja a cidade onde já vivemos, acabam por ser resultado da uma ideia criada: seja por visita do próprio, e aí mais informada, ou em muitos casos porque alguém visitou e contou como foi. Mais do que qualquer site ou banner de publicidade. Alguém visitou e ficou deslumbrado. Alguém de quem eu valorizo a opinião, valoriza aquele destino.

Por vicissitudes da vida, os meus últimos quase 6 anos foram passados entre maioritariamente em Lisboa, ainda que o coração (tal como o recenseamento) nunca tenha saído de Guimarães.

Ao longo desta meia-dúzia de anos tenho visto Lisboa ser inundada por turistas. Ainda este fim-de-semana, por altura de Santo António, era praticamente impossível passar por uma rua da baixa ou zona histórica em que se estivesse a falar exclusivamente português. Alguns em primeira passagem, muitos de regresso e vários já cá a morar.

Estes não são apenas números de turismo ou visitantes. Porque esses, por muito importantes que sejam para a economia local, não são os primordiais no momento de tomar opções sobre as cidades. Mas a verdade é que a atratividade criada por Lisboa gera mais do que visitantes de ocasião. Gera novos lisboetas e novos portugueses.

Esta vaga que Lisboa tem conhecido estará, certamente, muito ligada à renovação da cidade e apostas feitas com a intenção de aumentar os números do turismo. Mas a verdade é que tem sido, também, alicerçada em tendência e “moda”.

Quanto vale para Lisboa saber-se que a Madonna esteve de visita ou a escolher escola para os filhos? Quanto vale para Lisboa que Joel Santoni viva em Lisboa e filma na cidade? Quanto vale para Lisboa que Kristian Matsson (ou Tallest Man on Earth no mundo da música) tenha estado de férias na capital Portuguesa e lá tenha começado a compor o seu último álbum? Que efeito de contágio tem que Panda Bear (Noah Lennox dos Animal Collective) viva em Lisboa e tenha uma música chamada Príncipe Real?

As cidades não são apenas elas próprias, mas também quem as visita e nelas habitam. E é nessa tríade que reside a atratividade de um território. As políticas públicas que criam condições de vida para cativar pessoas. As pessoas quem sempre lá residiram e cultivam a tradição e o amor à terra. Aqueles que a visitam ou escolhem para morar e levam para outros territórios a palavra sobre a nova casa que os acolhe.

Esta é uma opção essencial para as cidades. Que atratividade querem gerar. Se a mim me incomoda a excessiva “turistização” dos espaços, agrada-me de sobremaneira que “Guimarães” possa ser a resposta à pergunta que dá título a este artigo. A satisfação ganha outra dimensão se aqueles que escolham a nossa cidade para morar possam trazer com eles uma bagagem que possa enriquecer o concelho.

Guimarães já começa a estar nos “roteiros da moda”. Pode constar definitivamente dos “destinos para a vida”?

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.