Inquérito (espécie de) sobre 24 de Junho

Caminhando, de manhã cedo, ao longo de uma artéria pedonal, fora de Guimarães e cruzando-me com várias pessoas, tive a ideia de abordar algumas e perguntar se sabiam que, no nosso concelho, era feriado e porquê.

O resultado, depois de ter interrompido a marcha a 132 pessoas, de ambos os sexos e diversas faixas etárias, não podia ser mais curioso.

Sem pretender dar um ar científico e sem grande rigor percentual, obtive os seguintes resultados: Cerca de 60%, não sabiam! Dos que sabiam, 90% diziam que era para festejar o S. João e, curiosamente, um era de Guimarães. No meio de todos os contactados, encontrei dois casais estrangeiros, sendo um deles, Inglês, com ar de quem está a gozar a reforma.

Quando ouviu o nome “Guimarães”, sacou do mapa electrónico e, entre “arranhadelas” na língua do outro, lá conseguimos explicar e entender que seria uma visita interessante, ficando a promessa, da parte deles, de a concretizar no dia seguinte.

O outro casal era Italiano, cuja língua domino relativamente bem, surpreendeu-me ao referir que tinha visitado, por duas vezes, no ano da Capital Europeia da Cultura, a nossa cidade.

Conheciam motivo do feriado e, hospedados no Porto, tinham reservado dois dias para Guimarães, cidade pela qual tinham ficado “innamoratti”.

Vimaranense que se preze, não gosta que confundam, o seu feriado municipal, com um arraial qualquer.

A dignificação do “Dia de Portugal”, está longe de ser alcançada, facto reconhecido pela generalidade dos nossos conterrâneos.

Celebrar, a dez de Junho, o dia de Camões, das Comunidades ou de outra coisa qualquer, não tem mal nenhum, mas nunca o dia de Portugal, que deveria ser festejado, no mesmo dia em que, naquele campo de S. Mamede, em 1128, se soltou, pela primeira vez, o grito de independência.

Depois de tanto tempo perdido, deveria ser assumido, por todos os candidatos à presidência da Câmara, o compromisso eleitoral de fazer tudo, o que estiver ao alcance do executivo municipal, envolvendo toda a sociedade e entidades representativas dos Vimaranenses, no sentido de propor à Assembleia da República, a instituição do dia 24 de Junho, como “Dia de Portugal”.

A data deverá ter a dimensão nacional e, para lhe emprestar uma real dignidade, celebrada no local onde nasceu e não substituída por uma qualquer feira “medieval” ou “Afonsina” que não passam de arraiais popularuchos, com vestimentas de época.

O Campo de S. Mamede, adaptado às circunstâncias, deveria receber o povo e os seus representantes, locais e nacionais, tornando Guimarães, pelo menos naquela data, a capital do país.

Sem arrogância ou submissão, que se faça justiça ao berço da nacionalidade.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.