Conselho de Disciplina – Ato 3

Jornal de Notícias  01/02/2017

O F.C. Porto pode vir a disputar jogos à porta fechada pelos incidentes no terreno do Estoril-Praia.

O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) abriu na terça-feira um processo disciplinar pelos incidentes no terreno do Estoril-Praia.

Durante o jogo com o Estoril-Praia, disputado no sábado e que terminou com o triunfo dos “dragões”, por 2-1, os adeptos portistas arremessaram petardos para o relvado do Estádio António Coimbra da Mota, que levaram ao atraso do início da segunda parte e à assistência ao guarda-redes Moreira.

Mais tarde, por volta do minuto 70, logo após a ter sido invalidado por fora de jogo um golo ao F.C. Porto, foram novamente lançados pelos adeptos portistas mais petardos, obrigando Moreira a fugir do local, tendo o jogo sido parado mais alguns minutos.

Assim, e de acordo com os regulamentos, a infração dos adeptos portistas pode ser punida com a realização de um a dois jogos à porta fechada, a exemplo do que também pode acontecer com o Sporting de Braga, após a disputa da final da Taça da Liga.

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Por estes incidentes o Porto pagou uma multa de 5.738 euros ao abrigo do artigo 183.10.

Foi levantado um Processo Disciplinar ao abrigo do artigo 181.20.

As factos que deram origem ao processo disciplinar foram provados, arremesso de petardos, por duas vezes, para o recinto do jogo, com interrupção do mesmo. São absolvidos porque o jogador Moreira do Estoril não ficou lesionado. Valeu-lhes levar uma testemunha importante, um médico otorrinolaringologista. E depois vem o Direito que os homens “contornam” como querem.

O Artur do Benfica em Guimarães ficou lesionado? Não, porquê critérios diferentes?

O processo disciplinar deu em absolvição ao Porto. 

É POR ESTAS “COISAS” QUE O POVO NÃO ACREDITA NA JUSTIÇA.

O Acórdão do Conselho de Disciplina da FPF tem a seguinte decisão:

Artigo 172.º
Princípio geral

  1. Os clubes são responsáveis pelas alterações da ordem e da disciplina provocadas pelos seus sócios ou simpatizantes nos complexos, recintos desportivos e áreas de competição, por ocasião de qualquer jogo
  2. Sem prejuízo do acima estabelecido, no que concerne única e exclusivamente ao autocarro oficial da equipa visitante, o clube visitado será responsabilizado pelos danos causados em consequência dos atos dos seus sócios e simpatizantes praticados nas vias públicas de acesso ao complexo

Artigo 179.º
Agressões simples com reflexo no jogo por período superior a 10 minutos

  1. O clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente agente desportivo, agente da autoridade em serviço, coordenador de segurança, assistente de recinto desportivo ou pessoa autorizada por lei ou regulamento a permanecer no terreno de jogo, de forma a determinar a que o árbitro, justificadamente, atrase o início ou reinício do jogo ou interrompa a sua realização por período superior a 10 minutos é punido com a sanção de realização de jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de um e o máximo de dois jogos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 150
  2. Se a agressão tiver por objeto elemento da equipa de arbitragem, delegado ou observador da Liga, jogador ou dirigente dos clubes participantes no jogo, ou ainda em caso de reincidência, o clube é punido também com a sanção de realização jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de um e o máximo de três
  3. Em caso de reincidência o limite mínimo da sanção de multa é elevador para 100 UC.

Artigo 181.º
Agressões simples com reflexo no jogo por período igual ou inferior a 10 minutos

  1. O clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente agente desportivo, agente de autoridade em serviço ou pessoa autorizada por lei ou regulamento a permanecer no terreno de jogo de forma a determinar o árbitro a atrasar o início ou reinício do jogo ou a interromper a sua realização por período de duração igual ou inferior a 10 minutos é punido nos termos do n.º 1 do artigo
  2. Se a agressão tiver por objeto elemento da equipa de arbitragem, delegado ou observador da Liga, jogador ou dirigente dos clubes participantes no jogo, o clube é punido nos termos do n.º 1 do artigo º.
  3. Em caso de reincidência o limite mínimo da sanção de multa é elevado para 75 UC.
Secundino Rodrigues, 63 anos, é reformado da profissão de empregado administrativo. Sócio do Vitória com o número 1.104, gosta de verter a sua paixão pelos números na análise dos resultados do seu clube. Escreve à quarta-feira.