O desnivelamento da política

A pré-campanha autárquica aqueceu ao longo das últimas semanas. Talvez por efeito colateral do forte calor que se tem feito sentir, da entrada oficial no Verão, ou por indicadores de tendência que deixam nervosa a coligação de direita (e extrema direita, dadas as últimas novidades de “contratações”).

O facto central: o desnivelamento da rotunda de Silvares, no nó de acesso à autoestrada. O método: o desnivelamento da política, feito pela coligação.

Vamos à cronologia.

Ao longo dos últimos anos, a Câmara Municipal de Guimarães, liderada pelo Partido Socialista e, de há quatro anos a esta parte, por Domingos Bragança, tem-se batido junto do Poder Central para que se encontre uma solução para o desnivelamento da rotunda de Silvares.

Ao longo dos primeiros anos de mandato, com os Partidos de Passos Coelho e Paulo Portas no Governo, demonstrou-se impossível chegar a uma solução que resolvesse a necessidade dos vimaranenses e o pedido expresso da Câmara de Guimarães. De André Coelho Lima nem uma palavra, sempre tão nivelado pela bitola de Lisboa, mesmo quando em colisão com o interesse dos vimaranenses.

Fevereiro de 2017: António Costa e Domingos Bragança selavam um acordo que garantia o apoio à ligação ao Avepark. Em nota no site do Município, era dito que, também o desnivelamento da rotunda de Silvares, estava no centro das negociações. Cerca de um ano de Governo depois, apenas.

Fevereiro de 2017: nada de André Coelho Lima, nada do PSD e CDS.

16 de março de 2017: é oficializado o acordo que dá resposta à execução da obra há tanto tempo reclamada. Domingos Bragança garante o desnivelamento da rotunda de Silvares, junto do Poder Central, agora PS, e PSD e CDS nada dizem sobre a matéria.

15 de abril de 2017: a página de Facebook do Partido Socialista publica uma infografia em que dá a conhecer a solução encontrada para o desnivelamento.

24 de abril de 2017: André Coelho Lima dá uma conferência de imprensa em que fala de um plano de mobilidade rodoviária para o concelho. Aparentemente, esta será uma das obras integradas naquele plano, segundo agora se percebe.

2 meses depois do acordo entre Poder Central e Câmara Municipal de Guimarães, André Coelho Lima aparece “desnivelado” no tempo a propor uma solução para um problema que está solucionado.

23 de junho de 2017: A coligação de direita e extrema direita coloca um cartaz na Rotunda de Silvares anunciando que irá avançar com a obra de desnivelamento daquele acesso à autoestrada. Não só promete aquela obra, como garante o desnivelamento da política.

A partir de 23 de junho de 2017 confirmamos aquilo que já estávamos à espera: a coligação PSD/CDS de André Coelho Lima será capaz de tudo para tentar obter o melhor resultado possível. Inclusivamente tentar fazer passar como sua a resolução de problemas que já têm soluções anunciadas e acordadas.

O desnível da política foi garantido pelo PSD. Neste plano inclinado, no fundo da rampa temos a capacidade da direita de fazer tudo, até enganar os vimaranenses, para tentar obter um resultado eleitoral positivo.

Não passarão. Nesta tábua política, agora mais inclinada, quanto mais força fizerem numa das extremidades, mais força terão do lado do PS ao serviço dos vimaranenses. Com verdade e com trabalho. O único desnivelamento que conhecerão da responsabilidade do PS será mesmo o da rotunda de acesso à autoestrada.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.