Já nasceram três bebés em dia de protesto (atualizada)

Fonte do Hospital Senhora da Oliveira (HSO) dá conta que desde a manhã de hoje, 03, que já nasceram três crianças no Bloco de Partos. O turno da manhã, que é composto por três profissionais com a especialidade, contou com dois enfermeiros especialistas.

Nesta greve de zelo, anunciada há 30 dias, os enfermeiros especialistas recusam-se a prestar cuidados diferenciados, exercendo apenas as funções condizentes com a categorial geral. Segundo o HSO,  esta situação pode afetar o período de internamento, ou seja, grávidas que não estão em trabalho de parto mas que precisam dos serviços de obstetrícia. Nestes casos, é possível que as grávidas tenham que ser transferidas para outras unidades hospitalares.

gemeas

Segundo o Hospital Senhora da Oliveira, há 32 enfermeiros especialistas, sendo que 11 estão abrangidos pela situação pré-2009, quando ainda havia a categoria de enfermeiro especialista. Desde então que esta categoria deixou de existir e o protesto destes profissionais de saúde passa pelo reaparecimento do seu escalão e respetiva remuneração. No Hospital Senhora da Oliveira há 21 enfermeiros nesta situação.

Segundo o HSO, “está garantida a qualidade da prestação dos serviços”, esclarecendo que não foi necessário recorrer a enfermeiros tarefeiros. Recorde-se que esta manhã a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, afirmou, em conferência de imprensa em Lisboa, que o bloco de partos do Hospital Nossa Senhora da Oliveira estava fechado devido à recusa por parte dos enfermeiros especialistas em prestar cuidados específicos de obstetrícia. Mas a comunicação do Hospital Senhora da Oliveira garante que o Bloco de Partos está a funcionar.

“O Conselho de Administração de Guimarães decidiu e bem fechar o seu bloco de partos” face à greve dos enfermeiros especialistas de obstetrícia/maternidade, disse esta manhã a bastonária. O Duas Caras contactou o Hospital Senhora da Oliveira que desmentiu a bastonária e garantiu que o serviço está a funcionar.

A greve não está a ser feita ao mesmo tempo em todos as maternidades do país. Há hospitais que optaram por contratar enfermeiros tarefeiros ou pedir aos médicos que supram as necessidades dos serviços.

Recorde-se que a maternidade de Guimarães é a que serve ainda os concelhos de Fafe, Cabeceiras de Basto, Vizela e Mondim de Basto.

Os profissionais especializados recusam-se a prestar cuidados diferenciados como forma de protesto contra o não pagamento da especialização e os blocos de parto estão a ser área mais visível desta contestação. A Ordem dos Enfermeiros informa que existem cerca de 2000 enfermeiros que, apesar de serem especialistas, recebem como se prestassem serviços de enfermagem comum.

As negociações entre enfermeiros e os responsáveis do Ministério da Saúde saíram goradas e a tutela já pediu um parecer urgente ao conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a recusa por parte dos enfermeiros de desempenho das funções como especialistas.

O Governo considera ilegal esta greve dos enfermeiros e, nesse sentido, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes assinala que os profissionais que fizerem greve enfrentam “aspetos de natureza ética e disciplinar”.

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