Conselho de Disciplina – Ato 4

JN

29 Janeiro 2017 às 21:49
Taça da Liga
Petardo obriga jogadores do Moreirense a serem assistidos

Foram minutos agitados os que antecederam o intervalo do encontro entre Braga e Moreirense, na final da Taça da Liga.

Os jogadores orientados por Augusto Inácio encontravam-se a festejar o primeiro golo da partida, apontado por Cauê, de grande penalidade, quando um petardo, proveniente da bancada dos adeptos do Braga, rebentou junto deles.

Com o impacto, Roberto e Geraldes ficaram caídos no relvado, com muitas queixas, tendo mesmo de ser assistidos, situação que motivou a interrupção do encontro durante vários minutos.

Pouco depois, Artur Soares Dias apitou para o descanso. Ao intervalo, o Moreirense vencia por 1-0, depois de um primeiro tempo com poucas oportunidades.

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Por estes incidentes o Braga foi condenado a um Processo Disciplinar ao abrigo do artigo 181.20, não pagando qualquer multa.

Ao factos que deram origem ao processo disciplinar foram provados, arremesso de petardos, para o recinto do jogo, com interrupção do mesmo. São absolvidos porque os jogadores do Moreirense não ficaram lesionados. Valeu-lhes levar uma testemunha importante, um médico otorrinolaringologista. E depois vem o Direito que os homens “contornam” como querem.

O Artur do Benfica em Guimarães ficou lesionado? Não, porquê critérios diferentes?

O processo disciplinar deu em absolvição ao Braga.

Fiquei com a ideia após a leitura dos dois acórdãos, este e o do FCPorto, se o Vitória tivesse apresentado a defesa, recorrendo da sanção não teria sido castigado. Era só preciso arranjar um bom Otorrino e alegar a Constituição e já não seríamos castigados, enfim….

Ainda falta o castigo (absolvição) do Benfica. 

É POR ESTAS “COISAS” QUE O POVO NÃO ACREDITA NA JUSTIÇA.

O Acórdão do Conselho de Disciplina da FPF tem a seguinte decisão:

Artigo 172.º

Princípio geral

  1. Os clubes são responsáveis pelas alterações da ordem e da disciplina provocadas pelos seus sócios ou simpatizantes nos complexos, recintos desportivos e áreas de competição, por ocasião de qualquer jogo
  2. Sem prejuízo do acima estabelecido, no que concerne única e exclusivamente ao autocarro oficial da equipa visitante, o clube visitado será responsabilizado pelos danos causados em consequência dos atos dos seus sócios e simpatizantes praticados nas vias públicas de acesso ao complexo

Artigo 179.º

Agressões simples com reflexo no jogo por período superior a 10 minutos

  1. O clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente agente desportivo, agente da autoridade em serviço, coordenador de segurança, assistente de recinto desportivo ou pessoa autorizada por lei ou regulamento a permanecer no terreno de jogo, de forma a determinar a que o árbitro, justificadamente, atrase o início ou reinício do jogo ou interrompa a sua realização por período superior a 10 minutos é punido com a sanção de realização de jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de um e o máximo de dois jogos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 150
  2. Se a agressão tiver por objeto elemento da equipa de arbitragem, delegado ou observador da Liga, jogador ou dirigente dos clubes participantes no jogo, ou ainda em caso de reincidência, o clube é punido também com a sanção de realização jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de um e o máximo de três
  3. Em caso de reincidência o limite mínimo da sanção de multa é elevador para 100 UC.

Artigo 181.º

Agressões simples com reflexo no jogo por período igual ou inferior a 10 minutos

  1. O clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente agente desportivo, agente de autoridade em serviço ou pessoa autorizada por lei ou regulamento a permanecer no terreno de jogo de forma a determinar o árbitro a atrasar o início ou reinício do jogo ou a interromper a sua realização por período de duração igual ou inferior a 10 minutos é punido nos termos do n.º 1 do artigo
  2. Se a agressão tiver por objeto elemento da equipa de arbitragem, delegado ou observador da Liga, jogador ou dirigente dos clubes participantes no jogo, o clube é punido nos termos do n.º 1 do artigo º.
  3. Em caso de reincidência o limite mínimo da sanção de multa é elevado para 75 UC.
Secundino Rodrigues, 63 anos, é reformado da profissão de empregado administrativo. Sócio do Vitória com o número 1.104, gosta de verter a sua paixão pelos números na análise dos resultados do seu clube. Escreve à quarta-feira.