Transformação digital ao serviço dos cidadãos

Por força da minha atividade profissional, tenho estado a debruçar-me sobre um tema quente da atualidade: a Mestria Digital. Este conceito, muito explorado por diversos especialistas, consiste na ideia de que a transformação digital das organizações pressupõe uma aposta consistente em dois vetores principais: as lideranças e a tecnologia.

Mais do que isso, pressupõe que a aposta não seja mutuamente exclusiva para qualquer um dos casos. Uma transformação digital que resulte em ganhos para a organização e num melhor serviço para os seus clientes, implica tecnologia “state-of-the-art” e lideranças comprometidas no desafio da mudança, investindo também em pessoas e processos.

Este é um tema que não é exclusivo da consultoria, ou das empresas de novas tecnologias. Qualquer organização do século XXI deveria partilhar desta preocupação. Desde logo porque estamos num mundo onde a tecnologia tem tido grandes avanços e é hoje capaz de, se potenciada, tornar-se num veículo de facilitação dos seus utilizadores. Mas também porque a velocidade de transformação das organizações está longe de estar a acompanhar o que está a acontecer do lado da evolução tecnológica.

E isto aplica-se também ao Estado. Ao Governo e instituições de Poder Central, mas também ao Poder Local.

Do ponto de vista das novas tecnologias, é evidente que o país só se tornará competitivo se for capaz de competir a uma escala global tomando a dianteira da investigação e desenvolvimento de áreas como o “Cloud Computing”, a segurança de dados, o tratamento de grandes volumes de dados, ou “Big Data”, e as novas formas de inteligência artificial, como os sensores que podem tornar uma cidade numa Smarticity, ou os sistemas de machine learning que podem automatizar sistemas de atendimento mais simples.

Qualquer uma destas tecnologia se pode tornar fundamental numa cidade. Ao serviço do munícipe e ao serviço dos detentores do poder político. Ao serviço de uma melhoria na qualidade do atendimento, da transparência e acompanhamento de processos. Ao serviço de mais e melhor qualidade na tomada de decisão.

Um líder digital é aquele que não pode recear a mudança. Que a acarinha e promove. Que potencia os seus colaboradores a acreditarem nela e a eles próprios se tornarem agentes promotores da mudança.

Este é um desafio interessante. Que levanta questões como a manutenção dos postos de trabalho ou o enquadramento legal para algumas das suas implementações. Mas é precisamente aqui que devemos estar: não a olhar apenas para os problemas, mas a reconhecer qual a forma com que conseguimos enquadrar esta vontade de mudar.

Portugal precisa desta mudança. O futuro que agora se desenha em toda a Europa tem esta transformação na linha da frente. Não produzimos mais barato nem em maior quantidade, por isso temos que ser tecnologicamente mais evoluídos. Esta premissa deve tornar o nosso território mais competitivo, mas também mais atrativo se esta evolução for colocada no dia-a-dia dos cidadãos e na sua relação com o Estado.

Esta transformação digital, juntamente com a lógica indústria dos serviços, ou indústria 4.0, com a reconversão energética e os temas da mobilidade, são o futuro das Cidades. Deveremos querer estar na linha da frente deste percurso.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.