Casa do Juncal | Seres como se fossem donzelas

 

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“Ela tem mil anos a minha bela cidade,
Tantos como o seu Castelo altaneiro;
Ela aparece gigante na claridade,

Como o seu Rei, Afonso o Primeiro.” Joaquim Freitas Pereira

Tem mil anos a minha bela cidade, 900 a parede da suíte master pertencente à Casa do Juncal, mas já lá vamos 😛

Embalada pelo centro histórico de Guimarães, a Casa do Juncal edificou-se na praça Condessa do Juncal, dentro da muralha e apenas a uma curta caminhada dos locais mais emblemáticos da cidade, como o largo do Toural, da Misericórdia e da praça da Oliveira e de Santiago.

Fomos recebidos pela amável e bastante disponível Bruna Silva que nos apresentou os cantos da casa.

Fruto de uma recuperação cuidada, com bom gosto e pormenorizada, a casa senhorial, cuja fachada preserva o brasão, levou a que em seis anos de trabalhos tivessem sido gastos mais de um milhão de euros.

O resultado de todo este investimento foi um espaço que transpira história, pincelando-a com linhas modernas. Há no ar um certo ambiente nostálgico que perfuma de saudade a sala de bar e pequenos-almoços, virado para o jardim interior.

À nossa espera estava a My Suíte Romance experience, ideal para aquele pedido especial, para comemorar o aniversário da nossa alma gémea, para a primeira noite de Lua-de-mel ou até mesmo para um retiro reconfortante da azáfama do dia-a-dia.

Esta proposta pensada para quem gosta de aproveitar estes pequenos-grandes prazeres que a vida nos permite, brinda-nos com uma noite em quarto Suíte Mezzanine com pequeno-almoço buffet (ou se a ocasião assim o exigir, no quarto) e ainda uma garrafa de espumante e frutas com ganache de chocolate na suíte. Como estes momentos especiais são para serem vividos intensa e demoradamente existe a possibilidade de um late check-out até às16:00.

Muitas vezes neste género de pacotes o espumante escolhido é mesmo “a despachar”, coisa que não acontece neste. Digo-vos uma coisa, provar a frescura, delicadeza, elegância e juventude do Vértice Gouveio 2007, com fruta verde, citrinos, noz e pão, tendo como cenário o pôr-do-sol sob Guimarães, a cidade onde nasci e onde nasceu o meu país, é impagável.

Sente-se um aconchego, daqueles parecidos quando chegávamos a casa da escola, no inverno e a mãe nos colocava um agasalho. Os consumos são registados pelos hóspedes numa folha de papel, o pequeno-almoço é personalizado e a equipa da casa está sempre muito disponível. Há confiança de quem visita e de quem recebe, como se de uma família se tratasse.

Todas as suítes, as seis existentes, reúnem de forma serena e confortável, património, arquitetura, estilo e a arte de saber modernizar a história, sem que a mesma perca memória. Estão dotadas com ar condicionado, TV de ecrã plano, canais por cabo, acesso wi-fi gratuito e mobiliário de design. Nas casas de banho encontramos miminhos requintados que reconfortam o ego e acalentam o coração 😛
O requinte e bom gosto está também presente nos pormenores, camas King Size com lençóis 100% algodão satin de 300 fios, edredões e almofadas com enchimento de penugem de ganso branco da Hungria, que garantem que possamos sonhar acordando para dentro. Podemos também envolver-nos nuns turcos 100% algodão do Egito. Na charmosa sala de estar da suíte existem ainda todas as comodidades para preparar chá ou café.

As plantas vivas distribuídas um pouco por todo a casa contribuem para o estilo distinto e ajudam a criar uma atmosfera tranquila, a reduzir o stress e convidam a fugir do ruído do quotidiano e a ter uma conversa tranquila e aromática.

Existe um bem-estar tão evidente que, quando olhei para o relógio, já era hora de jantar.

Vendo a Casa do Juncal, de noite, nua e crua, é impossível não pensar nos tantos e tantos séculos que caíram sobre ela, dispersados agora na poeira do tempo; a sua alma brilhante como uma vela ilumina ao longe o filho pródigo ausente. Há lugares e momentos mágicos, este foi (é) um deles.

Depois de assistir ao casamento de uma bela donzela, inserido na VII edição da “Feira Afonsina”, era tempo de afagar o estômago com uma bela sandes de pernil e mais tarde regressar ao hotel.

Como vos revelei no início, ficamos hospedados na suíte master, onde o grande destaque é a parede de granito que terá pertencido a um torreão de defesa de Guimarães no século XIII. A relíquia que dinheiro algum pagará, foi descoberta por acaso no forro de um armário e conquistou o destaque que merece com as obras de restauro. Adormecer embalado por 900 anos de história, só mesmo aqui. Fechei os olhos a pensar que aquela parede de granito foi contemporânea de D. Sancho, filho do Rei Afonso, o Primeiro, incrível.

O dia amanheceu solarengo e com a Andreia Silva, irmã da Bruna a preparar-nos o pequeno-almoço. Mais uma vez o ambiente familiar bate-nos à porta e para além disso, todo o serviço é como tem de ser num hotel de charme; com atenção, profissionalismo, competência, cordialidade e respeito.

A Casa do Juncal oferece-nos um menu de pequeno-almoço, em que basicamente podemos pedir o que nos der na real gana, desde croissants franceses, queijo com compotas caseiras (e como se nota que são caseiras), fruta da época, cerejas que mais parecem ameixas, ovos mexidos com bacon e espumante (a minha combinação preferida para um pequeno almoço de rei :-P) e panquecas acabadinhas de fazer com xarope de ácer. Tenho a sensação que se pedisse sandes de unicórnio, a Andreia me perguntaria: “Quer a sandes quente ou fria?” 😛

Existem ainda muitas mais surpresas que podem descobrir aquando da vossa visita a esta casa encantada, desde escadas japonesas até histórias de seres como se fossem donzelas, passando por sótãos secretos.

Parabéns e obrigado pelo convite ao jovem casal responsável pela Casa do Juncal, Daniela Abreu e Mário Gomes. É muito bom saber que na minha cidade e resultado da vossa alma conjunta onde reside um grande oceano de mil e mil corações, conseguiram restaurar uma casa quase milenar, que agora aparece gigante na claridade.

Casa Juncal
Rua Dr. Avelino Germano n.º 65
4800-150 Guimarães 4800-472 Guimarães
+351 252042168
http://www.casajuncal.com/