Obrigado, camaradas

As próximas eleições autárquicas vão ter um sabor diferente. Uma sensação de ausência só preenchida pelo legado e lugar na história de duas grandes figuras da democracia vimaranense.
Acompanho a política vimaranense desde muito novo. Com quase 30 anos, todas as memórias que tenho de política incluem António Magalhães e António Mota Prego. As primeiras Assembleias Municipais a que assisti foram há quase 20 anos. Ainda sentado do lado do público daquela casa eram o Presidente da Câmara e Assembleia Municipal, respetivamente. 

De há 8 anos a esta parte, tenho o prazer de ser membro do órgão máximo da democracia local. Durante este período tive a honra de partilhar a bancada com o Dr. Mota Prego, e conheci o Dr. António Magalhães a Presidente da Câmara no primeiro mandato, e a Presidente da Assembleia Municipal no segundo. 

De António Mota Prego guardo uma primeira memória na Sede da Rua de Gil Vicente do Partido Socialista, quando o vi numa mesa eleitoral, numa votação em que fui pela mão do meu pai.

De António Magalhães guardo as primeiras palavras de apoio e encorajamento no final da minha primeira intervenção. “Tem só que saber que depois dos 7 minutos já ninguém o está a ouvir”, aconselhou-me e dali para a frente quase sempre cumpri. 

Mais do que as memórias pessoais, guardo o respeito imenso pelos seus percursos. Ambos passaram pela Assembleia da República, sendo que Mota Prego foi membro da Assembleia Constituinte. Um dos pais fundadores da nossa democracia republicana. 

António Magalhães é o responsável máximo do Concelho de Guimarães tal como o conhecemos. Devemos-lhe a ele, e às equipas que liderou, o título de Património da Humanidade e Capital Europeia da Cultura. Temos para com ele uma dívida de gratidão por nos termos tornado na referência que somos para o país, em tantas áreas. 

De um e de outro, guardamos ensinamentos para sermos melhores. Melhores oradores e melhores líderes. Melhores políticos e cidadãos. Servos da causa pública com total entrega e combatentes de todas as batalhas com a tenacidade de um e de outro. 

Quando no próximo dia 1 de outubro, pela primeira vez desde que me conheço, os seus nomes não constarem das listas candidatas do Partido Socialista, começarei por sentir um vazio. Tenho a certeza que o mesmo se preencherá logo de seguida pela constatação do legado material e imaterial que deixaram e dos ensinamentos que transmitiram. 

Afinal de contas, Guimarães continua a sua trajetória de afirmação e os políticos de hoje são hoje, também, um resultado do trabalho das suas referências. 

Isto não é uma despedida. Até porque António Magalhães será mandatário do PS nas próximas eleições. É antes uma sentida, mas singela, homenagem de alguém que os tem como referência e sente um enorme orgulho por ter tido a oportunidade de com eles ter partilhado os palcos da democracia local. 

Obrigado, camaradas.