Ei-los que chegam

Agosto continua a ser o mês de férias dos “Franceses”.

E se, os de primeira geração que, em número razoável e já na “retrete”, estão cá durante boa parte do ano, chegam os da segunda e, até, da terceira.

É certo que, depois da debandada dos anos sessenta e setenta, para França, fugindo à guerra colonial ou à procura de melhor vida, outros destinos foram procurados, (Alemanha, Suíça, Bélgica e, já neste século, Holanda, Inglaterra) o que nos leva a assistir à chegada dos “Alemães e Suíços”, a partir de meados de Julho.

Dos que chegam, especialmente os da primeira geração, vistos nas festas que se realizam na terra, na vila mais próxima ou na cidade, deixam transparecer um certo desencanto.

Já não se distinguem dos demais, através das vestimentas “à la francaise” ou os “carrões” de marca desconhecida, que mostravam bem, o fruto de onze meses de trabalho, duro mas compensador. Eram trinta dias de glória, para quem saía das “bidonville” e outras paragens por toda a França.

Nos dias de hoje, apesar da abolição das fronteiras e da chegada da moeda única, sentem que são estrangeiros, não só no país que os acolheu, mas também naquele que os viu partir.

Os da segunda geração, quantos deles casados com franceses ou francesas, depois de sentirem alguma vergonha, do país que visitavam com os pais, voltam com cinquenta ou sessenta anos, carregados de nostalgia, querendo rever ou reviver o que, lá no fundo, sabem que não existe mais.

A geração actual de emigrantes, não passa onze meses no país de acolhimento. Os meios de transporte, viário, rodoviário ou aéreo, colocam-nos cá em três tempos.

Vemo-los em qualquer período do ano, aproveitando feriados ou acumulação de horas.

O último exemplo aconteceu na recente final, da taça de Portugal, na qual estiveram muitos portugueses, oriundos de vários países europeus. Pode demorar mas, no que à Europa diz respeito, o conceito de emigrante está em permanente transformação.

Ou seja, a emigração já não é o que era e ainda bem.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.