José Bastos: Os dossiers mais difíceis, o pós-CEC e as razões da saída

O mandato como vereador que herdou o pós-Capital Europeia da Cultura termina a 01 de outubro. José Bastos não integra as listas do PS para as próximas eleições justificando que “o desafio” que aceitou “há quatro anos era para quatro anos”. No balanço do mandato, aponta a lei 50/2012 como o dossier mais complicado com o qual teve que lidar e destaca o Excentricidade, o lançamento da revista “Guimarães Cidade Vísivel”, a criação da Orquestra de Guimarães, do Quarteto de Cordas de Guimarães, do Guimarães Allegro e a vinda do Vaudeville Rendez-Vous como os maiores ganhos.

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Não integração nas listas

Eu aceitei um desafio para integrar uma lista há quatro anos, senti-me honrado com o convite, aceitei com gosto, desempenhei o meu trabalho e faço uma avaliação positiva que fiz. O desafio que aceitei há quatro anos era para quatro anos. Toda a minha vida nunca procurei fazer carreira política portanto, fechado este ciclo de quatro anos, e com tempo, tive uma conversa com o Dr. Domingos Bragança manifestando esta minha vontade de terminar este mandato e não continuar para o próximo, ainda sem saber se seria convidado. Mas também não lhe queria colocar esse ónus. Não há mais nada para além disto.

Reintegração na Oficina

É a oportunidade de dar lugar aos outros. Sou quadro da Oficina, interrompi as minhas funções para vir exercer uma função pública e, como a lei determina, terminadas essas funções regresso ao meu local de origem. Em outubro, imediatamente a seguir à tomada de posse do novo executivo regressarei à Oficina. As entidades são dinâmicas e não podem interromper em função das pessoas que as integram. Depois de regressar procurarei junto de quem tiver responsabilidades junto da Oficina encontrar a melhor solução e ver como posso ser útil. Se o meu entendimento e quem tiver responsabilidades na altura é que seja para continuar na Oficina, continuarei com o empenho e dedicação de sempre, se o entendimento for de que eventualmente não serei tão útil, não há nenhum problema e seguirei o meu caminho tranquilamente. Procurarei estar ligado à área da Cultura porque acho que não conseguirei fazer mais nada.

Dossiers difíceis e principais realizações

O dossier como a Casa da Memória foi muito difícil, assim como o Teatro Jordão, alguns dossiers da área do centro histórico. Mas daí também resulta este sentido de missão cumprida. Não digo que faria tudo exatamente da mesma forma: mas orgulho-me muito de alguns projetos que lancei como o Excentricidade, a revista “Guimarães Cidade Vísivel”, a criação da Orquestra de Guimarães, do Quarteto de Cordas de Guimarães, do Guimarães Allegro, a vinda do Vaudeville Rendez-Vous, o financiamento do projeto da Muralha, o Festival de Música Religiosa, o apoio às associações, que, neste mandato, ultrapassou os 600 mil euros para projetos no âmbito do REMECAR.

A lei 50/2012 foi um processo complicadíssimo. A cultura aumentou exponencialmente na dotação orçamental [sem apontar números concretos]: Tinha que ser um caminho assumido no pós-Capital Europeia da Cultura: “A CEC era um ponto de partida e não um ponto de chegada. De pouco valia a CEC se nos ficássemos só pela CEC. A avaliação que faço é muito positiva mas nada disto tinha sido possível sem a forte convicção do Dr. Domingos Bragança e sem o forte apoio que sempre me deu. Também sinto a necessidade de lhe fazer um agradecimento público pela confiança que sempre demonstrou. Nem sempre estivemos de acordo mas tivemos sempre a capacidade de ultrapassar as nossas diferenças através do diálogo olhos nos olhos.

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