“O meu é maior que o teu”

Este “lamiré” pode aplicar-se a qualquer coisa, produto ou atributo físico, como cabelo, nariz, dedo ou mesmo pé… Neste caso, em apreciação, estão as ofertas feitas pelas forças políticas que, a 1 de Outubro, disputarão os lugares na Câmara, assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia.

Na verdade, olhando para a obscena quantidade de “outdoors”, lonas, cartazes ou como lhe queiram chamar, nota-se o desespero, por parte de quem ostenta todo aquele, vergonhoso, poderio económico.

O medo de perder ou de não ganhar, obriga os partidos, ditos do “arco do poder”, a investir somas exorbitantes, conseguidas sabe-se lá onde ou como, para trocar os cartazes, como quem troca de camisa.

Os anúncios e as apresentações dos candidatos, repetidas até à exaustão, durante meses, acompanhadas de fartos “comes e bebes”, espectáculos de vários tipos, pagos, directa ou indirectamente, pelos contribuintes, são uma constante.

A ocupação, em alto e largo, de todos os recantos de visibilidade, reduz ao mínimo, a possibilidade de comunicação, por parte dos restantes partidos. Ideias e promessas, uma mais megalómana e populista que a outra, tentam atrair e confundir os eleitores.

Túneis, viadutos, ecovias ou vias dedicadas, deixam para trás as necessidades prioritárias, da maioria da população. O ambiente, apesar do folclore criado, à volta de uma capital mais cinzenta que verde, continua a ser o parente pobre no nosso município, excluindo o centro histórico, onde só falta envernizar a calçada.

A vertente pública do ensino pré-escolar e básico, tanto a nível central como autárquico, está por implementar, apesar de algumas ténues tentativas, numa intencional cedência, aos “lóbis” das instituições particulares, de variadas e mais que duvidosas inspirações.

A habitação social estatal, com graves problemas no nosso concelho e apesar dos esforços do Bloco de Esquerda, CDU e Associações de Moradores, não viu, por parte dos arrogam do tal “arco do poder”, uma tomada de posição firme e convicta, no sentido de resolver uma situação, que deveria envergonhar qualquer um.

Os transportes públicos, continuam entregues a privados que, por vocação natural, procuram o lucro. Percursos e horários desorganizados, autocarros, enormes e vazios, atravessando freguesias sem população ou acessibilidades para os receberem.

Em suma, o concelho de Guimarães, tal como o defini há dez anos, continua a usar gravata e brilhantina, no centro da cidade, mas a pé descalço nas freguesias. Guimarães precisa de “Ouvir as pessoas”, para poder “Agir com as pessoas”. Guimarães precisa de mão firme, perante o compadrio e a promiscuidade que, não raras vezes, dão origem à corrupção.

O Bloco de Esquerda, nos últimos doze anos, tem sido, apesar das dificuldades, perante o poder instalado e a comodidade de quem não quer ser mais do que oposição, uma das vozes que clamam por uma mudança profunda na sociedade vimaranense.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.