Corrupção na mira de Wladimir Brito

Wladimir Brito é o candidato independente apoiado pelo Bloco de Esquerda à Câmara e lidera as listas que vão correr a nove freguesias, à Assembleia Municipal e Câmara. O partido, que promete ter a corrupção na Câmara e nas instituições ligadas à autarquia na sua mira, será o primeiro a aparecer no boletim de voto.

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“Seguramente que vou entrar para a vereação da Câmara de Guimarães”, é assim que Wladimir Brito responde à pergunta sobre se está confiante num bom resultado no próximo dia 01 de outubro. “Farei tudo para que o orçamento da Câmara seja distribuído equitativamente pelas freguesias, sem partidarismo”, disse após a entrega das listas, realçando que vai focar-se no controlo dos gastos públicos: “O pagamento de passagens para idosos irem ver futebol é nitidamente um ato eleitoralismo quando esse dinheiro poderia ser gasto na assistência a idosos, em situação de doença e dificuldades”. Prometeu ainda que vai “estar muito atento a tentativas de corrupção na Câmara de Guimarães ou de organismos públicos ligados à Câmara”.

Sobre uma eventual recriação da “geringonça” em Guimarães, Wladimir Brito diz-se “aberto a negociações mas sem perda de princípios ideológicos e éticos”. Afasta o cenário da solução governativa que existe a nível nacional: “A nível local nós navegamos com projetos, com associações de ideias e objetivos para as populações e portanto temos que saber o que se pretende”. E exemplificou dizendo que “se fizesse uma coligação com o PS e soubesse que se ia oferecer 14 mil euros em bilhetes [para a Supertaça, disputada no sábado entre Vitória e Benfica] eu tinha que dizer que não, tinha que votar contra”. Projeta, por isso, o acerto de “acordos de reunião em reunião de Câmara, projeto a projeto”.

Carlos Mesquita, mandatário da candidatura, sublinhou que “o Bloco de Esquerda é um partido com uma voz diferente e é assim que se tem vindo a afirmar em Portugal”. “O Bloco de Esquerda pode, deve e merece ter uma participação expressiva nas autárquicas. Queremos tirar a maioria ao PS, não que tenhamos o PS como alvo da nossa candidatura – longe disso – mas porque achamos que é possível negociar um conjunto de compromissos sem maioria absoluta”, esclareceu. Para o mandatário, “as maiorias absolutas acabam por ser impositivas mesmo que por vezes as decisões não sejam aquelas que sejam as do interesse público”.