Uma coligação de cinco partidos em que a maioria dos candidatos é independente

A Coligação Juntos por Guimarães junta cinco partidos – PSD, CDS, MPT, PPM e PPV-CDC – mas a maioria dos candidatos às 48 juntas de freguesia, Assembleia Municipal e Câmara é independente (64,5%). É o resultado de um apelo que o cabeça-de-lista à Câmara, André Coelho Lima, fez há dois meses quando disse que queria uma candidatura “despartidarizada e aberta a todos os movimentos”.

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As listas das candidaturas a 44 freguesias da Coligação Juntos por Guimarães foram entregues na passada segunda-feira, 07. Os movimentos independentes – Ronfe, Infantas e Serzedelo – apoiados por esta força política já tinham entregado os documentos na sexta-feira. Uma candidatura de última hora – o movimento independente “Ponte. O nosso partido” – também foi formalizada na segunda-feira, prazo limite para a entrega de documentos ao tribunal, e conta com o apoio da JpG. A Coligação Juntos por Guimarães é a terceira a aparecer no boletim de voto.

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Diana Fernandes, 26 anos, lidera candidatura a Ponte

André Coelho Lima foi o único a falar à comunicação social sobre a candidatura da Coligação Juntos por Guimarães, ao contrário das outras forças políticas que deram voz ao mandatário e ao cabeça-de-lista à Assembleia Municipal. Ressalvou que “64,5% dos candidatos são independentes e não têm ligação formal a nenhum partido”, “o que prova que corporizamos um movimento despartidarizado”. Outro número que deixa André Coelho Lima satisfeito prende-se com o facto de 59,5% dos nomes que integram as listas serem candidatos pela primeira vez a um cargo autárquico.

“Cada vez mais as eleições não são eleições partidárias, são eleições de pessoas e de projetos”, sublinhou, destacando que “a Coligação Juntos por Guimarães tem um movimento muito alargado de candidatos e de movimentos independentes que apoiam um projeto que pretende unir o concelho, apresentando uma alternativa”.

Sobre o facto de ser a única candidatura que não apresenta uma lista paritária aos lugares elegíveis num executivo municipal, André Coelho Lima responde que “nunca” fizeram “contas ao cumprimento de quotas”. Referindo que 25% dos candidatos às autárquicas são mulheres, o cabeça-de-lista da Coligação Juntos por Guimarães realça que nunca teve “a aspiração que as mulheres representassem nem mais nem menos”. “Acho que as mulheres devem representar aquilo que querem representar e não fizemos para ter 25% mas porque são as melhores, são as pessoas melhor colocadas para serem candidatas àquela junta de freguesia. Esse é o nosso critério”, resumiu.

A vereação, em caso de vitória

André Coelho Lima definiu que, se for eleito presidente de Câmara, ficará com o pelouro do Desenvolvimento Económico, por considerar “um ponto nevrálgico” da governação. António Monteiro de Castro será o número dois de um possível executivo da Coligação Juntos por Guimarães. “António Monteiro de Castro ficará com o urbanismo e o Centro Histórico, bem como a parte financeira. É a pessoa indicada pela sua experiência profissional para implementar e acompanhar os projetos que apresentámos”, apontou. Deverá ainda ficar com o dossiê das candidaturas a património mundial da Humanidade “que, com a Coligação Juntos por Guimarães, serão estendidas à rua de Camões e à rua D. João I”.

Questionado sobre um potencial conflito de interesses com a atividade profissional que Monteiro de Castro exerce atualmente, André Coelho Lima diz que não está preocupado: “Nenhum vereador pode estar a trabalhar com áreas ou com negócios seus que estejam directamente relacionados [com o seu pelouro]. Isso é claro. Portanto têm que ser tomadas as medidas que tiverem que ser tomadas para que isso não aconteça”. António Monteiro de Castro é um dos sócios da Projegui, uma empresa de arquitetura, engenharia civil e obras públicas sediada em Guimarães e que esteve envolvida na edificação de várias estruturas no concelho, como é o caso do Centro Cultural Vila Flor ou da Plataforma das Artes.

Helena Soeiro assumirá a pasta da Educação e dos Recursos Humanos, estabeleceu o candidato, que recordou que a atual vereadora da oposição foi responsável concelhia pela educação especial. A número três da lista da Coligação Juntos por Guimarães esteve ausente do seu papel da oposição por força de uma baixa médica. “Recordo um episódio que aconteceu com o presidente António Magalhães, que teve um problema de saúde, exatamente o mesmo que teve a vereadora Helena Soeiro, e pelo qual, apesar de ser presidente da Câmara em funções, esteve afastado durante seis a oito meses. Foi exatamente o tempo e pela mesma razão que a vereadora Helena Soeiro esteve afastada”.

Garantindo que Helena Soeiro está pronta para assumir o seu papel de vereadora, André Coelho Lima reforçou que “terá obviamente plena capacidade para levar a cabo uma área e um setor que é sobretudo a sua paixão”. Bruno Fernandes é o quarto nome da lista que deverá assumir um novo pelouro – o das Freguesias – o do Ambiente, ficando assim com a pasta da candidatura a Capital Verde Europeia, e o das Obras Públicas e Proteção Civil.

Para a Cultura, Desporto, Turismo e Juventude – um novo pelouro apresentado recentemente pela Coligação Juntos por Guimarães -, André Coelho Lima aponta o nome de Ricardo Araújo, “que tem diversas intervenções em organismos nacionais e internacionais na área da juventude”. Vânia Dias da Silva ficaria com a Ação Social e com a Fiscalização, uma área em que trabalhou anteriormente na Câmara do Porto.

Completam a lista à Câmara Hugo Miguel Ribeiro, Hermenegildo Encarnação, Eduarda Marques, Miguel Salgado Fernandes e Orlando Coutinho.