Cidades Criativas e Culturais

Ao longo dos últimos meses, tenho ocupado as linhas deste espaço de opinião com uma visão da Guimarães que desejo. Desde um conceito mais genérico em Abril, onde formulei uma ficção do que seria um dia em Guimarães em 2030, até a opiniões mais particulares sobre cada um dos conceitos chave explorados.

A Cidade que desejo é fácil de resumir: É um polo criativo, de criação cultural, que respeite e potencie o património de todo o seu território, que seja líder na transformação digital e se transforme em cidade inteligente, onde vivam criadores e empresários inovadores numa vivência cosmopolita de meios suaves de transporte e abertura, tolerância e respeito por todos.

A Comissão Europeia lançou esta semana uma ferramenta direcionada para as cidades criativas e culturais com objetivo de promover a partilha de boas práticas entre territórios em que o desenvolvimento é liderado pela visão cultural.

Naturalmente, Guimarães consta daquele ranking, à semelhança de Lisboa, Porto e Coimbra. Este “Cultural and Creative Cities Monitor” é um excelente ponto de partida de análise da situação atual, mas também de identificação de políticas para o futuro da Cidade.

Desde logo, a nossa cidade destaca-se pelo seu caracter histórico, como “Berço da Nação”, mas também pela dinâmica cultural de um palácio do Século XVIII recuperado: O Centro Cultural Vila Flor.

Para além destes pontos, é dado destaque ao programa de participação de toda a população na Capital Europeia da Cultura em 2012, à programação com a marca “Europe for Festivals – Festivals for Europe” e o maior Cineclube do País. Motivos de orgulho de uma cidade que vive nesta tríade entre as suas gentes, a programação cultural e o seu movimento associativo.

Analisando as métricas analisadas é possível fazer uma análise de pontos fortes e oportunidades de melhoria para Guimarães. Desde logo destacando aquele em que nos encontramos no topo nacional e acima da média europeia: Na qualidade da Governança e das políticas culturais.

Um motivo de orgulho para quem acredita, como eu, que há um conjunto de pessoas quem tem sabido colocar o nosso território no caminho certo da afirmação cultural europeia.

Existem ainda outros pontos de destaque, em que Guimarães se encontra acima da média: na satisfação com os equipamentos culturais, no emprego em novas empresas do setor criativo, nos formados em Comunicação e novas Tecnologias e na tolerância com estrangeiros.

Por outro lado, há claramente aspetos a melhorar como o número de noites de permanência do turismo, propriedade intelectual e patentes registadas, integração de estrangeiros e, principalmente, nos temas da mobilidade.

Contas feitas, chegamos a um bom ponto de partida. Guimarães é uma cidade cultural e criativa em crescimento, resultado de um caminho com visão e de sucesso e com estrada para percorrer.

Só é possível partir deste ponto pela visão tida por tantos ao longo das últimas décadas, pela dimensão do associativismo local e pelas gentes de Guimarães.

Um ponto de partida que valida uma visão muito mais abrangente daquilo que é suposto ser uma cidade Criativa e Cultural do Século XXI. A Comissão Europeia, como fica claro pelos critérios utilizados, vê neste tipo de cidades, territórios vibrantes na dimensão artística, inovadores e com emprego nas novas áreas da tecnologia, atento à educação dos seus cidadãos, abertos, tolerantes e com respeito por todos, e com meios de transporte adequados.

Guimarães sabe para onde vai e está debaixo do olho da Europa. Haja espaço para continuar a construir em cima deste caminho de sucesso.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.