Dignidade

Neste período de pré-campanha, o candidato do Bloco de Esquerda aparece em dois outdoors colocados, um na rotunda de Silvares e outro na de Covas. Para além destes, aparece em mais uma dúzia de múpis espalhados pelos pontos mais visíveis do concelho.

No meio da enorme quantidade de lonas gigantes, propriedade dos dois partidos, ditos do arco do poder, PS e PSD mais três ou quatro pequenos partidos e mudados, no mínimo semanalmente, aparece aquela irrisória quanto digna informação, de quem é o candidato à câmara pelo BE.

Mesmo assim, parece que anda muita gente incomodada com a escassa propaganda.
Na Avenida República do Brasil, foi rasgado ao meio o cartaz que lá fora colocado, entretanto substituído, numa clara atitude de malfazer. Num outro, mais para os lados da estação, foram feitas pinturas, no sentido de ridicularizar a imagem do candidato.

Quem o faz, numa demonstração antidemocrática primária, própria dos tempos dos assaltos às sedes partidárias, por parte de redes bombistas ou adeptos do antigo regime.
Claro que, hoje, não temos bombas, incêndios ou mobília atirada à rua, no entanto o espírito é o mesmo.

Outra demonstração, de falta de dignidade democrática, é a ocupação dos espaços e datas, por parte dos maiores partidos. À apresentação do cabeça de lista, do mandatário e do programa, seguem-se as inaugurações das sedes de campanha, em espaços que, avaliados ao nível do mercado, farão corar de inveja quem não consegue arrendar uma casa, com a dignidade necessária para acolher a família.

Para culminar tudo isto, só faltarão as inaugurações, em tempo de campanha, de obras eternamente adiadas, à espera do dia apropriado. Então teremos o ponto alto da festança, com a matança do porco, o jorrar do verdasco e os discursos de circunstância, impulsionados pelo dito cujo.

Um pouco de dignidade e respeito por quem trabalha, nas acções de campanha.
Os milhões, anunciados nas sucessivas campanhas, são um insulto a quem recebe salários e pensões de miséria.

Assim se percebe o chumbo que sofreu a proposta do Bloco de Esquerda, que preconizava o cortes na subvenção aos partidos.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.