Juntos, unidos, somos muito mais fortes

Este início de época tem sido uma montanha-russa de emoções para sócios/adeptos do Vitória. A antecipação criada por uma extraordinária época, as mudanças do plantel e a possibilidade de vitória repentinamente substituída pelas esmagadoras derrotas fez com que passássemos de um extremo para o outro, deixando-nos esgotados – verdadeiramente esgotados como se estivéssemos realmente a jogar.

Depois de uma série de desventuras, o jogo de ontem era crucial, uma espécie de jogo de vida ou morte que parecia ser determinante para o futuro do Vitória. O estado era de tão alta excitação que o meu sistema de controlo biológico do corpo não conseguia compreender muito bem o que estava a acontecer (já se passaram algumas horas e o meu coração ainda bate a um ritmo exageradamente acelerado). Desde que o “Sou Vitória” começou a soar no estádio que a adrenalina inundou o meu corpo e a única resposta possível foi estar 90 minutos sem parar de cantar, de apoiar, de festejar.

A antecipação deste jogo foi extremamente agravante. Eu estava fisicamente preparada para ação, mas o meu corpo sentia falta daquele momento efémero em que o golo faz com que toda a adrenalina acumulada seja libertada.

Eu já assisti a centenas (milhares?) de jogos, mas falho sempre em compreender como é possível que algo tão breve e aleatório como a passagem de um objeto redondo para além de uma linha decorada com uma rede consegue ser tão satisfatória e capaz de fazer um grupo de pessoas saltar de excitação – mas é tão bom.

A recompensa chegou finalmente! No momento em que o Rincón conseguiu meter aquela bola na baliza sentiu-se uma liberação seletiva de dopamina no estádio, o alívio de finalmente podermos ventilar a nossa excitação. Conseguimos por fim ouvir aquele grito preso na garganta a partir as correntes e a libertar-se, o coração saltou uma batida e até as nuvens negras que cobriam o estádio dissiparam e permitiram que o sol voltasse a brilhar na Cidade Berço.

Naquele momento em que os gritos de golo se fizeram ouvir em uníssono, em que nos levantamos das cadeiras e os cachecóis foram colocados no ar em movimentos circulares o mundo parou e a felicidade alcançou níveis extremos. Naquele momento tudo pareceu possível e alcançável. Naquele momento voltamos a sentir-nos invencíveis.

Para o observador não envolvido a nossa celebração pode ter parecido histérica e desproporcional para o momento, mas para nós vitorianos aquele golo significou muito mais do que possam imaginar. Naquele momento sentimos que o Vitória (o nosso Vitória, aquele que nos fez sonhar e ser felizes na época passada) estava de volta e que estava preparado para as longas batalhas que se aproximam.

A união, apoio e crença da bancada chegaram finalmente ao relvado e foi maravilho observar aqueles momentos em que a equipa ganhou uma sensação repentina de urgência e confiança (queremos mais disto, por favor).

A ausência destes momentos foi sentida e quando eles aconteceram no relvado foi simplesmente esplêndido. Ontem senti que a equipa estava a crescer connosco e que aos poucos e poucos foi recuperando total confiança e começou a passar a bola em redor do campo como conquistadores orgulhosos de espada afiada preparados para conquistar o país e Europa. Foi ótimo assistir à equipa (acho que finalmente começamos a ter algo que é digno de tal designação) a incorrer numa fúria frenética com uma sensação renovada sensação de bravura.

Juntos, unidos, somos muito mais fortes! A união é definitivamente a chave para o sucesso. A união sempre foi algo que fez parte daquilo que é ser vitoriano. A união sempre foi aquilo que nos tornou especiais.

Uma família unida é capaz de superar as suas divergências e compreender que as adversidades são muito mais fáceis de superar se houver paz e tranquilidade. Uma família e uma equipa podem realizar muito mais em harmonia.

Nós podemos ter passado a semana inteira a discutir e a discordar uns dos outros, mas ali naqueles 90 minutos foi percetível que aquilo que nos une é muito mais importante do que aquilo que nos separa e que juntos, unidos, somos efetivamente muito mais fortes.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.