Diana, Diana, Diana

Uma Questão de Brilhar

Eternos os segundos, fragmentos de minha sóbria memória prevalecida pelo amor a que tenho aos cheiros, memórias e histórias ouvidas…ouvidas no vento da tertúlia deste sábado tardio, desinteressante e passageiro. Para mim ligeiro e ainda assim tocante, vibrante, sensual, vigoroso, gritante. Eu entendo. É um fogo e eu sei que nunca entenderás e lerás. Naturalmente. Mas ainda assim fizeste questão de brilhar de azul.

Como diria, sem saber, brilhaste como um azul eterno e pecador. Lembro-me de assim o escrever sem saber que um dia entenderia o sabor do quanto escrevia. Inocente que era. E de verdade que não entendia. Porque me deixas mais insano do que Beth Gibbons? Tomara eu saber e entender. Ninguém me ama, é verdade. Ninguém me ama como me amas tu. Como só tu.

Felizmente não me entendo e minha tristeza vive aqui, ainda sozinha, protegida daquilo que posso ou não sentir; claro que sinto. Sinto a medo. Sei que te preencho, acabaria por preencher alguém bem antes ou depois de saber de ti. Sei que soubeste mas não viste. Sim. Viste? Ninguém mais viu não sendo tu.

Dá-me um motivo para te amar, dirias. Só quero ser uma mulher em cem flores de azul, jasmim, rouge como cravos de cá. Dá-me um motivo para ser mulher.

Ouço-o  dentro de ti, por mais e ainda mais que não acredites, eu sei que sim e tenho medo. Pois é só da boca para fora mesmo sendo  de dentro do coração. E porque me deixarás tão triste? porque somos ilusão de nós dois, como o antes, o nunca e o depois!
Porque hoje fizeste questão de brilhar tão perto de mim. O sol que teimava em interromper o nosso almoço era como se fosse a maldição que sempre nos roubou a paixão! Hoje fizemos questão de brilhar. E que se nos queimasse a pele e a carne até que se esvaziassem todas as artérias. Eu brilhei para ti. Tu brilhaste para mim. Foi o bastante. Só nosso. Nosso.

César Elias, 31 anos, escritor vimaranense. licenciado em Estudos Culturais pela Universidade do Minho, editou em 2010 “secretária antiga” (poesia), em 2012 “América” (romance), “A Cova da Moura”, (guião, bienal de Cerveira 2012). Publica contos, poemas e crónicas em alguns jornais.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.