Convença-me a votar em si: Domingos Bragança

Por António Magalhães

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Domingos Salgado Bragança, licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra, e presidente da Câmara Municipal de Guimarães no ano de 2013-2017, e candidato a um novo mandato nas eleições de 01 de outubro nas listas do Partido Socialista.

António Magalhães: Um presidente de Câmara estranho seria se não tivesse no final do mandato muita obra para apresentar. Todavia, permita-me que lhe faça um pequeno desafio. Que olhe para 2013 e que rapidamente passe estes quatro anos e o que gostava de ter feito que não conseguiu fazer ou então o que correu menos bem neste mandato?

Domingos Bragança: A minha convicção é que este mandato foi muito bem conseguido. Olho para o meu programa eleitoral sufragado em 2013 e vejo que está todo com a minha nota de cumprido.

Nós, com esta candidatura que ninguém quis levar a sério, quando apresentei em setembro de 2013, que queríamos fazer esta candidatura a Capital Verde Europeia, seguimos este caminho tão importante como o próprio estatuto.

AM: Os compromissos de 2013.

DB: Compromissos assumidos, conseguidos e realizados. Claro que há outros compromissos que estão numa fase de não reversão, de não retorno. Estão numa fase tão madura da sua execução. Mas o mais importante neste mandato é o seguinte: os vimaranenses olharam para o pós-2012, Capital Europeia da Cultura, olharam com alguma expectativa do que ia acontecer. Na dimensão cultural e da cidade, se íamos ter a continuidade numa estabilidade ou uma continuidade numa baixa de expectativas. E o que eu sinto, que é a perceção, é a perceção do contacto, do olhar das pessoas, daquilo que me dizem é que este mandato foi bem conseguido.
E está acima daquilo que eu poderia dizer que era expectável. Vínhamos de um nível elevado, não vínhamos de mandatos anteriores de níveis baixos. Portanto, por isso foi difícil de acrescentar outra camada para ainda estarmos mais elevados. E foi isso que se conseguiu. Com esta questão da Capital Verde Europeia, nós temos a dimensão histórica, património classificado pela UNESCO, tivemos a Capital Europeia da Cultural, uma dimensão cultural fortíssima, tivemos a dimensão do desporto da Cidade Europeia do Desporto e, mantendo as dimensões que tínhamos em conta, que era a dimensão da educação, social, sempre se teve.
Nós acrescentamos duas novas dimensões com muita força. A dimensão da sustentabilidade ambiental, que sabemos que a agenda central das melhores cidades europeias é a sustentabilidade, é o ecocidadão.
Nós, com esta candidatura que ninguém quis levar a sério, quando apresentei em setembro de 2013, que queríamos fazer esta candidatura a Capital Verde Europeia, seguimos este caminho tão importante como o próprio estatuto. Há outra dimensão fortíssima, que é a da economia, a das empresas e da ligação. Porque não é só medidas diretas ligadas às empresas do foro dos incentivos municipais mas também o trabalhar de modo articulado os nossos centros de ciência, da universidade e de outras instituições para que façam a transferência dessa ciência para a economia.

Eu diria que no caso da Ecoibéria deveríamos ter analisado melhor as incidências. Do ponto de vista administrativo, do ponto de vista legal está tudo bem. Do ponto de vista político, da decisão política devíamos ter visto no início do processo, deveríamos ter visto todas as consequências dessa decisão.

AM: A minha próxima pergunta era essa: o que é que ressaltava do seu mandato. Já o fez. Mas não me respondeu à minha pergunta ou melhor não respondeu ao meu desafio: correu tudo bem neste mandato, não há nada que o senhor olhe para trás e “eu gostava de ter corrigido isto”. “Eu gostava que a Ecoibéria não tivesse acontecido”?

DB: Eu ia dizer isso: o processo que eu diria que não correu bem foi o processo da Ecoibéria. Se retirarmos o processo da Ecoibéria… também tenho outro assunto que eu acho que temos que encontrar soluções, que é a questão de Polvoreira e das oficinas quer da Câmara quer da Vitrus, que fica ali situado numa zona de moradores. Como a atividade da recolha do lixo e das oficinas são 24 horas por dia, na própria noite e atinge o sossego das pessoas. Portanto, temos que encontrar soluções para as oficinas.

AM: Não correram bem esses dois processos.

DB: Estes dois processos não correram bem.

AM: Houve alguma displicência na forma como isso foi tratado? Não se viu bem as consequências que podiam vir daí?

DB: Ninguém consegue fazer 100% bem. Portanto há alguma coisa que num conjunto de realizações há sempre um ou outro aspeto que corre menos bem. Eu diria que no caso da  Ecoibéria deveríamos ter analisado melhor as incidências. Do ponto de vista administrativo, do ponto de vista legal está tudo bem. Do ponto de vista político, da decisão política devíamos ter visto no início do processo, deveríamos ter visto todas as consequências dessa decisão. E acho que não vimos. Do ponto de vista técnico, do ponto de vista político não vimos.

AM: O Partido Socialista apresenta-se com 30 compromissos. Não são muitos compromissos para realizar num mandato apenas?

DB: Eu diria que são 30 compromissos destacados do programa eleitoral, que neste momento está quase a ser concluído para ser apresentado.

São dois grandes objetivos essenciais de mobilidade: atender todas as vilas e em conexão com todas as freguesias. Nós temos que ter transporte público de passageiros em todas as vilas e em todas as freguesias.

AM: Estamos a gravar esta conversa a 19 de setembro, início oficial da campanha, os vimaranenses já não deviam ter do Partido Socialista nas mãos para poderem começar a estudá-lo junto das outras forças partidárias?

DB: As outras forças partidárias ainda não apresentaram nada, que é o costume. Não apresentaram nada e espero que apresentem. Nós avançamos logo com os 30 compromissos essenciais do mandato. No outro dia, um cidadão disse-me “Ó caro presidente, aquela dimensão cultural que tem, aquela dimensão do desporto, só são os 30 compromissos?”. Não, isso é o que vamos manter. Nós é que destacamos os compromissos fundamentais, novos são estes. Mas nós vamos manter o nível elevado de todas as outras áreas: a intervenção nas escolas, a intervenção social, a intervenção desportiva. Tudo. Porque dava a ideia que eram os 30 compromissos. Isto é o programa? Não. Nós avançámos de imediato para que não haja qualquer tipo de dúvida aquilo que nos queremos fazer. E acrescento: mantendo tudo o que estamos a fazer bem e até dobrar queremos divulgar isso para saberem que é um compromisso também. Fomos ao ponto de atrasar – temos tanto trabalho feito pelas freguesias, pela cidade, nas vilas, em todo o território – que a memoria do mantado tem que estar disponível para nós vermos.

AM: Vamos olhar para a mobilidade, que era um dos grandes compromissos que vinha já de 2013. Provavelmente, houve muitos aspetos em que foi conseguido. O que podemos esperar se os vimaranenses lhe voltarem a confiar o governo do concelho, o que podemos esperar de diferente em termos de mobilidade no concelho?

DB: Nós somos autoridade municipal de transportes. São dois grandes objetivos essenciais de mobilidade: atender todas as vilas e em conexão com todas as freguesias. Nós temos que ter transporte público de passageiros em todas as vilas e em todas as freguesias.

AM: Posso recordar-lhe no compromisso 2013-2017 estava esse aspeto protocolado com o governo, “a requalificação das acessibilidades às vilas”.

DB: Essa parte ainda é mais interessante. Avançámos e demos passos decisivos. Mesmo no enquadramento que temos de Capital Verde Europeia, eu não prescindo da mobilidade elétrica no transporte. Eu sei que é um processo muito difícil, eu podia não pôr isso na agenda, mas quero. Quero que gradualmente esta concessão avance com o transporte eléctrico. Mas vamos preparar tudo para o futuro para que na próxima negociação de concessão, eu quero em autocarros eléctricos. Ainda hoje falei com o senhor ministro do Ambiente sobre isso: e disse-lhe “quero que nos apoie, com os programas europeus, que haja por todo o concelho uma rede de carregamento rápido eléctrico”. Não só para os autocarros. Porque a questão poe-se na demora do carregamento: se me vez de demorar uma hora, 15 minutos, 10 minutos, é o tempo de tomar um café. Criar as infra-estruturas para poder lançar a concessão com os operadores e que estejam connosco na mobilidade elétrica. Eu não prescindo da mobilidade elétrica.

AM: Não prescinde da mobilidade eléctrica, obviamente, mas se os autocarros continuarem a não servir as vilas, a não haver autocarros, que permita aos habitantes das vilas vir aos acontecimentos na cidade. Recordo as críticas recorrentes que têm sido feitas pela CDU, pelo vereador Torcato Ribeiro, relativamente à falta de transporte público, não estamos a avançar muito.

DB: O transporte é uma questão de equilíbrio. Não podemos andar com os autocarros vazios. Temos que criar um conjunto de horários decisivos em que os cidadãos dessas vilas, exatamente para poder atender à oferta cultural da cidade, embora também tenhamos oferta em cada uma das nossas vilas e algumas freguesias e isso vai continuar. Em alguns casos, onde queremos uma oferta pública de transporte ela vai ter que ser subsidiada pela Câmara Municipal. Mas vamos levar até ao limite onde o transporte pode funcionar por oferta da operadora, daquilo que é responsabilidade nossa, nos transportes urbanos, nós estamos prontos a assumir um pouco mais da mobilidade eléctrica por sermos percursores. Não tem que ser com camionetas, autocarros de 60 lugares. Nós podemos nas concessões e na revisão da concessão e na resposta aos diversos operadores, nós podemos encontrara autocarros de 30 lugares e, portanto, que são mais flexíveis e mais económicos. para tudo isto temos que encontrar solução e mesmo na cidade. Há certos arruamentos em que não têm que andar autocarros de 60 lugares, por ruas estreitas. Porque o transporte eléctrico é muito importante para a nossa candidatura e para nós, como sociedade em geral.

[sobre a ciclovia na via do Avepark] Não há muito desnível. Também temos a solução tecnológica. Quem se sente com força para utilizar a bicicleta o desnível também não tem problema nenhum. As pessoas com menos força usam as bicicletas eléctricas e não têm problema nenhum.

AM: No seu programa de 2013-2017, apontava para a criação de uma rede de ciclovias ligando os parques de lazer existentes, as margens ribeirinhas e os núcleos urbanos. Como estamos? Sente-se satisfeito, acha que alcançou aquele que era o objetivo de 2013?

DB: Sim, nós estamos em prática com esta grande ligação da ecovia, do Parque da Cidade à Cidade Desportiva. Os projetos estão agora a ser desenvolvidos para ligar a Pevidém e à margem do rio Ave…

AM: Mas ecovias de lazer ou aí pode haver uma função utilitária.

É uma função utilitária. Combina as duas áreas, a de lazer e a utilitária. A prática de lazer da bicicleta dá domínio sobre a bicicleta, dá prazer sobre a bicicleta e faz com que as pessoas se sintam à vontade porque vamos criando infra-estruturas de ligação à cidade e às vilas através da bicicleta. Quem estiver à vontade com a bicicleta usa em meio urbano, em meio normal de percurso. Só para dar esta nota: a ecovia que estamos a fazer vem com percursos à cidade, entra pela cidade dentro, pelas Hortas. Este percurso está aprovado. Não estamos a falar de coisas que vamos fazer: está aprovado. Os projetos estão prontos. Quando eu falo na ligação ao Avepark, já está aprovado há muito tempo pelas Infraestruturas de Portugal, as Estradas de Portugal. Esta nova ligação rodoviária que vai de Silvares até à nova rotunda de Ponte, parque industrial, e depois uma nova via que vai passando por Santa Eufémia de Prazins, Santo Tirso de Prazins, Barco e Taipas, tem uma variante a Ponte e às Taipas, tem cortina arbórea, um percurso clicável e um percurso pedonal. Quem quiser vir das Taipas ou do parque de ciência e tecnologia, ou de todas estas freguesias, para a cidade desportiva encontra na ecovia.

AM: E os desníveis?

DB: Não há muito desnível. Também temos a solução tecnológica. Quem se sente com força para utilizar a bicicleta o desnível também não tem problema nenhum. As pessoas com menos força usam as bicicletas eléctricas e não têm problema nenhum.

AM: E os automóveis? Vamos ter no centro da cidade?

DB: Vamos ter sempre a utilização prioritária.

Eu assumo que o parque [de Camões] é gratuito, é de acesso gratuito, de utilização pública e de apoio a todos os nossos concidadãos. É para isso que ele não é para concessionar nem nada, é para estacionamento público, gratuito a todos os cidadãos.

AM: Vamos pensar no Toural.

DB: O parque de Camões: nós vamos construir. São 400 lugares que vão dar apoio ao comércio, aos serviços do centro da cidade, vão permitir toda a reabilitação da rua de Camões, rua da Liberdade e da rua da Caldeiroa. Quando queremos trazer habitação para a cidade, as pessoas querem ter o carro. Portanto têm que aparcar. E aparcam o carro em Camões. Eu assumo que o parque é gratuito, é de acesso gratuito, de utilização pública e de apoio a todos os nossos concidadãos. É para isso que ele não é para concessionar nem nada, é para estacionamento público, gratuito a todos os cidadãos. Podemos criar algumas zonas de reserva e pode ser grande que é para as pessoas que, ao fechar o Centro Histórico, também sempre disse isto, eu concordo com a pedonalização do Centro Histórico desde que se encontre alternativas de aparcamento para os moradores. E os moradores vão ter espaço reservado no parque de Camões.
Assim como aceitei uma proposta que me foi feita: os primeiros dez minutos de parcómetro ser gratuitos, acho bem, dá mobilidade porque a ideia dos parquímetros é a rotatividade, não é a receita. Há que mudar o software dos parquímetros e fica os dez minutos iniciais gratuitos.
Este parque de Camões, está a 50 metros do Toural. Eu gostava que a parte de cima do Toural e da Alameda fosse pedonalizada. Mas vamos ver. Vamos começar por pôr em funcionamento o parque, a pedonalizaçao do Centro Histórico e depois vemos a pedonalizaçao, não toda, mas da parte norte do Toural e da parte norte da Alameda. O modelo urbano de Guimarães não é igual ao de Braga, não é a “bracarização”, não é nada disso. Nós temos o nosso modelo, somos observados pelo exterior e por nós mesmo e elogiados. A nossa realidade é esta e somos distinguidos por isso: a excecionalidade do nosso espaço urbano.

AM: O ambiente é a grande marca deste executivo. A candidatura a Capital Verde Europeia era para ser apresentada em 2017, vai ser apresentada agora brevemente.

DB: Dia 25. Fica submetida a Bruxelas.

Quem pode fiscalizar melhor do que ninguém, sem prescindir de todas as outras entidades fiscalizadoras, é a Câmara Municipal. Porque a Câmara Municipal é a que sofre logo qualquer coisa que surja, o bem ou mal está a ser assentida sobre a Câmara

AM: E agora, Dr. Domingos Bragança? Já falou de ciclovias, de retirar os carros da cidade. E o ambiente? Vamos lembrar-nos daquilo que ciclicamente vai acontecendo no rio Ave.

DB: Sabe que quem levantou essa questão da despoluição com muita força política e cívica fui eu ao constituir um plano de ação para a despoluição do rio Ave. E todas as linhas de água. Rio Ave, sim, porque é lá que fazemos a captação de água para o nosso consumo doméstico. Agora, o que é que aconteceu desde então? Acho que se criou uma forte consciência sobre a protecção do rio. E com isso veio uma reprovação social muito forte e penso que este modo de interiorizar a valorização do rio. Isso faz que agora tudo o que aconteça é muito sancionado e depois vamos para a parte coerciva. Para mim a parte mais importante é a consciência ecológica da protecção das linhas de água, o uso da linha água.
Historicamente afastámo-nos do rio e queremos voltar às margens do rio. Os nossos cidadãos alertam as entidades, fazem um alerta muito grande e agora as próprias empresas e os agentes que podem contrariar têm um enorme cuidado sobre isto e sempre que há qualquer coisa vêm dizer que foi um acidente. Têm receio da reprovação social forte e das coimas. Mas há uma nota que quero deixar, dos aspectos coercivos. Eu acho que o governo deve dar competências fiscalizadoras à Câmara Municipal, a Câmara Municipal não tem nenhumas competências de fiscalização nem de aplicação de contra-ordenação, de coima. A Câmara tem que mandar também às entidades fiscalizadoras o que está a acontecer. Quem pode fiscalizar melhor do que ninguém, sem prescindir de todas as outras entidades fiscalizadoras, é a Câmara Municipal. Porque a Câmara Municipal é a que sofre logo qualquer coisa que surja, o bem ou mal está a ser assentida sobre a Câmara.

AM: Está a falar de coimas. Isso parece uma política reativa.

DB: E a educação ambiental?

Isto não se faz num dia.[…] Isto demora tempo porquê? É sempre a questão dos terrenos. É sempre essa dificuldade: a aquisição destes terrenos numa largura que é, enfim, preciso ter na nossa posse. Há uma questão importante: este caminho está a ser seguido por todos os vimaranenses. As pessoas querem que se faça isso. E isto nasceu neste mandato de 2013-2017.

AM: Em termos concretos, quando olha para o parque das Taipas, para aquele rio, não sente algum desconforto por algum abandono que se verifica ali?

DB: A minha maior preocupação é a qualidade da água do rio. Que a massa da água esteja límpida, tenha vida, um caudal ecológico. É essa a minha preocupação, daí a questão das zonas ribeirinhas, das praias fluviais.

AM: Temos ali óptimas condições para ter uma praia fluvial e não temos.

DB: Neste momento já existem projetos muito interessantes para a praia fluvial, na zona das Taipas, no lado de Ponte, fazer a ligação também num açude que é muito bonito, onde se vai fazer uma ponte pedonal, depois da estrada nacional. Depois todas as freguesias têm os seus projetos através das brigadas verdes, que também é importante realçar isso. As brigadas verdes têm proposto, ao longo do rio, em Barco tem uma boa praia fluvial, Briteiros também quem ter, Donim também quer ter. Ao longo de todo o rio querem ter praias fluviais e querem recuperar os moinhos para ter elementos atrativos no seu passeio, quer pedonal, quer de bicicleta, quer na zona de praia, poderem ter motivos de interesse.

AM: E quando é que os vimaranenses podem começar a fruir dos seus rios?

DB: Isto não se faz num dia. Temos que definir uma projeto comum que todos têm que seguir. Mas depois há freguesias que avançam elas próprias com as praias fluviais, com a recuperação de moinhos, com o apoio da Câmara Municipal. A Câmara Municipal avança com este projeto estruturante que é, ao longo do rio Ave, quer a jusante quer a montante a ecovia/ciclovia. Isto demora tempo porquê? É sempre a questão dos terrenos. É sempre essa dificuldade: a aquisição destes terrenos numa largura que é, enfim, preciso ter na nossa posse. Há uma questão importante: este caminho está a ser seguido por todos os vimaranenses. As pessoas querem que se faça isso. E isto nasceu neste mandato de 2013-2017.

AM: O caminho é importante, acentua isso muitas vezes, mas não poderá estar já a preparar os vimaranenses para um eventual insucesso da candidatura. Ou seja, não atingimos o objectivo mas fizemos um caminho…

DB: O caminho vamos continuar a fazer: da sustentabilidade, da consciência ecológica, da ecocidadania, do cidadão preocupado com a Natureza e com a sociedade. A inclusão social está sempre neste caminho da sustentabilidade ambiental. Este caminho é que é fundamental: o estatuto queremo-lo. Ninguém pode negar isto: nós fizemos uma candidatura muito bem trabalhada, convocamos todos para esta candidatura, convidamos personalidades mundiais para esta candidatura, a Universidade do Minho, todas as instituições, as juntas de freguesia, tudo está convocado. Estamos neste processo. Esta candidatura é uma candidatura aberta, não há aqui governos a meter-se, são as cidades que se propõem e apresentam as suas candidaturas, não há nada de institucional por trás. Fizemos tudo bem, a candidatura não é preencher um papel e já está. Fizemos os processos formais e os processos substantivos. Queremos sucesso, mais do que ninguém quero o estatuto em 2020. Não conseguimos, vamos continuar a corrigir as fragilidades. As cidades europeias que são capital verde, eu penso que não há nenhuma que foi à primeira. Mas pode ser que Guimarães seja.

Na rua de Santo António, nós precisamos mesmo de um equipamento âncora. Cada vez considero mais importante ter lá a loja do cidadão na Santo António e resolver o problema dos correios. Se o edifício dos Correios for transformado num edifício âncora, numa atividade atrativa.

AM: Dos 30 compromissos selecionei aqui alguns: habitação. Como é que será a habitação em Guimarães neste novo mandato? Estamos numa altura de forte pressão no imobiliário.

DB: Que faz subir as rendas, da habitação. Já temos um projeto pronto, já está trabalhado, é para executar no próximo mandato. Nem lancei agora que é para não dizerem também, neste momento em setembro está pronto, tenho quatro projetos prontos para lançar a concurso. E estou à espera da legitimidade, da eleição, tem que ser assim com toda a humildade democrática. Defendo a construção a preço controlado para termos rendas controladas. Rendas que não são de mercado mas rendas que sejam acessíveis à nossa população.

AM: De que forma é que a Câmara pode intervir nesse aspeto?

DB: 70 habitações para rendas controlas. E tenho mais casas. Tenho mais investidores interessados para construir. Há aqui uma parceria entre a Câmara Municipal e o investidor.

AM: Não só no Centro Histórico mas se nós, à noite, dermos uma volta na envolvente rua de Santo António, Gil Vicente, Paio Galvão e olhamos para as habitações não há vida ali, não mora ali gente.

DB: Na rua de Santo António nós precisamos mesmo de um equipamento âncora. Cada vez considero mais importante ter lá a loja do cidadão na Santo António e resolver o problema dos correios. Se o edifício dos Correios for transformado num edifício âncora, numa atividade atrativa.

AM: Mas continuamos a ter ali atividade no horário de expediente. O resto das habitações, não há possibilidade de trazer gente, de trazer vida a essas habitações.

DB: Eu continuo a dizer que o grande problema do centro da cidade é a qualidade e o conforto de se poder aparcar. Tendo soluções de aparcamento que sejam comodas nós voltamos a ter vida, habitação na rua de Santo António. O secretário de Estado da Habitação propunha-me que a Câmara Municipal entrasse numa aquisição de 30 ou 40 prédios contíguos que estivessem devolutos e isso seria difícil de encontrar. Porque Guimarães tem uma situação muito interessante: Guimarães tem prédios devolutos mas são problemas de heranças. Os prédios para dentro têm um preço elevado, as pessoas sabem que têm valor e pedem preços elevados e a Câmara para intervir… o que acontece em cidades que têm bairros com prédios e bairros muito abandonados é que é fácil para a Câmara comprar e reabilitar e depois alugar como habitações sociais ou outras funções. Guimarães não tem essa possibilidade.

Equaciono [sobre ser minoria ou vereador na oposição] todas as possibilidades mas a confiança é na vitória.

AM: No dia 01 de outubro, o que será uma vitória da sua candidatura?

DB: A vitória da vontade dos nossos concidadãos vimaranenses.

AM: Essa é uma vitória seja qual for o resultado.

DB: A vitória da candidatura é obter a confiança para continuar Guimarães.

AM: Isso em termos práticos traduz-se em quê? Na mesma votação, reforçar a votação?

DB: Eu gostava de reforçar, de ter a confiança reforçada dos vimaranenses na minha pessoa.

AM: É com essa perspetiva que se vai levantar no dia 01 de outubro?

DB: Com esse objetivo. Com essa esperança, ter trabalhado para aumentar a confiança dos vimaranenses. Mas com a tranquilidade para aceitar tudo o que os vimaranenses assim ditarem.

AM: E se não acontecer assim? Vamos imaginar que no dia 01 outubro o senhor doutor e a sua lista vencem as eleições mas não têm maioria absoluta. Qual é a disponibilidade para estabelecer acordos?

DB: Tenho a confiança de continuar com o reforço da confiança dos vimaranenses. Mas atuarei de acordo e em conformidade e nunca frustrarei os vimaranenses em coisa nenhuma. Nunca frustrarei os vimaranenses em coisa nenhuma.

AM: Isso significa que tem todas as janelas abertas?

Exatamente. Nunca frustrarei os vimaranenses. Sempre disponível para trilhar o caminho que os vimaranenses votam.

AM: Mesmo que seja como vereador?

DB: Equaciono todas as possibilidades mas a confiança é na vitória.

AM: Nessa perspetiva, vou lançar-lhe um desafio. Tem à sua frente um cidadão comum, vimaranense, convença-o a votar na sua lista no próximo dia 01 de outubro.

DB: Tenho um mandato como presidente em que cumpri o programa eleitoral. Acrescentei ao programa eleitoral nova esperança, novos projetos, novas dimensões. Tenho uma visão de futuro para Guimarães, para desenvolver Guimarães, para aumentar a qualidade de vida dos vimaranenses. E acima de tudo com disponibilidade total, muito trabalho, pondo tudo o que sou, envolvendo toda a inteligência coletiva para estes projetos de futuro. Estando atento para novas janelas de esperança e de envolvência dos vimaranenses. Eu acho que consegui fazer isso bem.