Convença-me a votar em si: Torcato Ribeiro

Por António Magalhães

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José Manuel Torcato Ribeiro é empresário em nome individual, é vereador sem competências delegadas eleito nas listas da CDU para o mandato 2013-2017 e apresenta-se, mais uma vez, como candidato à presidência da Câmara municipal de Guimarães.

António Magalhães: A CDU apresenta-se com este tema forte “A voz que conta”. Qual é o eixo fundamental, qual vai ser a linha de força desta voz que conta na proposta que está a fazer aos vimaranenses para outubro.

Torcato Ribeiro: Candidatamo-nos exatamente para fazer continuidade dar continuidade ou para pelo menos tentar fazer com que aquilo a que nós nos propomos hoje realizar seja concretizar que acima de tudo contamos com o reforço na votação da CDU. A nossa proposta fundamental e que tem sido ao longo destes mandatos com alguma recorrência badalada é exatamente é a grande necessidade da mobilidade e dos transportes. Eu penso que o concelho de Guimarães tem uma característica que não é a melhor para resolver um problema de transportes tem uma dispersão urbana que foi que foi consentida ao longo destas três décadas. Que foi consentida, o que é certo é que nós temos que analisar a situação não pela aquela que queremos mas pela que existe e a que existe é esta. E faz todo o sentido quando nós temos um concelho onde um terço da população vive no centro e dois terços estão dispersos pelo resto do território faz todo o sentido, na nossa perspetiva, apostar nos transportes na mobilidade.
Porque isso é forma de manter com alguma regularidade e mesmo com alguma precisão e é fundamental que se resolvam. Quando nós temos uma dispersão territorial destas, quando olhamos para o concelho para o futuro, para um futuro próximo, faz com que quem conhece o território de uma forma a tentar resolver os problemas que foram criados nos últimos anos.
Olhe para o território como um só e para olhar como um só é preciso fazer a ligação daquilo que está disperso. Para haver a coesão territorial para que as pessoas que estão fora do centro da cidade não se sintam excluídas faz todo o sentido criar uma rede de transportes de mobilidade eficaz. Ora isso passa por transportes com mais frequência transportes mais acessíveis e transportes também que possam servir mesmo fora de horas todos sabemos que a maior parte das pessoas que se desloque para a cidade se demorarem um pouco mais entre as 20, 21 horas já não tem transporte depois para lado nenhum. Portanto isto não torna o concelho sustentável daí que a nossa grande aposta é exatamente na mobilidade porque o futuro do concelho passa exatamente por unir o que está desunido neste momento.

E faz todo o sentido quando nós temos um concelho onde um terço da população vive no centro e dois terços estão dispersos pelo resto do território faz todo o sentido, na nossa perspetiva, apostar nos transportes na mobilidade.

AM: Até porque senhor Torcato Ribeiro numa entrevista há pouco tempo dizia “temos de criar vias intercomunicantes dentro do concelho”.

TR: Exatamente, porque é assim havendo grande dispersão a dispersão só é possível anular essa dispersão criando vias de comunicação que comuniquem entre vilas. Havendo uma maior atenção para aquilo que existe hoje que nós temos vias de comunicação só que não são eficazes, não têm a eficácia que se pretende.

AM: E isso resolve outra questão. Há um conjunto de estrangulamentos nas vias de comunicação existe atualmente que vão aparecendo propostas para as solucionar. Lembro-me por exemplo do caso da rotunda de Silvares, lembro-me da ligação de Guimarães às Taipas e outras que poderíamos falar aqui, sendo necessárias, qual a visão da CDU? Que respostas é que tem?

TR: A visão da CDU tem a mesma que nós temos falado com alguma frequência nisso. Nós temos uma noção que a ligação a separação que há neste momento que é o centro, e não o Centro Histórico, o centro urbano de Guimarães ainda engloba as freguesias de Urgeses, Creixomil, Costa, Azurém, enfim. E esse centro urbano mais tarde ou mais cedo irá unir-se ou vai juntar-se em termos de edificado à periferia mais próxima. Portanto estará assim tudo pronto e não será de imediato em todo o território, mas vai havendo essa ligação. Quando se faz essa ligação, nós apercebemo-nos que aquilo que existe na periferia digamos não tem a mesma qualidade daquilo que foi tratado junto ao Centro Histórico. Há aqui uma diferença de desenvolvimento e porquê?

Uma boa parte daquilo que foi construído na periferia assentou como base, estou a referir-me na maior parte da construção que tem como base nos caminhos existentes, os caminhos nem sempre tinham o perfil adequado para aquilo que foi permitido construir. Primeiro, fazendo com que haja neste momento uma estrada diferente: muitos desses caminhos eram vicinais até e municipais. Portanto com perfil muito reduzido, criando um problema de descarga. Há aqui necessidade de reorganizar todo este processo, que foi permitido e que foi consentido. Faz todo o sentido requalificar este espaço para que não haja um choque tão grande entre uma intervenção que foi feita de uma forma junto ao Centro Histórico e outra que foi completamente abandonada durante algum tempo e não houve a qualidade de intervenção que era suposto ter.

Faz todo o sentido requalificar este espaço para que não haja um choque tão grande entre uma intervenção que foi feita de uma forma junto ao Centro Histórico e outra que foi completamente abandonada durante algum tempo e não houve a qualidade de intervenção que era suposto ter.

AM: O Torcato Ribeiro disse numa entrevista à Rádio Santiago que as periferias hoje não têm o mesmo padrão de qualidade que o centro tem. Ainda há pouco referiu isso. O Torcato não comunga do discurso que tem sido apresentado pela Câmara Municipal de Guimarães sobre a importância que tem sido essa periferia nomeadamente as intervenções que têm sido feitas nas vilas?

TR: A grande intervenção que tem sido feita é a chamada intervenção do centro cívico: a própria igreja, a junta de freguesia e outros serviços. A requalificação tem sido feita um bocado nesta base, nos centros cívicos. O resto, os centros cívicos depois têm as suas ligações, outras ruas, outros espaços, enfim, que não têm um tratamento. Eu quando falo desta diferença de construção, estou a falar da construção fora um pouco nessa intervenção. Neste mandato até houve uma série de intervenções em centros cívicos – e nós não temos nada a opor a essa intervenção – porque isso, de facto, requalifica o espaço e dá uma dimensão urbano. Agora há uma série de caminhos fora desse contexto do centro cívico, que se vê e só pegar numa viatura e percorrer o concelho, fica bem explanado no terreno que de facto nós temos milhares de caminhos, a maior parte não tem a qualidade que devia ter. Houve aqui uma permissividade ao longo destes tempos porque não houve o cuidado de desenhar a periferia. Também penso que passa por aí: não houve uma grande preocupação nesse desenho e hoje com a necessidade que há com o desenvolvimento da cidade faz todo o sentido que a cidade possa crescer com essa necessidade. Penso que se vai colocar e o futuro será esse. Vai colocar-se a necessidade de redesenhar o espaço para que haja uma cidade igual, que não se defina a cidade como uma cidade ordinária. Temos uma cidade excecional, que é o Centro Histórico e depois o resto é uma cidade ordinária. Faz sentido porque também se criaram e permitiram ainda hoje infelizmente se permitiu isso a criação da chamada rua da Estrada, que é uma rua que todos sabemos que existia previamente que depois foi ocupada por edifícios. E a rua passou a ser uma rua normal só que era uma estrada que precisava de ser percorrida todos os dias.

Houve aqui uma permissividade ao longo destes tempos porque não houve o cuidado de desenhar a periferia. Também penso que passa por aí: não houve uma grande preocupação nesse desenho e hoje com a necessidade que há com o desenvolvimento da cidade faz todo o sentido que a cidade possa crescer com essa necessidade.

AM: Portanto o Torcato Ribeiro defende que há uma espécie de assimetria entre o centro da cidade e as periferias. Mas dentro dessas periferias também existe alguma assimetria. Existem os centros cívicos e depois o que está à volta fica também um pouco abandonado.

TR: É um pouco isso mas não só porque os centros cívicos são grupos urbanos com alguma densidade edificada. Mas o concelho, como é disperso, nós não podemos definir com muito rigor o que é rural e o que é urbano porque, de facto, está tudo misturado. Temos poucos núcleos me que só vemos floresta ou são livre de casas, livre de habitação. Aqui é característica do território, da forma como foi avançando e se foi desenvolvendo, um pouco livremente, permitiu isto. Nós não temos aqui uma linha muito nítida de campo e cidade, o que sabemos é que o tem qualidade e teve desenho de urbanismo, isso está situado perto do núcleo da cidade. O resto foi crescendo um pouco à vontade individual.

AM: E essa é a questão: está feito o diagnóstico e agora a pergunta impõe-se. O que fazer para o futuro?

TR: O que se pode fazer, na nossa perspectiva, tem de haver mais cuidado nesse desenho penso que também há aqui um fator importante que tem a ver com a população e a diminuição da população no nosso concelho e que vai permitindo também algum abandono das zonas periféricas. É isso que poderá, em parte, permitir alguma flexibilidade no arranjo que se pretende fazer para melhorar a qualidade urbanística destes espaços. Isso passa primeiro, do meu ponto de vista, ter como ponto fundamental o centro urbano e aquilo que está perto do centro urbano. Estou a falar por exemplo de Creixomil. Creixomil tem uma parte da sua freguesia que já é urbana mas quando o todo de Creixomil já fizer parte da cidade, há uma parte da cidade em Creixomil que ninguém gostará de ver se se mantiver como ela está. Portanto é preciso fazer uma reorganização daquilo que são as suas vias comunicantes. É evidente que não se vai deitar tudo abaixo, o que está em causa é que, de facto, tem de se criar um desenho que permita integrar aquilo que está lá no terreno, dando-lhe uma outra forma. Até mesmo do ponto de vista da comunicação, dos caminhos dos perfis e dos arranjos até da qualidade de vida. As coisas foram feitas para desenrascar em determinados momentos: as pessoas também puseram mãos à obra, resolveram muitos assuntos. Mas hoje estamos mais numa posição de poder retocar aquilo que foi mal feito. Acho que isso também passa por uma campanha de sensibilização: a nossa periferia, por vezes, é muito feia porque se permite muitos anexos que não fazem muito sentido. Quando estão longe passam meio despercebidos mas quando se juntam à cidade ou quando começam a fazer parte de um percurso mais moderno não é muito agradável para quem passa.

AM: E essa é a questão: que garantias é que o cidadão vimaranense eleitor tem que, no futuro, isso não vai acontecer – e permita-me pegar na sua expressão – esse desenrascanço?

TR: Eu penso que hoje as coisas também mudaram muito. Estou a falar de uma prática que foi seguida nas últimas décadas mas entretanto as pessoas também adquiriram uma outra consciência e as práticas já não são exatamente as mesmas. Eu falo de erros que foram cometidos mas que hoje já nem são permitidos.

AM: As novas construções de alguém que tem ao lado terreno que herdou de alguém e que precisa de fazer uma casa, como se fazia, isso não volta a acontecer…

TR: É mais difícil e hoje sabe que é mais rigoroso a questão até da separação da casa com a via. Portanto há aqui normas que obrigam até a um afastamento e que permitem, no futuro, uma intervenção na própria via nem sempre tem a largura necessária para aquilo que é a sua função. Estas regras já vão impondo alguns critérios de implantação do edificado, já não estamos na mesma situação. Agora o que nós temos é que olhar para aquilo que foi permitido e tentar corrigir. Tem que haver uma ação muito concreta de sensibilização também no sentido de corrigir situações, que não são as mais agradáveis. Queremos ter um concelho coeso também na própria forma.

Pode ser o viaduto. Para nós, a solução é muito clara: a solução que for a mais eficaz e a mais barata e a mais económica. Se juntar estas duas componentes, para nós, é a que deve ser adotada.

AM: Vamos voltar à questão que lhe colocava relativamente aos grandes pontos de estrangulamento que temos hoje no acesso, por exemplo, a Guimarães-Silvares, Guimarães-Taipas. O que se pode fazer? Qual é o posicionamento da CDU neste próximo mandato?

TR: Como sabe, nós tínhamos uma posição diferente [em relação à intervenção feita entre a rotunda de Mouril e a variante de Creixomil]. Continuamos a achar que essa passagem de Mouril, quem vem de Pevidém para a variante de Creixomil, para evitar a rotunda de Silvares, temos de contornar uma série de rotundas para evitar que o trânsito chegue de imediato à rotunda de Silvares. O grande problema é a rotunda de Silvares, de facto.

AM: Então como se resolve aí? Viaduto ou não?

TR: Pode ser o viaduto. Para nós, a solução é muito clara: a solução que for a mais eficaz e a mais barata e a mais económica. Se juntar estas duas componentes, para nós, é a que deve ser adotada.

AM: E nesta altura ainda não sabem qual é.

TR: Nós não somos especialistas na matéria portanto isso também não depende só da vontade da Câmara. Há também o Instituto das Estradas de Portugal, que tem uma palavra a dizer sobre isso. Desde que seja encontrada uma solução que permita que quem entre e saia da autoestrada não tenha que estar ali engarrafado à espera de vez na rotunda será uma boa solução.

AM: E nesta altura face ao que se sabe a CDU ainda não tem uma posição definitiva.

TR: O que compete à CDU é pedir para que seja resolvido um problema que existe. Quem vai resolver esse problema são técnicos, nós não temos que ser os técnicos. Sempre defendemos que a rotunda de Silvares devia ter uma outra configuração por forma a que o trânsito seja mais fluido. A CDU não vai vender projetos, não é essa a nossa solução, nós queremos é uma solução para aquele problema.

AM: Mas compra soluções.

TR: Comprará soluções, não. Não me parece que seja esse o nosso papel. Achamos que tem de haver uma intervenção que permita a fluidez do trânsito. Neste momento, nós temos duas vias que sobem e uma que desce. Se tivesse sido alterado, esta composição duas a descer e uma delas subordinada ao centro da cidade não era preciso fazer uma rua. Mais uma rua: porque aquela rua era a antiga rua Pevidém-Guimarães. Mas já tem edificado, portanto quem entra na rotunda de Silvares e vai para o centro de Guimarães começa a acelerar e chega ali, junto da ligação da variante de Mouril, e já tem dificuldades porque os carros querem meter e o carro já vai a desacelerar. Veio ali também criar um problema.

Temos alguns bairros degradados nomeadamente a Emboladoura, em Gondar, que é uma vergonha a forma como o bairro neste momento se encontra. Não é propriamente um grande sinal de um país civilizado, aquele bairro que foi completamente abandonado.

AM: Tem demonstrado ao longo dos tempos atenção às questões de âmbito social. Vamos olhar para a habitação: fala-se que o custo das habitações aumenta cada vez mais, a dificuldade dos arrendamentos. Como é que a CDU olha para esta questão dos bairros socias e qual o empenho que a CDU propõe para o próximo mandato?

TR: Em relação à habitação nós de facto temos tido uma atenção especial e relação aos bairros e à sua degradação. Temos alguns bairros degradados nomeadamente a Emboladoura, em Gondar, que é uma vergonha a forma como o bairro neste momento se encontra. Não é propriamente um grande sinal de um país civilizado, aquele bairro que foi completamente abandonado. Penso que não há solução em relação aos bairros como há em determinados sítios da cidade. Mesmo no que diz ao arranjo dos jardins. Nós temos aqui um problema que já apontamos há uns tempos atrás, tem a ver com a nossa demografia. Os sinais que vamos tendo de jovens que abandonam o concelho para ir viver para outros lados e fazem-no precisamente pelo facto de não haver uma habitação ao alcance das suas possibilidades como sabemos todos Guimarães tem um nível salarial abaixo da média nacional. Isso faz com que o poder de compra ou a possibilidade de arrendar ou comprar, o que quer que seja se torne mais difícil. Para cortar esse ciclo de abandono que vamos assistindo, faz todo o sentido criar bolsas que a Câmara assuma de uma vez por todas ter um papel importante aqui neste processo da construção da habitação. E disponibilizar essa habitação para os jovens mas principalmente a preços controlados. Isso é uma das nossas apostas também. Só é possível nós podermos aqui um crescimento no concelho se conseguirmos cativar aqui os jovens e se assim não for a prazo estaremos condenados.

A CDU neste momento está centrada na possibilidade, caso o eleitorado assim o queira e tendo responsabilidade nessa matéria, propor a aquisição de terrenos pela própria Câmara Municipal e fazer com que esses terrenos sejam colocados no mercado para proporcionar habitação e com rendas e custos controlados.

AM: Este executivo demonstrou abertura para intervir nesse campo desde que obtivesse as necessárias contrapartidas do poder central. E esse o percurso que deve ser seguido?

TR: A CDU tem um princípio em relação à habitação social que deve estar dependente do Estado. Quando o Estado se demite dessa responsabilidade, naturalmente, compete à Câmara atuar sobre esse problema. A Câmara tem a proximidade suficiente para perceber que o problema existe e é um problema grave. Portanto é importante que se resolva essa necessidade e sempre defendemos também e, nas nossas visitas aos bairros sociais, temos dito que Câmara poderá vir a assumir uma responsabilidade, a Câmara diz que não pode assumir sem um arranjo prévio dos bairros, não quererá o ónus dessa transferência. Mas é um problema tão grave que não é possível manter-se muito tempo esta situação. A CDU neste momento está centrada na possibilidade, caso o eleitorado assim o queira e tendo responsabilidade nessa matéria, propor a aquisição de terrenos pela própria Câmara Municipal e fazer com que esses terrenos sejam colocados no mercado para proporcionar habitação e com rendas e custos controlados.

AM: Defende uma atuação reguladora.

TR: Defendemos neste momento uma atuação reguladora que já existe até em vários pontos da Europa. Essa atuação precisamente para que a habitação se torne acessível a camadas que, se não fosse feito assim, não terá muito acesso. Portanto, nós temos aqui uma tendência de subida de rendas, as rendas no Centro Histórico são quase incomportáveis. Chamar os jovens para o Centro Histórico mas sabemos perfeitamente que as rendas praticadas no Centro Histórico não são propriamente rendas baratas. É preciso disponibilizar habitação confortável a Câmara pode interferir neste caso concretamente.

AM: Levanta-se outra questão que leva-nos para outro campo que tem a ver com aquilo que agora se vai conhecendo alojamento local há também uma pressão aqui em Guimarães sobre isso poderá eventualmente ela crescer podemos continuar assim ou há necessidade de intervir.

TR: Eu penso que aquilo que nós assumimos nós temos alguma pressão nessa matéria mais que os concelhos que nos rodeiam propriamente e estou a falar por exemplo do Porto e Lisboa aqui ainda não temos essa pressão mas sabemos que o desenvolvimento desta matéria poderá criar num futuro próximo essa pressão que estamos a assistir nos outros concelhos

AM: E aí uma atuação preventiva.

TR: Estando prevenidos em relação aquilo que tem sido feito nos outros concelhos. Faz todo o sentido que haja uma preocupação em tentar evitar que aquilo que se está a passar nos outros lados. Há já esta preocupação da nossa parte, agora terá de ser controlada que é o que os outros municípios vão ter de fazer. Mas de momento não há ainda essa pressão, aqui, pelo menos, não é percetível.

Portanto não há uma obstrução completa ao exercício do Partido Socialista, não era possível porque, de facto, tem a maioria absoluta. As posições são diferentes fazia sentido também que o PS fosse recetivo a uma proposta ou outra e não é. Portanto, com toda a propriedade, chamo a esta maioria uma maioria absolutista.

AM: Torcato Ribeiro, vai permitir que faça uma citação relativamente longa sobre um artigo de opinião que publicou no jornal Mais Guimarães sobre as questões sociais. A determinada altura, o Torcato Ribeiro escreve o seguinte: “os regulamentos municipais em vigor impostos por força pela maioria absolutista que governa a Câmara são omissos em relação a situações reais porque seguem mimeticamente conceitos e critérios dos regulamentos nacionais espartanos, severos, exclusivos engendrados por políticas de direita castigadora das famílias com problemas económicos”. A citação é longa foi dito mas é para entendermos perfeitamente aquele que é o seu entendimento: uma “maioria absolutista”, Torcato Ribeiro, as palavras têm o peso que têm, esta “maioria absolutista” tem-se visto também nas questões sociais no empenho da Câmara através das cooperativas, da Fraterna e outras…

TR: A Câmara tem um papel social que é importante todos reconhecem. Quando se trata do social, as coisas não são propriamente burocráticas. Há bem pouco tempo, tive intervenção – isto só para fazer uma análise – sobre um muro num determinado sítio, num bairro. O muro caiu e impedia as pessoas de irem para as suas garagens. A intervenção imediata da Câmara Municipal de Guimarães foi descartar a responsabilidade nessa matéria. Trata-se de uma questão social que havia pessoas, como se veio a confirmar depois, que tinham algumas necessidades e que não tinham capacidade face à despesa que lhe era apresentada para resolver aquele assunto.

AM: Mas aí não seria a Câmara a substituir, dado que as obrigações dos particulares.

TR: Não, porque a Câmara deu autorização de habitabilidade. Não se pode descartar. Um morador tem na sua posse, compra uma casa e diz “isto está tudo em condições”, os processos de licenciamento foi passado por alguém que foi vistoriar. Esse alguém, a responsabilidade é da Câmara Municipal, a partir do momento que essa responsabilidade lhe é passada, a pessoa fica livre. A Câmara Municipal é um organismo de bem, parte do princípio que está tudo direito. Quando acontece uma tragédia, a Câmara não se pode pôr de lado, passou essa licença. Quando as pessoas são confrontadas com uma situação que foi menos bem feita, as pessoas descansam porque “eu compro um produto, o produto está certificado”. Mas depois dizem que afinal não está bem certificado falta uma coisa qualquer, aí entra a burocracia. Aí é que digo que há uma visão um tanto ou quanto absolutista como um problema que depois de muito bem analisado resolve-se de uma outra forma. Mas houve uma intervenção de terceiro que fez pressão para que de facto o problema fosse visto de uma outra forma.

AM: Mas, veja, a Câmara tem ação social, tem gente no terreno. Mas então qual a grande alteração que propõe uma maior agilidade nestes processos?

TR: Quando falamos que não há uma abordagem imediata e correta, é nesta base. Este exemplo serve para esclarecer um bocado isso, do ponto de vista normal e processual, as pessoas vieram queixar-se à Câmara. Houve quem se queixasse que não podia pagar e etc. E a Câmara passou-lhe ao lado. Porque é que passou ao lado? Então temos técnicos de ação social, temos uma Câmara que é sensível à causa social, que é sensível às questões sociais, que é sensível também às tragédias que vão acontecendo, passaram ao lado. Portanto é isso, sabendo que existe esse mecanismo, mas o que é certo é o que mecanismo não despoleta automaticamente. Tinha que ser assim mas não é, tem de ser praticado, tem de ser de facto um pouco pedido quase à força.

AM: Tem apontado algumas deficiências ao regulamento de estímulos municipal porque diz que não favorece a criação de emprego. Os números de desemprego, a nível nacional, conseguiram baixar. A questão que se põe é: Esta é apenas numa análise quantitativa e, em termos qualitativos, à qualidade do emprego em Guimarães, como é que é que a CDU quer intervir nesse campo?

TR: Nós temos a noção que Guimarães tem uma média salarial muito baixa. Um dos objetivos deste executivo foi criar um departamento económico capaz de atrair investimento para o concelho. Teve a nossa aprovação também nessa matéria. Criticamos um pouco também para que esse departamento pudesse ter a prospeção daquilo que seria interessante. Deu-se o regulamento dos Projetos Empresariais de Interesse Municipal, que, como sabe, capta-se um investimento e quando esse investimento tem determinadas características terá uma redução das taxas de licença. O que nós propusemos em relação à matéria do emprego, estando de acordo que é preciso captar investimento, mas que esse investimento também não seja cego. Não só na questão salarial e também na questão ambiental, fizemos uma proposta ao executivo no sentido de os projetos empresariais de interesse municipal também contemplasse dois aspetos importantes para nós importantes: a qualidade do salário, ou seja beneficiar aqueles empresários que pagam 20% acima do salário mínimo nacional. Aquele que se quiser instalar aqui, caso a nossa proposta fosse aprovada, teria uma majoração de 10% nos projetos. Aqueles se quiserem instalar aqui e que à partida apresentem projetos e planos de produção com preocupações ambientais seriam majorados nessa taxa. A preocupação também passa por aqui: nós queremos ter emprego, nós queremos que as pessoas venham para instalar-se. Mas queremos também ter uma garantia que aquilo que se está aqui a instalar é para melhorar a nossa qualidade de vida, é para melhorar a qualidade do emprego e é para melhorar também o nosso ambiente.
Esta proposta teve votos favoráveis da Coligação Juntos por Guimarães e da CDU e teve voto contra do Partido Socialista, o que é um pouco lastimável. Quando estava ali a falar em relação ao apoio social da maioria absolutista tem a ver um pouco com isto: a maior parte das vezes a oposição vota favoravelmente as propostas do PS. Portanto não há uma obstrução completa ao exercício do Partido Socialista, não era possível porque, de facto, tem a maioria absoluta. As posições são diferentes fazia sentido também que o PS fosse recetivo a uma proposta ou outra e não é. Portanto, com toda a propriedade, chamo a esta maioria uma maioria absolutista.

Que é a via de ligação. Portanto o Avepark precisa de ter uma ligação eficaz à auto-estrada, ao mundo, e o nosso mundo aqui mais perto, aquilo nos fica mais próximo do mundo é a autoestrada e isso ainda não existe.

AM: Avepark: como se situa relativamente? Continuação do mesmo modelo de negócio?

TR: A CDU olha para o Avepark com alguma preocupação. Foi importante a instalação do Avepark mas achamos que houve uma série de erros, nomeadamente na impossibilidade ou na incapacidade de na altura certa de canalizar para ali aquilo que era a sua atividade inicial. Ou seja, que em perspetivas tecnologicamente avançadas, os terrenos não eram propriamente muito apetecíveis. Há aqui uma instalação ou outra da Universidade do Minho, que está no campus de Azurém, que podiam perfeitamente estar instalados no Avepark. Não foi isso que se passou e o Avepark teve algumas dificuldades, teve que passar por outro tipo de gestão, está mais alocado hoje à Universidade do Minho. Criou-se aqui uma parceria diferente daquela que existia e hoje o Avepark  está muito dependente por aquilo que é o assunto do dia…

AM: Que é a via de ligação.

TR: Que é a via de ligação. Portanto o Avepark precisa de ter uma ligação eficaz à auto-estrada, ao mundo, e o nosso mundo aqui mais perto, aquilo nos fica mais próximo do mundo é a autoestrada e isso ainda não existe.

AM: Na sua atuação como vereador neste último mandato as questões culturais também tiveram a sua importância. A determinada altura, o Torcato Ribeiro faz críticas à política da Câmara dizendo que é apenas uma questão de continuidade daquilo que já vem do mandato anterior. Por outro lado, também de uma política reativa, lembro-me por exemplo do caso da Torre da Alfândega. São essas as grandes críticas. O que é que a CDU gostava de ver diferente na política cultural no próximo mandato?

TR: Nós estamos a falar de coisas diferentes uma coisa é património, política patrimonial, que eu penso que a Câmara não tem tido um papel que devia ter na salvaguarda do património. Depois há a política cultural que tem sido desenvolvida e que Guimarães assumiu uma proporção de tal maneira de proposta cultural que bate o recorde aqui das redondezas. Nós hoje já somos o concelho que tem uma produção e edição cultural incomparável. Penso até que chegou a uma altura em que ultrapassamos o Porto, que era uma referência cultural.

Porque tivemos a possibilidade de ter aqui a Capital Europeia da Cultura (CEC) que criou expectativas altas e naturalmente sabíamos que depois da CEC: primeiro o dinheiro já não era o mesmo e portanto essa continuidade seria muito difícil de manter. O que era expectável é que se desse uma continuidade já com o patamar mais alto. Em parte e em algumas questões isso foi conseguido noutras não. Nós, ao contrário dos outros concelhos que tiveram oportunidade de ter a CEC, depois tiveram sempre a contribuição governamental para manter sempre aquilo que foi o seu equipamento. Em Guimarães isso não aconteceu, Guimarães construiu a Plataforma das Artes e da Criatividade e tem uma grande dificuldade em encontrar uma forma de patrocínio governamental, que ainda hoje não estará definitivamente assumido. Ouve-se falar aí de uma verba de 300 mil euros mas não sei se isso será como uma continuidade ou será só pontual. Há uma discriminação nítida de Guimarães em relação aos outros concelhos capitais europeias da Cultura.

AM: Portanto o que é que se pede mais imaginação, mais intervenção.

TR: Mais imaginação, mais intervenção e uma coisa que para nós é fundamental e que sempre defendemos a partir do momento em que nós criamos, nós temos equipamentos que ultrapassa a dimensão do concelho. O que nós temos hoje construído ultrapassa muito aquilo que nós temos de urbano. Nós temos muito pouca gente neste momento para usufruir desses equipamentos temos pouca gente porque de facto não existe plano de mobilidade e transportes eficaz que permita que a periferia complementar isso não existindo mantém-se este défice e temos também de facto a própria cidade que é de facto pequena. Nós temos que apostar numa programação que possa captar públicos já há um pouco disso mas também temos aqui um aspeto muito importante que é a formação de públicos que só bem recentemente é que começou a ser mais ou menos ventilado que é a criação das AEC, com atividades digamos ligadas às artes e ao teatro e à música, etc. Isso poderá fazer com que aquilo que foi construído num determinado momento se torne sustentável num futuro muito próximo.

A CDU ao longo deste último mandato que fizemos demonstrou sempre ter disponibilidade para ouvir e para aceitar propostas de outros e de terceiros e de também colocar algumas propostas suas e essa possibilidade, depois de conhecidos os resultados eleitorais, mantém-se.

AM: O que será uma vitória da sua candidatura no próximo dia 01 de outubro?

TR: A vitória da minha candidatura será um reforço eleitoral da CDU portanto comparado com as eleições anteriores. Uma vitória uma vitória mais reforçada da CDU será a CDU ter um papel mais importante no próximo executivo municipal.

AM: E disponibilidade para estabelecer alianças ou acordos no próximo executivo municipal que eventualmente não venha a ter maioria absoluta de nenhuma das forças?

TR: A CDU ao longo deste último mandato que fizemos demonstrou sempre ter disponibilidade para ouvir e para aceitar propostas de outros e de terceiros e de também colocar algumas propostas suas e essa possibilidade, depois de conhecidos os resultados eleitorais, mantém-se.

AM: À direita ou à esquerda.

TR: Depois dos resultados eleitorais falamos.

AM: Tem aqui à sua frente um eleitor comum do concelho de Guimarães que ainda não tomou decisões relativamente ao seu sentido de voto no próximo dia um de outubro convença-o a votar pela CDU.

TR: A CDU tem tido um papel no concelho de Guimarães após a instauração da democracia, que é conhecido por todos os vimaranenses, já teve responsabilidades no urbanismo, já teve responsabilidades no Centro Histórico. Contribuiu para que o Centro Histórico tivesse a requalificação e que depois se tornasse património cultural da humanidade portanto tivemos um papel sempre ativo e positivo sempre que desempenhamos funções nos últimos mandatos temos desenvolvido uma atividade que penso que é do conhecimento dos vimaranenses, que podem contar com a CDU para aquilo que diz respeito à sua vida e à melhoria das suas condições de vida. Nós somos uma força que está atenta àquilo que são que são as suas necessidades e estamos aqui para defender essas mesmas necessidades e a melhoria da qualidade de vida dos vimaranenses portanto vale a pena votar na CDU.