Convença-me a votar em si: Wladimir Brito

Por António Magalhães

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Wladimir Augusto Correia de Brito licenciado mestre e doutor em Direito especializado jurídico-políticas pela faculdade de Direito da Universidade de Coimbra é professor catedrático da faculdade de Direito da Universidade do Minho é candidato à presidência da Câmara de Guimarães pelas listas do Bloco de Esquerda.

António Magalhães: Eu julgo recordar-me que nos anos 80 no século passado já o professor Wladimir de Brito foi membro da assembleia municipal na altura eleito nas listas da CDU.

Wladimir Brito: Sim.

É uma estabilidade quase que dos cemitérios, porque não discutem com as pessoas ouvem, podemos fazer as fitas que quisermos mas no final as decisões são tomadas.

AM: Mas foi penso que foi uma passagem relativamente efémera foi apenas um mandato que depois não continuou. Agora surge de novo o professor Wladimir de Brito a intervir ativamente na vida política concelhia e eu recordo-me duma afirmação que o professor teve numa entrevista que deu ao jornal Mais Guimarães que diz assim a determinada altura e permita-me que cite “é a questão do medo que também me leva a entrar na política municipal”. Ora um dito desta forma lido assim apenas descontextualizado permita-me parece que se assusta um pouco. Então há assim tanto medo em Guimarães que leve os cidadãos vimaranenses eventualmente a inibir-se a ter receito de entrar na vida política.

WB: Começo por agradecer o convite desta entrevista e o facto de dar a oportunidade de falar para os vimaranenses cumprimentar também que é uma honra ter como interlocutor nesta entrevista e respondendo às questões que me coloca digo-lhe o seguinte de facto nos anos 80 entrei na politica ativa como se costuma dizer como deputado municipal pela CDU do qual um grupo de independentes e do acordo que tínhamos feito com a atual CDU para participar nesse processo. Estive lá durante quase uma legislatura, saí um pouco antes por razões de discordância relativamente ao modo como o PCP tratou a questão da Perestroika e o Glasnost. Entendi que não tinha sido tratado corretamente e pronto aqui saí deixei de ser deputado municipal praticamente já penso que seria quase no final da legislatura, mas deixei de ser antes do final da legislatura. Volto agora.

AM: E agora identifica medo na cidade vimaranense.

WB: Sim volto agora para regressar à política ativa embora nunca tenha deixado efetivamente porque tenho de facto feito várias intervenções públicas e através de jornais e em conferências, debates, etc. sobre a política. Realmente a gente nunca deixa quando começa.

O meu pensamento é um entre vários e se dialogarmos todos encontraremos uma solução com compromisso com a achega de todos que é capaz de ser a melhor solução.

AM: Mas conhecemo-lo sobretudo como investigador e docente universitário.

WB: Certo sem dúvida nenhuma mas penso que Guimarães conhece-me como interventor nas questões cívicas de Guimarães porque quando há questões importantes estou sempre presente, tenho estado sempre presente nessas questões. Falo do medo o medo é uma das vertentes que me leva a voltar à política aliás eu dito também que uma outra razão de ser era entre outras o facto de haver uma maioria absoluta que seria absolutamente com algum autoritarismo, no sentido político do termo ou seja eu decido porque entendo que é assim e acabou quase que sem ouvir as pessoas e que entendia que era o momento de por fim às maiorias absolutas mesmo no quadro autárquico. Até porque pessoalmente não concordo com maiorias absolutas nem no quadro nacional nem no quadro autárquico tem-se revelado muito maus para o desenvolvimento político económico-social de Portugal mesmo apesar de se falar na estabilidade política. É uma estabilidade quase que dos cemitérios, porque não discutem com as pessoas ouvem, podemos fazer as fitas que quisermos mas no final as decisões são tomadas. E é nesse sentido que eu tenho falado na necessidade de um compromisso, isto é duma quebra da maioria absoluta na manutenção pode ser da maioria de um dos partidos mas preferencialmente neste caso concreto o PS e depois compromissos em projetos.
Quanto ao medo o estado vimaranense ou algumas pessoas aqui de Guimarães ficaram um pouco admiradas quando eu falei na essência do medo como se não soubessem que existe medo efetivamente o que é normal quando há maiorias absolutas em especial em cidades pequenas em comunidades pequenas como os concelhos. Porque se uma maioria absoluta manda num município obviamente todo o controlo dos órgãos municipais é feita por essa mesma maioria e portanto o medo de criticar o medo de agir o medo de participar às vezes é levado pelo facto de se eu faço isso eu perco a hipótese de ter uma licença deferida o meu primo pode deixar de ser funcionário perderá entrada neste concurso ou eu vou fazer qualquer coisa e vão-me dizer que não.

Há um conjunto de fatores ou até mesmo sendo funcionário público municipal posso ir para a prateleira não me podem por fora mas impedem-me de desenvolver a minha atividade com normalidade. Há que dizer isto publicamente porque as pessoas sabem que existe e criticam publicamente isto só que em circuitos fechados. Eu quero dizer isso a todos os dirigentes municipais sejam eles quais forem e todos os políticos que se candidatem até a mim próprio. Há consciência: é uma conduta que nós devemos fazer nem que o Bloco fosse maioritário na Câmara era uma conduta que eu tinha que criticar permanentemente.

AM: Senhor professor, proponho-lhe um pequeno exercício de memória, propunha-lhe que olhasse para os quatro anos deste mandato municipal e eleja dois ou três aspetos duas ou três atuações que considere positivas da atuação desta maioria do partido socialista na Câmara Municipal de Guimarães.

WB: Muito bem. Entendo que o programa ExcentriCidade é positivo, sem qualquer dúvida. Mesmo o programa tempos livres tem dimensões positivas, algumas realizações culturais como por exemplo Guimarães Jazz teve dimensão positiva .Mas estes dois últimos vem desse mandato do mandato anterior eu tenho dito sempre que o mandato do doutor Bragança tem sido a continuação do mandato anterior digamos a concretização de alguns projetos que já havia no mandato anterior. Relativo ao mandato dele pouco ou nada fez de novo que não fosse essas duas intervenções e também algumas intervenções a nível da educação, a nível das escolas do processo educativo.

Ou seja, nós não estamos aqui para dizer que está tudo mal que é preciso acabar com tudo e fazer tudo de novo nós não estamos aqui para dizer que a única solução é o meu programa e o meu pensamento. Não o meu pensamento é um entre vários e se dialogarmos todos encontraremos uma solução com compromisso com a achega de todos que é capaz de ser a melhor solução. Nesse caso, entendo que embora tenha sido um concelho positivo a execução prática deste conceito, o mecanismo, sistema método de levar a prática e realizar essas ideias é que não tenha sido completamente feliz. Porque a coparticipação das entidades que deviam estar próximas destes projetos e que podiam agir nestes projetos não é aquela que devia ser feita. Não posso chegar a uma junta de freguesia e dizer “olhe venho-te oferecer música clássica”. É muito bom acho bem mas a junta pode dizer eu preferia até que não fosse música clássica fosse um bom filme por exemplo.

A Oficina neste momento é a agência monopolizadora da cultura em Guimarães e, por sua via, a Câmara Municipal que é no fundo a detentora d’A Oficina, que dá milhões de euros, acho que são três milhões de euros por ano para gerir, e é evidente que controlam num concelho deste tamanho, com este orçamento controla municipaliza a cultura.

AM: Comunga uma certa acusação que é às vezes da Câmara municipal de uma certa municipalização da cultura.

WB: Sim, sim, mas eu tenho denunciado isso publicamente acho que A Oficina neste momento é a agência monopolizadora da cultura em Guimarães e, por sua via, a Câmara Municipal que é no fundo a detentora d’A Oficina, que dá milhões de euros, acho que são três milhões de euros por ano para gerir, e é evidente que controlam num concelho deste tamanho, com este orçamento controla municipaliza a cultura. E não é de agora também que lho digo, que algumas exposições não são tomadas por eu estar em candidatura mas a convicção que eu tenho de há muito tempo sempre entendi que a cultura quando monopolizada pelo estado pelo sentido logo do termo, integrando as autarquias é sempre um processo muito mau perigoso.

Porque fazer uma política em que eu pego de x idosos e meto numa instituição e está resolvido à noite vai-se buscar e põe-se em casa não me parece que seja completamente correto. E é aperfeiçoamento dessas políticas que nós queremos trazer a debate de modo que se pense novos mecanismos que as novas soluções que se vai encontrando podem facilitar.

AM: Vamos agora para aquilo que o Bloco de Esquerda propõe aos vimaranenses nesta eleição o tema genérico da campanha do Bloco de Esquerda é ouvir as pessoas agir com as pessoas. Eu tenho notado de algumas intervenções quer do professor Wladimir de Brito e de outros responsáveis da candidatura um certo enfoque naquilo que chama o combate da corrupção. Vai permitir mais uma vez que o cite num artigo de opinião lutaremos pela transparência na gestão da coisa pública municipal e combateremos a corrupção. Ora assim sendo professor quais são os grandes objetivos mais concretos que a sua candidatura apresenta aos vimaranenses?

WB: O primeiro objetivo concreto é eu ser eleito. Esse é o essencial o segundo é aquela maioria absoluta do modo de vista programático o programa tem vários aspetos que vai desde o ambiente até à segurança humana e portanto passa pela proteção do ambiente, da mobilidade, proteção dos idosos e das crianças, que é fundamental num processo social e comunitário, em que não só em Guimarães mas no mundo inteiro, no mundo inteiro não na europa inteira começamos a ver que há uma diminuição da natalidade, um aumento dos idosos. Nós temos de repensar todo o quadro enfim sociológico associado a essa questão. Ou seja durante muito tempo a resolução era passar pela criação de creches para crianças hoje temos de pensar o que é que vamos fazer com os nossos idosos. E portanto este é um problema que nos preocupa.

AM: O senhor doutor não reconhece mérito a este executivo municipal nas políticas que tem desenvolvido de apoio à terceira idade, por exemplo, no apoio à população escolar não lhe reconhece mérito?

Não, eu há bocado disse-lhe na questão educativa tiveram sucesso, fez-se um trabalho aceitável, bom, em várias áreas. Mas o grande problema que se coloca aqui nisto tudo é o problema da metodologia de trabalho, ou seja, eu dizer eu posso apoiar os idosos não é dizer eu vou um medicamento a todos os idosos porque são ofertas públicas. Muitas vezes em época de eleições, como sabemos, agora dar os medicamentos: que idosos vamos eleger que medicamentos vamos eleger? Como é que se faz a gestão desses medicamentos? É casa, a casa, olhe, eu preciso de 50 euros para comprar um medicamento, tome lá 50 euros ou tome 30 euros, para comprar medicamentos ou para ter um transporte. As coisas têm de ser programadas e não me parece que haja uma programação muito correta eu sei que há participação nas despesas de transporte aos idosos muita gente até vai passear aqui na cidade durante a manhã para darem voltas durante a manhã. Não tenho nada contra isso agora o meu problema é o que é que se faz com um idoso que fica em casa sozinho porque os filhos têm que ir trabalhar e que não têm condições para ele sair. Qual é a proteção que a Câmara tem qual a contribuição que a Câmara dá com as instituições sociais que trabalham essa matéria?

Sempre que fizer coisas onde haja instituições no terreno estão a trabalhar nessa matéria, que a Câmara subsidiasse essas instituições e trabalhar com elas. Em vez de criar agências tipo Oficina, tipo Tempo Livre, etc., que são agências onde dão emprego aos amigos e afastam instituições. Aquilo é um centro local de emprego para amigos políticos.

AM: A Câmara concede regularmente aos filhos às IPSS do concelho que se candidatam e deixam candidaturas.

WB: Têm um auxilio e ajudam a trabalhar muito bem mas como é que elege esses auxílios e que programas que projetos são quem aprova os projetos e como quais são os critérios. O que nós sabemos muitas vezes é que chega lá uma instituição dessa natureza olhe preciso de cinco mil euros para isto e toma lá cinco mil euros o projeto depois é aprovado quase de joelhos porque tem de se resolver o problema. Nós entendemos que temos de integrar isto tudo num processo em que há uma relação muito articulada entre a Câmara e essas instituições. Proteger, por exemplo, ceder camas articuladas, cadeiras de rodas, criação de centros, onde possam estar durante o dia não como um depósito mas com voluntário que possam acompanhar a passear, para ir até ao cinema ou a um espetáculo para ter uma relação comunitário que os socialize. Porque fazer uma política em que eu pego de x idosos e meto numa instituição e está resolvido à noite vai-se buscar e põe-se em casa não me parece que seja completamente correto. E é aperfeiçoamento dessas políticas que nós queremos trazer a debate de modo que se pense novos mecanismos que as novas soluções que se vai encontrando podem facilitar

AM: O senhor doutor disse que essas novas modalidades de intervenção gostava de as trazer a debate. Mas provavelmente o Bloco de Esquerda já tem uma opinião uma proposta a fazer sobre isso. Por exemplo, recordo-me que o professor dizia em determinada que era necessário envolver mais as juntas de freguesia, por exemplo, na gestão dos parques infantis mas isso já está de alguma forma a acontecer qual é que é o ganho o acrescento que o Bloco de Esquerda gostava de fazer.

WB: Em que freguesias acontece em uma ou duas freguesias e Guimarães tem 48 quantos parques infantis há nas 48 freguesias? Em São Torcato foi a irmandade que fez um parque infantil então não fez parque nenhum portanto a junta não tem nada a ver com aquele parque o que eu digo envolver é naqueles sítios onde não há. E onde há, há. É bom que haja agora que é que faz a gestão desse parque é a junta ou é a Câmara quem é que diz à Câmara quantos parques é que é preciso fazer e onde é preciso faze-los é que às vezes a Câmara chega e diz vamos fazer um parque aqui e faz-se ali um parque e depois quem é que gere o parque é a Câmara a junta praticamente não tem nenhuma intervenção nessa questão a junta às vezes faz pressão para fazer o parque e depois a Câmara toma conta do parque. O que eu estou a propor com o reforço dos poderes da junta: quantas vezes as outras candidaturas falaram do reforço do poder das juntas? Da capacitação das juntas para fazer projetos que podem ser concorrer a projetos europeus? Nada, porque porque o concelho que nós temos é aquilo que eu chamo a centralização do poder municipal.

A Câmara tem de promover, juntamente com as entidades que constroem prédios, os construtores civis ou com as entidades proprietárias dos prédios uma política que facilite o arrendamento dos prédios a custos que, sem prejuízo dos senhorios obviamente que têm de arrendar os seus prédios a um preço justo, mas permitindo efetivamente criar as condições para que se torne mais baixas as rendas.

AM: O senhor sabe que há pelo menos uma força política que mesmo em sede de Câmara municipal muito tem criticado o executivo naquilo que eles classificam como uma escassa transparência de verbas para as juntas de freguesia.

WB: Uma coisa é transferência de verbas ou seja o orçamento implica verbas para as freguesias. A Câmara tem de o fazer quer queira quer não queira.

AM: Delegar outras competências.

WB: Não delega ou delega por vezes as freguesias cujos presidentes são de acordo da o presidência da Câmara. A Câmara Municipal de Guimarães desde há 20 e tal anos no mínimo trata umas como filhos e outras como madrastas. E depois quando chega a hora das eleições os enteados são muitas vezes assediados para passar a filhos ao estatuto de filhos. Vou dar um exemplo temos o caso de São João de Ponte até durante muito tempo era enteado mas apareceu um candidato, que teve umas obras, porque mudou agora é filho. Nós não podemos fingir que ignoramos os factos e um dos grandes problemas das sociedades da sociedade portuguesa é fazer a crítica no café entre os amigos e depois ter medo de dizer às pessoas que isto acontece. Isto acontece: perguntam a um presidente do CDS ou PDS se tem o mesmo tratamento para além do orçamento de estado que tem que ir para lá ao presidente do PS em qualquer uma das juntas pergunte e vai ver a resposta.

Entendo que é necessário uma ligação direta e rápida para o Ave parque mas não o projeto existente porque o projeto existente implica um sacrifico humano muito grande quer de ablação de propriedades desnecessariamente, quer do traçar da própria via.

AM: Tem falado em algumas ocasiões e nisso é algo que o distingue um pouco das outras candidaturas que é necessário intensificar o apoio aos deficientes.

WB: Sim.

AM: Como é que a Câmara pode intervir nesse apoio?

WB: Pode desde logo adotando todos os edifícios públicos de condições de acessibilidade para portadores de deficiência em segundo lugar impondo que todos os edifícios privados tenham essas condições em especial em especial quando são edifícios com condomínios.

AM: Estamos a falar de deficiência física.

WB: Sim e mental. Ter condições para que isso aconteça. Quanto aos portadores de deficiência mental moderada ou baixa podem ser capacitados a integrar o mercado de trabalho no quadro das competências que lhe podem ser reconhecidas. Isto implica que a Câmara motive as próprias instituições que tratam dos portadores de deficiência que comecem a ter mais atenção a esse novo mercado de trabalho atribuindo várias funções num quadro de diversas tarefas por exemplo na Universidade do Minho nós temos pessoas que limpam jardins.

AM: É um bom exemplo.

WB: São todos portadores de deficiência quando foram contratados e vão lá e garantem que os jardins andam impecáveis muito bom trabalho são seres muito educados muito disciplinados e corretos com toda a população estudantil e académica.

AM: O Bloco de Esquerda se tiver responsabilidades governativas em Guimarães vai tentar implementar um programa desses.

WB: Nós iremos promover a implementação dum programa destes porque eu como digo quero ouvir as pessoas, quero ouvir os partidos, é no diálogo com os outros partidos que vamos promover isto: Nomeadamente estimulando o volume de ata capacitar essas pessoas e nós temos uma candidata que é doutorada em sociologia e especializada até nessa área, que é a doutora Luísa Fernandes, que está completamente capacitada para propor projetos sobre essa matéria.

Mas para além disso nós temos de ver que os portadores de deficiência moderada ou baixa são seres com capacidade embora limitada orientados a mudar de sentido e tem-se de aproveitar esse potencial para socializar a comunidade não é só traze-los a dar uma voltinha à cidade é capacitá-los, levá-los a ter algum grau de autonomia. Mas isso são especialistas que irão tratar dessa matéria e nós temos de pensar isto. Aliás, repare, que nós falamos também que é necessário uma relação da Câmara com o hospital mais apertada. Ninguém ainda pensou nisso. A ideia que se tem com o hospital é alta competência da ARS, a Câmara nada tem a fazer não a Câmara tem muito que fazer falamos com o diretor do hospital só para ver o problema da acessibilidade ao hospital não é preciso até fazer vias dedicadas para emergência médica muitas vezes tem de telefonar para ir buscar doentes do outro lado da rua porque não conseguem as ambulâncias chegar. Não estamos a dizer que a Câmara faz qualquer coisa sozinha tipo um vereador teve a iluminação de propor isto. Sempre que fizer coisas onde haja instituições no terreno estão a trabalhar nessa matéria, que a Câmara subsidiasse essas instituições e trabalhar com elas. Em vez de criar agências tipo Oficina, tipo Tempo Livre, etc., que são agências onde dão emprego aos amigos e afastam instituições. Aquilo é um centro local de emprego para amigos políticos.

AM: Tem falado várias vezes ao longo desta nossa conversa do relacionamento da Câmara com as juntas. Entende que os canais que existem atualmente não são os mais indicados, o Bloco de Esquerda gostava que as relações se voltassem por outros critérios?

WB: Sim, em primeiro lugar maior desconcentração do poder ou seja que gente pode fazer deve ser atribuído às juntas e a Câmara devia desconcentrar o poder nas juntas primeira questão é fundamental. Empoderando as juntas nessas matérias segunda questão as próprias juntas serem capacitadas a cooperar entre si o que permitia poupar dinheiro e custos. Ou seja, se as juntas querem fazer um ginásio um polidesportivo etc., em vez de cada junta fazer um pode quatro juntas na mesma região fazer um e administrado pelas próprias juntas de toda a região.

AM: Isso implica uma pequena revolução mental.

WB: Mas isso é que é fundamental fazer-se porque só assim muitas vezes essa cooperação entre as juntas permite que a União Europeia consiga atribuir fundos para aquele projeto pode avantajar as juntas nesse aspeto de lhe permitir fazer grandes realizações a baixo custo mas em cooperação com as juntas vizinhas.

AM: Estamos a passar por um tempo de algum desenvolvimento económico, ou seja, para as questões da habitação em Guimarães, há problemas de habitação há habitualmente queixas que a habitação é cara. Como é que o Bloco de Esquerda pode intervir aí que medidas?

WB: Habitação neste momento está muito cara em quase todos os centros das cidades municipais pelo menos não é. A Câmara tem de promover, juntamente com as entidades que constroem prédios, os construtores civis ou com as entidades proprietárias dos prédios uma política que facilite o arrendamento dos prédios a custos que, sem prejuízo dos senhorios obviamente que têm de arrendar os seus prédios a um preço justo, mas permitindo efetivamente criar as condições para que se torne mais baixas as rendas. Isto passará por um conjunto de políticas públicas que a Câmara terá de fazer nomeadamente permitir a construção de edifícios em acordo com os construtores com preços controlados, fazendo uma política de IMIs para senhorios que arrendem em certas condições.

AM: Intervenção ao nível dos solos também.

WB: Também a nível dos solos. Tudo isto poderá ajudar a diminuir o preço da habitação por outro lado revalorizando a necessidade de habitar o centro histórico por jovens que entendem querer viver em Guimarães não só o centro histórico mas à volta de Guimarães criando condições para que isso aconteça. É claro que isto é um grande problema a nível nacional que hoje se verifica encontrar as melhores políticas para que isso aconteça, habitação não é aquela são os construtores civis que fazem os prédios vendem as pessoas depois arrendam ou não arrendam. Mas por exemplo talvez a nível do governo central que não permita ter prédios devolutos durante muito tempo e tenha condições para que esses prédios sejam reaproveitados requalificados para arrendamento. Há leis que vão permitindo essas questões mas o problema é por em prática essas leis. Reconheço que o problema da habitação é muito é muito delicado não pode passar pela habitação social, de bairros sociais, porque muitas vezes são estigmatizadores das pessoas que lá vivem. Mas temos de encontrar critérios que permitam isso em colaborações com os senhorios os inquilinos até talvez mesmo com as construtoras que estão vocacionadas para recuperação de prédios ou construção de novos prédios.

AM: Isso também se ultrapassa tendo emprego em quantidade mas também em qualidade no emprego em Guimarães. Que medidas é que o Bloco de Esquerda tem ou gostava de propor para que fosse melhorada sobretudo a qualidade do emprego que existe em Guimarães?

WB: Em primeiro lugar entendo que o emprego em Guimarães já houve um período de desenvolvimento económico muito elevado aqui em Guimarães havia emprego em quantidade suficiente nem sempre em qualidade. Primeira questão há coias que não cabem à Câmara que a Câmara poderá fazer pressão. A fiscalização das condições de trabalho e higiene e seguridade nas empresas, muitas vezes não são respeitadas. Quando a Câmara contrata empresas privadas a nível de concessão. Criar condições, pagar salário mínimo pago a todos os trabalhadores que pagam segurança social corretamente e tem condições de higiene e salubridade de trabalho. Quanto ao emprego propriamente dito a empregabilidade a questão que temos de focar é que trata-se de uma matéria trata-se pelo serviço de emprego a Câmara aqui poderá criar as condições de criação de empresas com custos aceitáveis condições de acesso ao emprego para além de promover atividades que podem proporcionar o emprego. Ou seja, ter uma participação na política do desenvolvimento local de modo a que possa atrair investimentos, controladamente ou seja com respeito pela legislação ambiental, legislação laboral e legislação da higiene e saúde no trabalho e permitir que isto tudo de certo modo venha desenvolver.

AM: Os projetos económicos de interesse municipal, o regulamento atualmente em vigor responde a essas premissas que o professor está a colocar ou deveria haver alterações, melhorado?

WB: Esses instrumentos é evidente tem de ser adequados ao tempo e aos nossos processos de produção porque nós podemos criar emprego ou passa por indústrias com poucos trabalhadores como sabemos e há pessoal até a por os robôs a pagar impostos. Qualquer dia de facto a robotização vai ser enorme, daí que eu digo que isto tem de ser adequado a esse desenvolvimento e ao tipo de investimento que se pretende que se instale em Guimarães eu entendo que se se fizer investimento em matéria de ponta para indústria de ponta. É muito importante independentemente de maior ou menor autonomização pode permitir a criação de empregos e se forem vários pode e o emprego é de qualidade os empregos já existentes é que temos de ver em que condições de desenvolve e que tipo de indústria temos nós temos indústria aqui que vem poluir completamente a cidade por outra vantagem do emprego vai a desvantagem da doença do trabalhador e más condições.

AM: No início da nossa conversa, o professor Wladimir lembrava-se de intervenção cívica em algumas etapas importante do nosso concelho eu recordo a sua participação das recentes discussões públicas sobre o acesso ao Ave parque o senhor professor defende uma ligação direta da autoestrada às Taias. Permita-me recordar-lhe aquilo que foram declarações do professor José Mendes colega da Universidade do Minho e atual secretário do estado do ambiente em que dizia que isso era impossível não acreditava que a concessionária alguma vez permitisse uma ligação direta às Taipas. Então senhor professor como é que ficamos?

WB: Isso é a opinião do José Mendes não acredito que mas ele não questionou a concessionária fazer isso ele partiu de um prossuposto. Esse argumento de lógica não tem conhecimento nenhum sobre essa matéria. Porque se tiver diria assim eu sei que acusar não faz eu não acredito que vá fazer porque é muito caro não sei quê e isso eu posso contra argumentar isso: se disser nós comparticipamos na feitura. Entendo que é necessário uma ligação direta e rápida para o Ave parque mas não o projeto existente porque o projeto existente implica um sacrifico humano muito grande quer de ablação de propriedades desnecessariamente, quer do traçar da própria via. Quando temos solução muito mais simples podem é ser um pouco mais caras aparentemente no investimento mas são mais rentáveis e realizam muito melhor o projeto porque basta pensar que se por ventura houvesse uma ligação uma saída e entrada nas Taipas para o Avepark, quem vem do Porto, qual é mais rápido? Continuar a autoestrada até às Taipas fazer uma rotunda e contornar aquela via que dá que já está feita que dá ao Avepark, apanhar aquela saída de Brito que é quase 90 graus que é um ângulo enorme os camiões vêm-se aflitos para fazer aquilo.

AM: É reversível o processo ainda.

WB: Eu entendo que não que nenhum processo é irreversível desde que não em especial quando não começou ainda nenhum projeto pode perfeitamente o município fazer pressão junto da entidade que é concessionária da autoestrada para abrir um canal de entrada.

AM: Logo no início da conversa que para além daquilo que eram os objetivos do Bloco de Esquerda havia um que era fundamental que era ser eleito.

WB: Sim, esse é o objetivo quase principal.

AM: Uma vitória passa por ser eleito obviamente. Então eu tenho de lhe perguntar também disse que achava importante que houvesse uma quebra da maioria absoluta.

WB: Sim.

Eu não farei alianças, atenção. Eu sempre disse que não faço alianças, não faço casamentos antes de conhecer a noiva. O que eu disse sempre é o seguinte: as forças que apresentam projetos, nós analisamos os projetos pela nossa entidade e aceitamos ou não aceitamos.

AM: E também disse que preferencialmente poderia ganhar o PS: ponho-lhe esta questão, imagine que não ganha o Partido Socialista mas ganha a Coligação Juntos por Guimarães sem maioria absoluta, o Bloco de Esquerda estava disponível para trabalhar com esta força vencedora?

WB: Sim, nós não temos nada contra qualquer partido que seja eleito para a Câmara com a maioria ou que vá governar a Câmara.

AM: Eu estou a fazer esta pergunta porque, como saberá, no Porto o Bloco de Esquerda já declarou que alianças às direita não.

WB: Eu não farei alianças, atenção. Eu sempre disse que não faço alianças, não faço casamentos antes de conhecer a noiva. O que eu disse sempre é o seguinte: as forças que apresentam projetos, nós analisamos os projetos pela nossa entidade e aceitamos ou não aceitamos. Propomos melhorias no projeto ou dizemos que este projeto não pode e votamos contra isto. É o que queremos fazer. Alianças eu não farei vamos ter muita geringonça em Guimarães, não se faz geringonças por intenção, o que temos de ver a nível local é isto: se a maioria for Juntos por Guimarães apresenta um bom projeto para a cidade, obviamente a gente discute o projeto. Propomos o que entendemos para aquele projeto e beneficiamos a população a nossa preocupação são as pessoas.

AM: Disponibilidade para conversar mas só a 02 de outubro.

WB: Sim, a partir de 02 de outubro.

AM: Um desafio que lhe lanço: imagine que tem à sua frente um eleitor qualquer de Guimarães que encontrou aí convença-o a votar no Bloco de Esquerda.

WB: Eu convenci-o dizendo o seguinte: leia o programa do Bloco de Esquerda e veja que nós estamos preocupados consigo, com a sua família e a sua comunidade. Portanto não fazemos nenhuma propaganda com promessas como se fossemos uma empresa de construção civil portanto, se tem preocupações consigo próprio, com sua família, com a comunidade, e quer que as coisa mudem nesse sentido então vote Bloco de Esquerda. Se quer que a maioria absoluta acabe para acabar com os abusos das maiorias absolutas vote no Bloco de Esquerda.