Forma(ta)ção

Sempre me causou uma certa confusão, o facto de chamarem ministério da educação, à área destinada ao ensino. No meu entender, a educação começa, quando o indivíduo nasce e, à medida que cresce, vai sendo influenciado pelo alargamento do meio em que está inserido.

A escola deveria ser uma das fontes de aprendizagem, de assimilação de conhecimentos e não a substituta da família e comunidade, como hoje se verifica. As crianças, desde tenra idade, são despejadas diariamente, em creches, depois nos jardins-de-infância e ATL’s, seguindo para os vários tipos de escolas, conforme o grau que frequentam.

Partem ensonados e regressam cansados, tal como os pais, depois de um dia de trabalho. Conclui-se que, feitas as contas, os progenitores, os familiares e vizinhos tem, cada vez menos influencia na educação das crianças, com acompanhamento residual, ao longo do seu crescimento.

É inevitável a comparação, feita por todas as gerações, entre o hoje e o antigamente ou “no nosso tempo”. Por onde quer que se passasse, encontrava-se uma tia, um primo ou um avô. Os vizinhos eram todos conhecidos pelos próprios nomes ou alcunhas. As crianças passavam em bandos, a caminho da escola. Nos tempos livres jogavam à bola, ao pião, às escondidas e subiam às árvores.

Hoje assistimos ao ridículo, de ver crianças a sair da escola, entrar num autocarro e transportadas ao ATL, que fica a duzentos metros. Qualquer dia, para evitar o transporte, escava-se um túnel, para ligar um edifício ao outro. Outra vertente que importa analisar é o tipo de ensino que, através de inúmeras entidades, vai proliferando por todo o lado.

Além dos já referidos ATL’s, temos a catequese, os escuteiros, as escolas de desporto, especialmente futebol onde, em boa parte dos casos, a educação é ministrada por personagens de duvidosa capacidade ou idoneidade. Os pais, pouco habituados a lidar com os filhos, aproveitam para continuar o despejo, em escolas de desporto, de “moral” e “bons costumes”.

Atingido o patamar escolhido, mas não adequado às capacidades do instruendo, vemos cidadãos formatados, à imagem das várias redes, que se vão organizando na sociedade. Convidados à participação cívica, cultural, política, etc., demonstram uma confrangedora falta de noção. “Activistas”, só em grandes grupos, onde desafogam frustrações que, isoladamente, não o fariam.

É um assunto que deveria ser debatido, em todos os quadrantes e a todos os níveis.

Mas há excepções! Claro que há, poucas, mas há. No entanto, caso não haja um inverter de rumo, a formatação continuará e os formatadores, vestidos de catequista, chefe ou treinador, também.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.