Assembleia Municipal

Na próxima sexta-feira, com a eleição da respectiva mesa, a assembleia municipal inicia o seu mandato de quatro anos no respeito absoluto do mandato recebido dos eleitores nas eleições autárquicas de 01 de Outubro.

Pela parte que me toca será o sexto mandato que vou cumprir depois de ter sido eleito em 1989-1993-1997-2009-2013 e não tendo sido candidato em 2001 e 2005 por razões menores, intrínsecas à vida dos partidos, que não ficarão para a História nem num rodapé de página.

Com a “reforma” de António Magalhães e António Mota Prego, dois históricos da Assembleia (o primeiro esteve lá 24 anos como presidente de câmara e 4 como presidente da assembleia enquanto o segundo esteve sempre como deputado sendo provavelmente o cidadão que mais anos cumpriu no parlamento municipal), são já muito poucos os autarcas com uma “antiguidade” idêntica à minha e apenas me lembro do Cândido Capela Dias que quer como vereador quer como deputado municipal também está no órgãos autárquicos praticamente desde o 25 de Abril.

No PSD, isso sim, tenho a certeza que sou o mais antigo em termos de primeira eleição para aquele órgão. Em vinte e oito anos de memórias é fácil constatar que mudou muita coisa, outras nem tanto e algumas não mudaram mesmo nada.

Mudaram muito os elencos de deputados municipais ao longo destes anos, como é natural e desejável, chegando à assembleia novas gerações, novas formas de intervir, novas perspectivas do que é a vida política e o papel da própria assembleia.

Mudaram alguma os locais de realização da assembleia que em 1989 se reunia no bar dos empregados no edifício da câmara mas depois andou nalgumas (poucas) sessões pelo salão nobre da sociedade Martins Sarmento, pelo centro cultural de Vila Flor  e pela Plataformas das Artes antes de se fixar (assim se espera pelo menos) no auditório da Universidade do Minho que é o local onde ela terá reunido mais vezes nestes últimos vinte e oito anos.

Mudaram pouco os presidentes da assembleia e ainda menos os da câmara!

Em 1989 António Magalhães estreava-se no executivo como seu presidente e nele se manteve até 2013 altura em que deu o lugar a Domingos Bragança que está agora no seu segundo mandato enquanto que em termos de Assembleia em 1989 era eleito António Mota Prego ( sucedendo a João Gomes Alves) que a ela presidiu até 2009 – cinco mandatos – altura em que foi substituído por Remísio de Castro, que teve apenas um mandato como presidente, dando o lugar a António Magalhães que também ele cumpriria apenas um mandato decidindo no seu termo afastar-se da política activa pelo que em 2017 será eleito novo presidente.

Mas o que não mudou mesmo nada, desde esse longínquo 1989, foi a força liderante da câmara municipal que foi sempre o Partido Socialista, que vai para o seu oitavo mandato consecutivo e sempre com maioria absoluta depois de nas primeiras quatro eleições autárquicas ter alternado no poder com o PSD.

Veremos o que o futuro nesta matéria nos reserva.

Para já o que se sabe é que sexta-feira será eleita uma nova mesa e, ao que tudo indica, a assembleia municipal terá um novo presidente na pessoa do socialista José João Torrinha que encabeçou a lista do PS a esse órgão e será o mais jovem presidente de sempre da assembleia.

Também o primeiro, ao que creio mas sem poder garantir, que transita directamente do cargo de líder parlamentar da sua bancada para presidente da assembleia o que implicará “despir” uma camisola de “jogador” que envergou de forma muito activa e “vestir” a de árbitro que obriga a um tipo de actuação extremamente diferente para que os trabalhos parlamentares decorram da melhor maneira.

António Magalhães fez o mesmo, no seu caso passando do mais activo de todos os “jogadores” do parlamento municipal – o presidente de câmara – para o de árbitro , e conseguindo um mandato brilhante em que foi sempre um presidente de todos os deputados e não apenas daqueles que pertenciam ao seu partido ao ponto de depois de anunciar a sua saída ter merecido sinceros elogios de todas as bancadas como reconhecimento à forma inteligente, sensata e isenta como soube dirigir os trabalhos durante todo o mandato.

Sexta-feira com novo presidente, nova mesa, novos lideres parlamentares nalguns partidos (no PSD, e bem, Daniel Rodrigues continuará a ser o líder) e muitos novos deputados a Assembleia Municipal dará início a mais um ciclo da sua vida democrática.

Esperemos que produtivo para Guimarães.

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.