Opções e Prioridades

Nos últimos meses, coincidentes com o processo eleitoral, há pouco terminado, tive oportunidade de debater sobre as propostas do partido socialista que, todos adivinhavam, continuaria a governar o concelho.

Naquele programa, destacava-se aquela que é considerada a pedra basilar do mandato agora iniciado: A candidatura a Capital Verde Europeia!

Se os critérios, para a atribuição de tal título, forem avaliados, a partir do centro da cidade, temos tudo para que o mesmo seja alcançado.

Há, no entanto, um senão! Continuamos a ter o caos no trânsito, os enormes autocarros a atravessar a cidade, sem resolver o problema da mobilidade interna e a aberrante solução, para o problema do estacionamento.

Pessoalmente, nunca optaria por construir o parque da Caldeiroa/Camões. As soluções passariam por potenciar os existentes e construir mais um a sul, encostado à estação ferroviária e outro a norte, na zona da Quintã/Universidade.

Dá a sensação de que, a Câmara, tem mais interesse(s) naquele parque, do que na candidatura daquele quarteirão, a património da humanidade. Vamos, no entanto, analisar a influência que poderá ter o ambiente, fora da cidade, na atribuição do tão almejado título de CVE.

Qualquer jurado que percorra o concelho e depare com os camiões de recolha de lixo, deixando atrás de si os restos de sacos esfarrapados e o líquido que escorre continuamente, empestando o ar com um fedor nauseabundo, colocará um traço vermelho na candidatura.

A opção de fazer obra de fachada, nos centros cívicos, com intuitos puramente eleitoralistas, em detrimento do aumento da qualidade de vida das populações, é próprio de quem passa o mandato a preparar o próximo.

Há algumas décadas, um autarca Alentejano dizia, perante os protestos dos citadinos, por causa do encerramento das piscinas municipais: Como o orçamento não dá para tudo, tive de fazer uma opção, Ligar todas as casas, à rede de água e saneamento e depois pensar no lazer.

Uns dão prioridade às pessoas, outros à fachada, para inglês ver. Critérios!

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.