Culturactividade

Durante o ano de 2011, quando se elaboravam os grandes projectos e respectivos espaços, para a Capital Europeia da Cultura, o Bloco de Esquerda, no âmbito comissão especializada, apresentou ideias, deu sugestões e propôs iniciativas descentralizadas, tendo consciência de que, a maioria dos eventos deveria ser na “Capital” do acontecimento.

Uma das propostas visava a construção de cinco centros culturais, em outras tantas vilas, que tivessem uma abrangência, geográfica e populacional, minimamente equidistante.

Essas vilas seriam, sem descartar qualquer alternativa, Taipas, S. Torcato, Moreira de Cónegos, Pevidém e Ronfe.

Naquela época, a ideia foi rejeitada, com comentários minorativos, acusações de megalomania só para protagonizar, enfim, argumentos de quem nunca esteve interessado em descentralizar

Apontaram-nos os salões paroquiais e outras pequenas soluções, para resolver o problema da falta de espaços, de que carece a enorme actividade cultural, que existe fora da cidade.

Eles não sabem que, mesmo havendo boa vontade, da parte de alguns dos proprietários desses espaços, em cedê-los, também há quem não os ceda com facilidade. São sempre propriedade privada!

Por outro lado, nenhum daqueles espaços está preparado, para responder às exigências de um evento de média grandeza, como teatro, cinema ou concerto.

Com a chegada de Domingos Bragança à presidência da câmara algo mudou e já se nota a vontade de maior aposta na cultura e nos espaços para o seu desenvolvimento.

O facto de ter prometido, aquando da reunião de câmara, realizada em Pevidém, um espaço cultural para aquela vila, é a prova de que, as propostas do Bloco de Esquerda, já não caem todas em saco roto, como no passado.

A cultura tem de deixar de ser, tanto a nível nacional como local, o parente pobre da governação.

Hoje em dia é cada vez mais comum, viajar por essa Europa fora. O contacto com outros povos e outras culturas trouxe ao de cima, a necessidade de aprender outros idiomas, aprofundar outros conhecimentos.

Se não criarmos condições para o desenvolvimento cultural, continuaremos a assistir à ingestão de actividades baseadas em violência que, como se sabe, gera mais violência.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.