Medo!

Foi publicada por estes dias, nos vários órgãos de informação local e regional, a sentença que condenou ex-dirigentes do Centro Social de Guardizela, por alegado desvio de fundos, daquela instituição.

Não foi o primeiro caso, tanto a nível local como nacional.

Ao longo dos anos, desde que o Bloco de Esquerda chegou a Guimarães, tem-nos feito chegar, através de diversos meios, denúncias sobre dificuldades em arranjar vaga nos lares ou centros de dia, sobre as condições de trabalho dos funcionários e sobre o tratamento ministrado aos utentes.

Durante a última campanha eleitoral autárquica e por diversas vezes, fomos abordados por cidadãos que nos relatavam situações, em que a instituição, dita de solidariedade social, lhes exigia somas em dinheiro porque não passavam factura.

Porém, quando instados a dar testemunho, apenas uma pessoa se disponibilizou e porque trabalha no estrangeiro.

Em vésperas da votação do orçamento de estado, no caso das taxas sobre as energias renováveis, o PS voltou atrás, deu o dito por não dito, acobardou-se e chumbou a aplicação das medidas acordadas em comissão.

Esta atitude vem demonstrar, a massa de que é feito aquele partido e o tenebroso poder que serpenteia nos corredores dos palacetes.

As ameaças, naturais e sobrenaturais, pendem constantemente sobre a cabeça de quem ousar levantar a voz.

O poder político nunca conseguiu sê-lo, na sua plenitude. A demonstrá-lo está o dobrar de espinha, submeter-se e ajoelhar, perante o poder financeiro, por parte do actual governo da república.

O medo, largamente denunciado pelo Bloco de Esquerda, com maior ênfase na última campanha eleitoral, é ministrado, com cinismo, por vários tipos de organizações que, através das suas agências, dominam quem produz.

O povo precisa de se libertar dos algozes, sejam políticos, eclesiásticos ou financeiros e do medo que continuamente espalham por todo o lado.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.