Vitória de Gala (parte 2)

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“QUI-GON: Midi-chlorians são uma forma de vida microscópica que reside em todas as células vivas.

ANAKIN: Eles existem dentro de mim?

QUI-GON: Dentro das tuas células, sim. E nós existimos em simbiose com eles.

ANAKIN: Simbiose?

QUI-GON: formas de vida que vivem juntas para benefício mútuo. Sem os midi-chlorians, a vida não poderia existir e não teríamos conhecimento da Força. Eles falam continuamente connosco, dizendo-nos a vontade da Força. Quando aprendes a acalmar a tua mente, vais conseguir ouvi-las falar contigo.”

– Star Wars, Episódio I: A Ameaça Fantasma

Não sei se deve ao facto da banda sonora de Star Wars ter sido tocada durante toda a Gala dos Conquistadores, se por estarmos a poucos dias da estreia do novo filme de Star Wars ou por eu ter passado grande parte do meu fim-de-semana a rever os filmes da saga (sem qualquer tipo de arrependimento), mas este momento (que até agora nunca tinha despertado a minha atenção nos filmes) fez-me pensar no estado atual do Vitória.

Contextualizando para quem não conhece os filmes, os Jedi sempre desejaram viver em harmonia com toda a vida, e a Força é a energia que os liga à vida do universo. Como Obi-Wan diz em Uma Nova Esperança, a Força “liga a galáxia”, e o Yoda afirma em O Império Contra Ataca que ela está em todo o seu redor “aqui, entre tu, eu, a árvore, a pedra, em todos os lugares, sim”.

Os midi-chlorians conectam-se aos seus hosts com a Força para o benefício de ambos. Esse relacionamento simbiótico infiltra-se também ao nível da sociedade. Como Obi-Wan apontou para Boss Nass:

“O Naboo e tu formam um círculo simbionte. O que acontece com um de vocês afetará o outro. Tu deves perceber isso”.

De uma forma muito concisa, os midi-chlorians são apenas uma maneira indireta de perguntar: “Podemos dar-nos todos bem?”

Há uma semana realizou-se no grande auditório do Centro Cultural Vila Flor a Gala dos Conquistadores. Uma cerimónia extremamente bem organizado, cheia de momentos solenes de celebração do Vitória e daqueles que ao longo dos anos muito têm feito para elevar o nome deste clube.

Foram homenageados funcionários de longa data, dada particular atenção às modalidades, destaque ao futebol e à sua formação e acabou com os adeptos vitorianos a serem homenageados com o troféu Conquistadores de Honra.

Nesse mesmo dia foram entregues os emblemas de celebração de 25 e 50 anos de sócio momentos antes da cerimónia. Para bem da verdade, devo admitir (antes de tudo o que vou dizer) que a foto da entrega dos emblemas no (que me parece ser) o hall do auditório me causou alguma confusão e que eu própria demonstrei esse descontentamento nas redes sociais.

Ainda a Gala não tinha começado e as redes sociais já se enchiam de ódio para com a mesma e as coisas intensificaram-se rapidamente…

Eu sei que criticar/reclamar faz parte do ADN vitoriano. Nós vamos sempre exigir mais e mais, mas também acho que temos de ser racionais e pensar duas vezes antes de criticar e fazê-lo de forma a acrescentar valor.

Permitam-me servir hoje de uma espécie de advogado do Diabo (mesmo sem perceber muito bem porquê que o Diabo é Diabo) e responder a algumas das questões que foram (não tão simpaticamente) colocadas online.

Porquê que a Gala não é ao fim-de-semana para que todos aqueles que vão receber os emblemas possam estar presentes?

Trata-se de uma Gala de um clube desportivo. A maioria das competições desportivas ocorrem ao fim-de-semana. Os jogadores/atleta do clube têm de participar nelas e nós, adeptos queremos assistir, portanto o fim-de-semana não me parece de todo ideal para organizar um evento deste género.

 

Porquê que a Gala é só para a elite vitoriana e os convidados da direção?

Permitam-me que vos recorde que as duas primeiras edições da Gala dos Conquistadores foram abertas ao público. TODOS os sócios (limitado ao espaço do auditório, claro) podiam levantar convites para assistir à Gala.

Quantos de nós foram? Eu, por exemplo, não fui, não quis vir a Guimarães a meio da semana para ir a uma Gala, admito. E muitos pensaram como eu, pois as fotos das duas primeiras edições mostram o auditório do CCVF com demasiadas cadeiras vazias.

Não vejo problema nenhum em ser um evento fechado com convidados (continuo a manter a minha posição quanto à necessidade de serem desenvolvidos mais eventos/ações que permitam aos vitorianos celebrar o aniversário do seu clube e que esta celebração não se restrinja apenas a este momento).

O momento de entrega dos emblemas de 25 e 50 anos não devia ser mais solene?

Sim. Sou defensora de que o momento de entrega dos emblemas deverá ser tratado com a solenidade que merece. Admito que passei algum tempo a questionar-me sobre como ele devia ser feito, não sei se tenho a solução perfeita, mas deixem-me tentar…

Antes demais, eu fui apenas a uma entrega de emblemas. No tempo da direção de Emílio Macedo da Silva, a entrega dos emblemas era feita num jantar no MIT Penha. A entrega foi feita a meio do jantar, com pouca iluminação e com muito borburinho pelo meio (o grau de solenidade ficou muito abaixo da entrega deste ano).

Durante a semana dei-me ao trabalho de questionar algumas pessoas sobre o momento solene em que receberam os seus emblemas e deixem-me que vos diga que fiquei extremamente chocada com as respostas que obtive. As entregas de emblemas do passado podem ter tido de tudo, menos solenidade. Desde momentos apressados na sala de imprensa do clube a emblemas enviados pelos cobradores (leram bem, houve anos em que a direção do clube nem se deu ao trabalho de entregar os emblemas pessoalmente). Foi com (muita) surpresa que me apercebi que estes dois últimos anos foram os únicos em que este momento foi tratado com a solenidade que merecia.

Eu sugeria que o momento decorresse durante a Gala dos Conquistadores, mas, mais uma vez, fiquei chocada com relatos de que isso havia acontecido nas suas primeiras edições para uma plateia quase vazia… Admito que a entrega no átrio ainda me causa alguma confusão. Talvez a passagem deste momento para o Auditório Pequeno do Vila Flor antes da Gala lhe desse a solenidade que eu tanto desejo (infelizmente ainda faltam uns aninhos para eu receber o meu, portanto ainda têm algum tempo para estudar uma possibilidade que seja mais cerimonial).

Foi estranho viver uma semana em que os adeptos de outros clubes elogiavam a gala organizada pelo Vitória e os vitorianos reclamavam incansavelmente sobre ela.

Não, a Gala não foi perfeita, ainda há muito para evoluir, mas honestamente, eu sinto-me orgulhosa por ser sócia de um clube que consegue organizar um evento desta categoria e deixa-me profundamente triste ler muitas das coisas que li online. É importante que se critique (e que se lute para mudar) o que está mal, mas também é relevante que se valorize o que de bem se faz neste clube.

Como vitorianos, é importante que nos mantenhamos exigentes e que queiramos que este clube evolua para se tornar cada vez mais aquele clube que todos nós queremos, mas não podemos, de forma alguma, permitir que as nossas críticas se tornem impeditivos dessa mesma evolução.

Devemos perceber que nós vitorianos, como parte integrante deste organismo simbiótico, também somos influenciadores do que acontece com ele. O que acontece com um afeta o outro. Sem nós o clube não existiria e temos de encontrar uma forma de vivermos juntos para um bem melhor em vez de estarmos sempre a rebaixar o que de bem se faz. Nós formamos um circulo simbionte e as nossa constante crítica e desvalorização também se pode tornar num elemento negativo.

Podemos ser nós, adeptos do Vitória, os premiados com o troféu Conquistadores de Honra deste ano, os midi-chlorians do Vitória?

Isto é uma maneira indireta de perguntar: “Podemos dar-nos todos bem?”

Quinta-feira (para além de estrear Star Wars: Os últimos Jedi) o Vitória precisa de nós mais do que nunca. Podemos deixar as nossas divergências de lado e invadir o Dragão para apoiar o Vitória? Podemos nós vitorianos ser os midi-chlorians deste universo e trabalhar em conjunto para elevar cada vez mais o Vitória?

Que a Força esteja connosco na quinta-feira (e já agora hoje à noite)!

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.

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