Alguns acontecimentos que marcaram o ano de 2017

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No ano que agora termina mereceu-me particular destaque um conjunto de acontecimentos que me impressionaram e que marcaram a nossa vida coletiva. Em jeito de balanço neste final do ano abordo sinteticamente alguns daqueles que se mantêm na ordem do dia e que continuam a merecer a atenção dos nossos concidadãos.

A eleição de Trump que a todos preocupou, e à data particularmente muitos americanos, não deixa de continuar a manter-se na ribalta pelas piores razões. A finalizar o ano, Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel e propõe-se deslocar para lá a embaixada dos Estados Unidos, pondo em polvorosa todo o Médio Oriente. Como se não bastasse já a polémica  relação com a Coreia do Norte. Perigos latentes que ameaçam toda a Humanidade.

Ao Papa Francisco dediquei um artigo de opinião com especial deferência, a propósito da sua vinda a Fátima.  A figura do Papa Francisco mantém-se como referência maior do mundo católico e não só. A sua genuína interpretação do Evangelho, o sentido humanista que o caracteriza impõem-no à própria Cúria Romana, que não quer prescindir de privilégios que a Igreja seguidora de Cristo não deveria ter.

A Europa e as suas fragilidades também me tocaram pela turbulência e perda de autoridade democrática em que se deixou enredar, não tendo agora a voz que se impunha, e que antes se impôs, perante as potências mundiais.

O terrorismo que abalou várias regiões do globo, particularmente a Europa, flagelo agora minorado mas não resolvido, dada a complexidade das suas origens, levou a tantos lares de inocentes a angústia e a dor da perda.

A morte de Mário Soares um dos principais obreiros e defensores da democracia em Portugal deixou o país democrático de luto. A imagem do humanista visionário e corajoso jamais se apagará da minha memória.

As eleições de 2017 mereceram-me um duro comentário pela competição espúria que se adivinhava vir a acontecer em alguns pontos do país, particularmente no distrito de Braga. A mínima lisura de processos em partidos democráticos não pode ser abastardada como o foi por mesquinhos interesses de cunho pessoal.

Escrevi aqui sobre a chaga social que é a violência doméstica. À sociedade e aos media, em particular, exige-se uma abordagem pedagógica que ajude a combater este flagelo de tão duras consequências.

Realcei ainda a importância das eleições francesas e a vitória de E. Macron, cujos resultados começam a tardar, mas que, apesar de tudo, credibilizaram um poder político sem crédito num país com o estatuto da França.

A condução das nossas finanças públicas nos últimos dois anos, apesar das fragilidades de um governo sem maioria, demonstraram que o catastrofismo nunca foi bom conselheiro. Portugal saiu oficialmente da classificação de “lixo”, pelas agências de rating internacionais, o emprego aumentou, o deficit atingiu valores históricos. Mário Centeno, Ministro das Finanças, credibilizou-se, credibilizou Portugal, e foi eleito Presidente do Eurogrupo.

Pela importância que revestem e pelo impacto que têm na vida da Terra, as alterações climáticas foram objeto de dois artigos de opinião neste espaço. Ainda antes do tema ser preocupação do cidadão comum, trouxe-o à colação aqui. Hoje, depois da tragédia que se abateu sobre nós, começa a ganhar força a consciência de que algo está a mudar e que tem consequências terríveis para nós e para o nosso conceito de vida.

Os incêndios que abalaram o país e que roubaram tantas vidas foram um aviso doloroso e dramático das mudanças climáticas que muitos cientistas há muito vinham a anunciar. Urge tomar medidas que politicamente já estão anunciadas, mas que serão muito difíceis de implementar no terreno se os principais responsáveis, a começar pelas autarquias, não levarem às populações das zonas rurais a mensagem dos perigos que correm e das mudanças comportamentais que têm de cumprir, sob pena das tragédias se repetirem.

Tal como previmos, a agitada situação na Catalunha continuará a causar problemas sérios e de difícil resolução, à Espanha e à Europa. Se não houver tato político e cedências mútuas poderemos ser testemunhas involuntárias de um desastre numa região com potencial  extraordinário que tanto enriquece a Península Ibérica e a própria Europa.

António Magalhães, 72 anos, foi presidente da Assembleia Municipal de Guimarães no mandato 2013-2017. Liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).

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