Pousada Mosteiro de Guimarães | A concha

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“Pois é isso que nos dão as nossas pousadas. Lugares discretos, normalmente fora do intenso brilho das estâncias da moda, escolhidas com apuro e apresentadas com esmero, a puxar à lágrima escondida do nosso peculiaríssimo gosto culinário, reservas de calma e sossego, sítios próprios para amar, repousar, refletir, ou, mais simples e prosaicamente, comer e dormir.” António Mega Ferreira in Conto de Pousar

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Diz António Mega Ferreira que é um hábito antigo, este de pousar. É mesmo anterior ao momento em que a nossa língua foi verdadeiramente… nossa. Já do século XIII existe um documento que se refere “ha y el Rey sua pausa e seu celeiro”. Não sabemos é se esse ato de pousar de um nosso nobre rei, coincidiu com alguns dos nossos magníficos locais, onde hoje em dia, se levantam algumas das nossas mais belas pousadas.

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A Pousada Mosteiro de Guimarães não é assim tão discreta, mas com certeza que foi escolhida com apuro e apresentada com esmero. Tem aquela alma própria de algum local mágico perdido do passado e que teima em não querer despir esse legado histórico.

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É impossível ficar-se indiferente a algo tão grande, tão denso, tão rico e tão puro. Nada ali é artificial, e também por isso proporcionam-nos momentos de quase puxar à lágrima, umas que pingam com amor, outras com saudade, outras com reflexão e muitas com agradecimento à vida por nos ter permitido viver um par de dias tão especiais.

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Ergue-se a uma curta caminhada do centro da cidade berço, numa pequena colina deslumbrante de horizontes, majestosa e altaneira, relíquia de tempos áureos como mosteiro Agostiniano. Um monumento histórico do séc. IX … que proporcionou uma cama de rainha para as minhas princesas 😛

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Para além do comer bem e dormir reconfortado, referido por António Mega Ferreira, a Pousada disponibiliza gratuitamente estacionamento privado no local. No Verão podemos usufruir da esplanada e da piscina exterior ou de um romântico passeio pelos majestosos jardins paisagísticos.

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No inverno temos à disposição inúmeras lareiras que pincelam a pousada com melancolia e conforto. É também possível desfrutar de uma experiência única e retemperadora do corpo e da mente, em forma de massagem. A pousada dispõe ainda de um parque infantil, um bar e um restaurante TOP, o Dona Mafalda.

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Num espaço situado nas antigas adegas e abraçado pela estrutura dos tetos abobadados com colunas em granito e decorado com painéis de azulejos joaninos recuperados do corredor dos quartos, o Chefe Hugo Morais pretende promover uma viagem pelos sabores típicos do Minho e da região vimaranense.

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Iniciamos o jantar com camarão tigre e pão crocante, ravioli de lavagante, guacamole e molho de manga. O lavagante estava carregado de gordura marítima e exibia especiarias algo picantes que contracenavam muito bem com o abacate do guacamole e com a doçura da manga. Funcionou muito bem como “alerta” geral a todas as papilas gustativas ;-P

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Seguiu-se o magret de pato, caviar e espargos. Levemente braseado, crocante por fora e com imenso sabor e bastante sumarento no interior, recebe notas primaveris vindas dos espargos e explosões salgadas vindas do caviar.

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Os vinhos são preparados impecavelmente pelo Moisés Pires, que também se encarrega do serviço à mesa. Conhecimento e paciência são apenas duas características que fazem com que seja exemplar naquilo que faz, parabéns 👌

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O prato principal de peixe iria ser feijoca de polvo com polvo grelado e legumes salteados, muito provavelmente o melhor polvo que comi até hoje. Muito rico, voluptuoso, quase carnudo, cozinhado no ponto e com um sal marinho delicioso. A fajoca acrescentou aromas terrenos com um feijão que me fez lembrar as alubias de Santander, suaves, tenros e de textura cremosa.

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A carne veio acompanhada com marisco, porco preto, camarão panado e salada de inverno. A carne estava untuosa, rica e super tenra. O prato era equilibrado pela acidez da salada, levemente doce e com um agradável aroma a tosta. Se me revelassem anteriormente os ingredientes, era capaz de dizer que o prato não iria funcionar, mas no conjunto resulta muito bem e acaba por representar em boa medida a cozinha do Chefe Hugo Morais: sabores tradicionais, vestidos de gala e perfumados com apontamentos inesperados.

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Este prato ganhou ainda mirtilos, ameixa compotada, frutos do bosque, madeira de qualidade, casca de carvalho, algum fumo, frescura e elegância entregues pelo corpulento Paulo Laureano Vinhas Velhas 2015. Um vinho muito gastronómico…

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Nas sobremesas foi-nos possível degustar um misto de doces tradicionais e conventuais, dos quais destaco o toucinho-do-céu de Guimarães, a torta de chocolate e como é óbvio a elegância voluptuosa do pudim Abade de Priscos.

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Como tudo o que é bom passa depressa, sem darmos conta já era chegada a hora de ir descansar nuns verdadeiros aposentos reais 😛 Termino como comecei, com António Mega Ferreira e com o seu legado em forma de palavras, que tão bem retratam o sentimento que se me apoderou da minha mente, naqueles minutos antes de adormecer em tão belo e ilustre cenário…

Asseguro-vos, derrama-se uma tal suavidade, uma tão sentida evocação de atmosferas que é impossível não nos deixarmos contagiar pelo que as mesmas sugerem, noite dentro, quando o silêncio mais fundo cava dentro de nós a concha onde se acolhem as mais nítidas vibrações … de gente que sonha pelas mãos.

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Ao visitarmos, ao dormirmos, ao sonharmos num sítio como este, de algum lugar perdido no passado, vivemos outras vidas, com muitas histórias, sonhos e amores. Também formamos novos laços, conhecemos novas pessoas e apreendemos novos valores. E assim vamos moldando a nossa alma, sempre na busca de aperfeiçoar a nossa concha.

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Obrigado a todos os que trabalham na Pousada Mosteiro de Guimarães por terem feito com que a minha concha carregasse agora um pouco de vocês…

Uma palavra ainda para o Leandro Fernandes por ter tornado a nossa estadia ainda mais arrebatadora. É bom saber que um dos ex-líbris da minha cidade tem alguém como tu a protegê-la.

Visitem a Pousada da nossa cidade e as pessoas que tratam dela, porque bem o merecem.

Esta é ainda a última publicação resultante da colaboração da Duas Caras e do No Meu Palato … de 2017 😛 Obrigado por nos terem lido e por terem passeado connosco pela nossa cidade.

Aproveito para desejar a todos vocês um excelente 2018, que ele vos sorria, também no palato!!!

Pousada Mosteiro de Guimarães
Largo Domingos Leite de Castro, Lugar da Costa
4810-011 Guimarães
253 511 249
https://www.pousadas.pt/pt/hotel/pousada-guimaraes

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