Pelo sonho é que vamos!

banner duas caras DNAR

O bacalhau volta para a mesa de muitos vimaranenses no domingo, acompanhado talvez por uma travessa de marisco e por uma taça de champanhe.

Deixamos 2017 para trás, sem grande saudade. Um novo ano começa, o ciclo de 2018 que se inicia à meia-noite entre gargalhadas e abraços. Desejamos na euforia que todos sejam felizes, que a saúde é o mais importante e que em 2018 é que é!

Uns prometem deixar os vícios do passado, outros a promessa de uma nova dieta perante uma mesa cheia de doces tradicionais, outros ainda são capazes de jurar que 2018 será o ano do exercício físico, do bem-estar, do respeito pelo corpo. Viajar, dentro e fora do país, será também um dos desejos na amálgama das doze passas. Quem sabe mudar de carro ou de casa. Doze desejos assim de uma só vez, sem a lista para não nos esquecermos de nada, são tão difíceis.

Ganhar um prémio gordo, ter muito dinheiro para realizar todos os desejos anteriores, é o desejo final.

Depois vem o dia 1, o dia 2, o dia 3 e a rotina instala-se. Afinal fomos tão felizes em 2017, para quê mexer? A televisão continuará a dar tristezas, o aumento do pão, da luz, da água… só nos querem ir ao bolso e a vontade é apagá-la e esquecer que afinal o ano novo traz mais despesas.

Virar as costas não é solução.

Para 2018 desejo que todos se interessem pela sua cidade, pelo seu país. Que questionem mais, que não leiam só os títulos dos jornais ou os comentários das redes sociais. Que procurem respostas, que sejam capazes de serem parte activa na sociedade em que vivem.

Que o título de Capital Verde Europeia seja porque respeitamos o rio que nos há-de voltar a banhar. Porque o poder político nos permite escolher entre o carro individual e o transporte público. Porque as nossas hortas não são alimentadas por pesticidas.

Para 2018 desejo que as muitas cadeiras vazias da Assembleia Municipal e das muitas Assembleias de Freguesia se encham de vimaranenses orgulhosos da terra que os viu nascer e da qual são a parte mais importante. Só assim poderemos ter para Guimarães um poder político mais democrático.

Para 2018 desejo que todos tenham acesso ao que de bom se faz culturalmente em Guimarães. Que os espaços culturais tenham mais vimaranenses a frequentá-los. Quem sabe se para 2018 não teremos uma política de turismo diferente em que a cidade é primeira opção e não apenas mais um sítio que se possa visitar caso a primeira escolha seja o Porto.

Para 2018 desejo que todos os vimaranenses sejam felizes e que os seus maiores sonhos se realizem, porque é “pelo sonho que vamos”.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

banner duas caras DNAR