2018 DC

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“Hoje é o primeiro dia, do resto da nossa vida”

Depois de devorado o leitão, o peru ou pica-no-chão, conforme a crise (meio esquecida) vai permitindo, há que preparar a festa de “Ano Novo”.

Os mais jovens são os primeiros a partir, para um primeiro ponto de encontro, espécie de aquecimento.

A geração acima, depois das recomendações aos pais, que tomarão conta dos netos, saem um pouco mais tarde.

Um olhar e um sorriso maléfico ao “pai natal”, (que continua estupidamente pendurado na grade do vizinho) e lá vão eles, ao encontro de bares, restaurantes ou discotecas.

Noutra dimensão, outras “classes” e noutras paragens, espera-se, comodamente, a chegada do ano novo, pomposamente chamado de “Réveillon”, em lugares privilegiados para assistirem à queima de toneladas de pólvora que, à meia-noite, iluminará as praças das cidades de todo o mundo.

Passadas algumas horas, a boca seca e um zumbido infernal nos ouvidos, há que levantar e enfrentar a realidade que, mesmo suspensa por algumas horas, continua a ser a mesma do ano que acabou.

A exploração, o tráfico de seres humanos e os vários tipos de escravatura (*), continuarão, perante a passividade ou ineficácia das autoridades, em confronto com autenticas organizações mafiosas.

Diante do ganho fácil, à custa do esforço alheio, não há patriotismo que resista.

Nem tudo será igual, dirão alguns! Teremos o aumento do salário mínimo, das pensões, do abono de família e o fim dos cortes nos subsídios.

Tudo isto é verdade e, cada cêntimo, foi conquistado com muita luta.

No entanto, reconhecendo o esforço dos partidos que sustentam o governo, continuamos a ter salários e pensões de miséria, para quem contribuiu e continua a contribuir, para alimentar a ganância de empresários sem escrúpulos.

Ano Novo, com forças renovadas, para continuarmos as mesmas lutas, até à conquista da dignidade, em que cada ser humano não permita ninguém abaixo de si. É o meu desejo!

(*)- Vale a pena ler a crónica de Raquel Molina e Luís Barros, “Escravos do Rio”, publicado no jornal “Expresso”, que partilhei na minha página do facebook.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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