Novo ano, novos desafios para o Vitória

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É um novo dia, é um novo ano!

Gritemos em voz alta, cantemos no meio da multidão, celebremos o Vitória e as coisas boas que estão para chegar (que os maus momentos fiquem em 2017).

Mantenhamos a cabeça erguida (um Conquistador só baixa a cabeça para beijar o símbolo do Rei). 2018 é uma nova oportunidade para fazer o que ainda não foi feito, uma oportunidade para uma nova vida.

O novo ano não está a caminho, ele já está aqui e com ele chega uma nova esperança num futuro melhor.

Hoje é um novo dia, hoje é um novo ano!

Não vou ser utópica e dizer que 2018 vai ser um ano maravilho em que todos os nossos sonhos se tornarão realidade e que a felicidade só depende de nós. Não, 2018 vai ser um ano desafiante. Um ano que vai colocar este clube à prova como poucas vezes esteve. Um ano de decisões que marcarão a próxima década.

2018 chega com o Vitória fora de 3 das 4 competições que começou nesta época, com um fragmento de equipa que ainda quer crescer e que ainda anda à procura da sua essência. 2018 chega com um treinador exausto que ao longo destas longas jornadas, derrota após derrota, se foi perdendo e que precisa urgentemente de se encontrar e traçar um rumo a seguir para lutar pela única competição em que ainda está presente. 2018 chega com uma direção debilitada que precisa de saber fazer incisões cirúrgicas no plantel para conseguir tentar salvar esta época.

Foi-se a Liga Europa, foi-se a Taça da Liga, foi-se a Taça de Portugal. Podemos ficar o resto do ano a chorar sob o leite derramado ou podemos focar-nos no único objetivo que nos resta: acabar a Liga NOS em quarto lugar. Parece impossível? Sim, neste momento soa até absurdo, mas eu recuso-me (e espero que quem tem o poder para lutar também se recuse) a deitar a toalha ao chão e desistir. Se for para cair, que se caia de pé. Se for para lutar, que se lute até ao fim.

Acho que neste momento, mais do que nos preocuparmos com esta época, torna-se fundamental analisar o que correu mal e servir-nos dessas elações para começarmos DESDE JÁ a planear a época 2018/19 da melhor forma possível: com objetivos delineados e planos de ação bem definidos.

Mais do que no foro futebolístico, 2018 será um ano desafiante, fora das quatro linhas. 2018 é ano de eleições. O primeiro trimestre de 2018 não vai ser bonito (nem eu, eterna otimista, consigo acreditar no contrário). A luta pela Presidência do Vitória vai ser acesa e espero honestamente que no final ganhe o VITÓRIA.

Não estou à espera que seja um processo eleitoral bonito. Receio que se aproximam tempos turbulentos na Cidade Berço… A discussão sobre o estado atual do clube e a apresentação de propostas para a sua evolução serão de extrema relevância para o clube, mas eu imploro a todos os envolvidos que não tornem isto num circo. Lembrem-se que o que acontecer neste período afetará sempre direta ou indiretamente o clube.

Durante este período eleitoral – que está prestes a começar porque teremos a apresentação da primeira lista daqui a uma semana – só peço duas coisas às pessoas envolvidas: primeiro respeitem-se mutuamente (será muito fácil isto chegar a guerrinhas pessoas e troca de acusações, todos sabemos), valorizando as ideias de cada uma das partes sem automaticamente desprezar as do adversário – é possível discutir e trocar ideias sem tratar mal os outros; segundo, e mais importante do que qualquer coisa, lembrem-se que estão a candidatar-se para elevar o Vitória sempre mais. Vocês serão escolhidos para gerir o Vitória, para o fazer crescer. São vocês que estarão ao serviço do Vitória e não o Vitória que terá de vos servir (de qualquer forma).

Apresentem propostas concretas, com objetivos delineados e formas de os alcançar bem traçadas. Nós não precisamos que ninguém venha prometer que o Vitória será campeão em 2019, nós precisamos de candidaturas estruturadas e baseadas num crescimento sustentado.

Lembrem-se que antes de serem candidatos ao que quer que seja, são vitorianos. Ser vitoriano é uma forma de estar na vida e uma espécie de pacto de sangue com o Vitória.

Nós, vitorianos estamos fragilizados. Jogo, após jogo, derrota após derrota, o ambiente tem ficado cada vez mais negro (não se sirvam disso). Os vitorianos vivem este clube intensamente. O futebol e o clube são tudo para nós e na maioria das vezes nós acabamos por viver em função do que se passa com ele. As nossas vidas quotidianas cruzam-se com as nossas vidas vitorianas e atingem por vezes uma dimensão de outro mundo. Os jogos do Vitória e o que se passa com o clube são capazes de nos fazer passar de uma realidade para a outra fazendo com que facilmente nos transfiguremos. Tornámo-nos uma nova personagem que tem como único objetivo que o Vitória vença e seja cada vez melhor.

Os vitorianos vivem o mundo como eles o entendem: como é e será, mas este é o momento de pararmos e pensarmos como ele deveria ser. Torna-se fundamental que neste momento tomemos consciência que nem tudo tem de ser preto ou branco, que há imensos tons de cinza no meio, que não precisamos de nos colocar deste ou daquele lado, que não nos precisamos de colocar contra este ou aquele, que o nosso “lado” tem de ser sempre o Vitória.

Hoje é um novo dia, hoje é um novo ano, mas, honestamente, eu não quero um NOVO Vitória (não no sentido literal)… Quero um Vitória sempre em evolução e crescimento, mas sempre fiel às suas origens. Um Vitória reflexo da tradição e honra do passado, com a irreverência e a inovação do futuro.

Há esperança no amanhã (haverá sempre). Agora é a hora de sonhar sonhos maiores, onde o impossível não é tão difícil como parece.

2018 tem de ser o ano de avançarmos, o ano de irmos mais alto, o ano de alcançarmos coisas que anteriormente apenas desejávamos. 2018 não está a caminho, 2018 já está aqui e é o momento de voltarmos a sermos felizes.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.

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