Balanço ao Frio

 

Passou o Natal, entramos no novo ano e, para encerrar a quadra, ultrapassamos o dia de Reis. Tal como em todos os anos, durante o mês de Dezembro, os meios de comunicação fizeram uma exaustiva análise, do que foi 2017, com noticiários de hora e meia ou mais.

Arrefecidos os ânimos e voltando à realidade da chuva que, finalmente, apareceu ou ao frio que, nalgumas latitudes, bate recordes, façamos uma abordagem simples, do que foi o ano findo, tanto a nível nacional como local.

Os incêndios que, no seu conjunto, constituíram uma das maiores tragédias do país, voltaram a ser destaque, quase diariamente.

O desaparecimento de figuras, exageradamente endeusadas, nunca serão mais ou menos importantes do que as que, ao longo do último ano, deixaram o mundo dos vivos.

Um ano marcado pela campanha e sequente acto eleitoral, que pôs a nu a, cada vez mais acentuada, bipolarização.

As centenas de milhares, que os partidos, que vão dividindo o poder, ao longo dos últimos quarenta anos, gastam nas campanhas eleitorais, com a cumplicidade do tribunal de contas, constituem um dos grandes escândalos da nossa sociedade.

Estes dois acontecimentos mais a vitória no festival da eurovisão, a nomeação de Mário Centeno, como “ministro” das finanças europeias e outros acontecimentos menores, retiraram importância ao terceiro orçamento de estado, aprovado na Assembleia da República.

Há, porém, uma certeza aceite por todos os Portugueses: A “Geringonça” marcha com mais eficácia, do que os submarinos da nossa desgraça.

No nosso concelho, aparte o já citado acto eleitoral, pouco haverá a destacar.

O acumular das obras, estrategicamente guardadas, para o fim dos mandatos que, de tão habitual, já são olhadas como normais.

A teimosia da câmara em construir um parque de estacionamento, bem no cento da zona a candidatar a património da humanidade, contrariando o parecer de várias entidades, destaca-se pela negativa.

Aprovada na Assembleia Municipal, a homenagem a Zeca Afonso e sua obra, não chegou a ser concretizada, com desculpas esfarrapadas, para encobrir a falta de respeito, para com aquele órgão autárquico.

Também o Provedor do Munícipe, cuja criação foi aprovada em Assembleia, não se concretizou, provavelmente por ser mais complexa.

Não deixa de ser curioso que, por iniciativa exclusiva da câmara, tenha sido criada, com uma celeridade estranha, a figura do Provedor do Idoso (idoso não reclama, não é?).

Por fim, merece destaque, porque diz respeito a milhares de vimaranenses, muitos deles com dificuldades económicas, a nomeação da arquitecta Alexandra Gesta para a direcção do IHRU, pelo facto de trazer a esperança de acabar com a injustiça dos processos, contra os moradores dos bairros sociais.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.