O CIAJG de Portugal

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) recebeu, ao abrigo do Fundo de Fomento Cultural, um apoio de 300 mil euros relativo a atividade de 2017. Este valor, prometido pelo Ministro da Cultura, é o primeiro apoio do Estado Central que aquele equipamento recebe desde a sua abertura.

Um momento de assinalar e de congratular um Governo português por ter olhado para Guimarães, para a cultura que por cá se faz, e para um equipamento que é seu, com a atenção que lhe merece.

A abertura do CIAJG resulta de um ano marcante para Guimarães, para o Minho e para Portugal. A Capital Europeia da Cultura de 2012 representou para a nossa Cidade, um coroar de uma política cultural seguida ao longo de décadas e um momento de abertura de novas portas para a contemporaneidade, a criação e a comunidade.

Aquele equipamento é, à semelhança da Casa da Música no Porto e do Centro Cultural de Belém, o rosto visível, material e edificado de um ano ímpar da cultura portuguesa. Guimarães foi, depois de Lisboa em 1994 e Porto em 2001, a terceira cidade portuguesa Capital Europeia da Cultura.

Pelo histórico da aposta cultural vimaranense, pelo caminho que continuou a perseguir após 2012, e pelo equipamento que ficou para a Cidade, a Região e, mais do que tudo isso, para o país, este apoio dado pelo Ministério da Cultura é absolutamente inquestionável quanto à justiça do mesmo.

A única questão que se poderá colocar é a do valor e do método. Salvaguardando-se que esta foi uma solução excecional, acordada entre Ministério da Cultura e Câmara de Guimarães, importa agora às duas partes encontrarem soluções duradouras, sustentáveis e integradas para que este apoio se torne regra, chegando a valores proporcionalmente comparáveis com Lisboa e Porto.

É um imperativo nacional e não apenas um desígnio vimaranense. Um edifício da qualidade da Plataforma das Artes, um espólio como o de José de Guimarães, e um museu de arte contemporânea desta envergadura não poderá conhecer qualquer tipo de discriminação por não estar nas duas principais cidades portuguesas. Porque este é um equipamento do país, situado na cidade que o Estado Central escolheu para ser a sua terceira representante como Capital Europeia da Cultura.

Com este apoio, com esta abertura, com um tratamento proporcionalmente equiparável com CCB e Casa da Música, os meios disponíveis para fazer daquele Centro um equipamento com programação de referência, melhor comunicado, com reforço do seu serviço educativo e da sua ligação com a Cidade, será muito mais fácil.

A mensagem mais importante para o país, e depois de se ter ouvido algum burburinho vizinho, é que se perceba que o “Guimarães” do nome do CIAJG é uma feliz coincidência do sobrenome do Artista Plástico português, e não uma referência à Cidade que o alberga. Porque o CIAJG é de Portugal.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.