Na volta do correio.

 

O privado pretende obter o lucro, o público pretende servir todos. É com este pensamento que dou início à reflexão desta semana.

Muitos são os serviços que foram privatizados por PS, PSD e CDS e que se tornaram apenas de alguns, não chegando a toda a população. Este é o resultado básico das privatizações, seja da saúde, da educação, de outros serviços públicos ou de sectores produtivos. E só se privatizam serviços que dão lucro, caso contrário não existe qualquer interesse por parte de quem compra.

Estas privatizações são sempre acompanhadas do argumento da poupança para o Estado, logo, para o bolso dos contribuintes. No entanto, o que temos assistido no caso da privatização dos CTT é que quem saiu prejudicado foi a economia nacional, visto que esta empresa era uma fonte de receitas para o Estado, e todos os cidadãos que viram um serviço com reconhecida qualidade a nível nacional e internacional entrar num processo de degradação que parece não ter fim.

Desde 2014 fecharam-se balcões de atendimento ao público, o carteiro deixou de passar diariamente, nem sempre há dinheiro quando os idosos que vão receber as suas reformas e assiste-se à contínua venda do património dos CTT.

O início de 2018 traz a triste notícia da intenção de fechar mais balcões por parte da multinacional que comprou os CTT, com todas as consequências que esta acção representa para as populações.

É urgente reverter o processo de privatização, antes que um serviço como os CTT, que deveria garantir a coesão territorial e contribuir para o combate às desigualdades, seja totalmente destruído. É necessário que os CTT passem novamente para o Estado e que retomem a qualidade de outros tempos. Tempos longos, pois os Serviços Postais de Portugal têm uma história de quase 500 anos.

As diversas manifestações em frente a postos dos CTT, que estão ameaçados, são um sinal das populações que demonstra estar pronta para a reconquista de mais um direito.

No nosso caso, não nos esquecemos da passividade da Câmara Municipal de Guimarães quando os CTT decidiram fechar a loja da Rua de Santo António, deixando um edifício enorme ao abandono, quando se fechou o posto dos CTT em Barco, deixando 600 pessoas sem correio e vemos que essa passividade se mantém, actualmente, no caso do posto dos CTT das Taipas cujo destino ainda é incerto.

E na volta do correio seria do agrado de todos ouvir o que o senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que se pronuncia sobre quase tudo, tem a dizer sobre estas decisões tão lesivas para toda a população.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.