Devagar… mas vai!

Na semana que findou, foram pagas as pensões, relativas ao primeiro mês de 2018, com os respectivos aumentos e sem os malfadados duodécimos, com que foram pagos, nos últimos cinco/seis anos, os décimos terceiros meses.

Na conta bancária, até entrou menos dinheiro e alguma imprensa mais ligada à direita e extrema-direita, aproveitaram para salientar o facto, esquecendo-se de esclarecer que, o que faltou em Janeiro e faltará nos meses seguintes, será pago em Novembro ou Dezembro.

As pensões mais baixas serão comtempladas, durante o mês de Agosto, com um aumento extra, que amenizará os cortes e congelamentos, impostos pela “troika” e seus lacaios, porventura mais “troikanos” do que aqueles.

Acresce que, com grande esforço negocial, por parte dos partidos que suportam o governo, foi possível encontrar uma forma de compensar, quem foi vítima do factor de sustentabilidade, mesmo recebendo, depois de longas carreiras contributivas, pensões de miséria.

Ninguém, com um mínimo de bom senso, compreenderá que, deputados a receberem ordenados chorudos, tenham atribuído a si próprios, pensões vitalícias, que custam milhões ao estado e tenham votado cortes nas pensões dos mais desfavorecidos.

Também não se compreende que (sempre os mesmos) assobiem para o lado, quando confrontados com pensões, ordenados e bónus, de muitas dezenas de milhares de euros.

Os partidos que assinaram acordos de governo, especialmente o Bloco de Esquerda, tem sido atacados por sectores de direita e acusados de incoerência, pelo facto de apoiarem um governo que dá o dito por não dito, como no caso das energias renováveis.

Lá diz o povo: Mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar. Ou seja, para evitar um regresso ao passado e não só o mais recente, temos de sacrificar alguma coisa e aguardar melhores dias, para continuar a luta por outras conquistas.

Devagar, mas com segurança, vamos lá.

É preciso que o povo saiba quem contribuiu para este mudar de rumo.

É fundamental que o povo reforce a capacidade de negociação, de quem se pôs a seu lado, na hora de clamar por justiça.

Está na hora de fazer ver que, querendo, o povo é quem mais ordena.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.