Afinal ainda estamos nisto JUNTOS

“Eu só quero é ser feliz
Na cidade onde eu nasci
E poder-me orgulhar
Que o Vitória é grande
E Guimarães é o meu lugar”

Depois de mais de um mês sem vitórias e de uma semana marcada por incidentes que nos envergonham enquanto vitorianos, o Vitória teve ontem o seu primeiro jogo caseiro de 2018.

Frente a um Estoril que nos deixou más lembranças na primeira volta, o Vitória conseguiu regressar finalmente às vitórias (Fui só eu que senti necessidade de gritar aleluia no final daquele jogo? Fui só eu que consegui finalmente respirar fundo quando o árbitro deu o jogo por terminado? Fui só eu que me fiquei completamente arrepiada quando as luzes das lanternas iluminaram as bancadas do estádio do Rei? Tenho certeza que não).

Depois de tudo o que se passou esta semana e depois de uma série de derrotas, eu devo admitir que estava assustada enquanto me dirigia para o estádio. Tinha medo do que estava para vir, do que podia acontecer naquele jogo e das implicações que tudo isso poderia ter para o clube – não só nesta época, mas no futuro também. Ontem, enquanto me dirigia para o estádio eu só pensava no quanto eu queria voltar a ser feliz lá.

O jogo de ontem foi, no mínimo, estranho. Cheio de lances polémicos, golos que não foram golos, mas que depois afinal foram validados, hesitações do árbitro, paragens demasiado prolongadas, penáltis que ficaram por marcar, jogadores a caírem sozinhos na grande área, golos que ficaram a milímetros de acontecer…

Mas o mais estranho de todas as estranhezas foi ver a claque em silêncio durante toda a primeira parte (eu respeito e admiro as nossas claques, já o demonstrei várias vezes, mas JAMAIS apoiarei violência, JAMAIS irei glorificar momentos como o de ontem – façam silêncio, manifestem-se chateados com coisas, mas JAMAIS recorram à violência e JAMAIS festejem um golo do adversário [eu ainda não percebi muito bem este momento, mas se isto aconteceu é VERGONHOSO]. O que se passou ontem foi lamentável. Já há tanta coisa a correr mal esta época; não precisamos que os adeptos também se tornem parte do problema, NÓS PRECISAMOS DE SER A SOLUÇÃO).

Ainda o Sou Vitória era entoado no estádio quando uma tarja com a frase “Aos que só sabem criticar chegou a vossa hora de apoiar” foi colocada na Topo Sul do estádio. A resposta fez-se sentir desde o apito inicial por todo o estádio e o apoio dos vitorianos foi incansável. Este foi o jogo em que os adeptos do Vitória brilharam mesmo sem as claques. Este foi o jogo em que as luzes dos telemóveis, os saltos e até as ondas voltaram ao estádio. Este foi o jogo em que voltamos a ser felizes no D. Afonso Henriques. Este foi o jogo em que os VITORIANOS fizeram questão de mostrar aos jogadores, equipa técnica, direção e até o resto do mundo que estamos nisto juntos. Este foi o jogo em que mostramos porquê que afinal somos ÚNICOS. Este foi o jogo em que provamos que efetivamente “muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa”.

Ontem saí da Mítica Nascente com a sensação de dever cumprido, que fui ao estádio e que fiz aquilo que me competia como vitoriana que que é apoiar e acreditar no Vitória independente de tudo. Aonde e como ele estiver. Afinal, se nós não acreditarmos no Vitória, mesmo quando tudo parece correr mal, quem vai acreditar? Quem vai apoiar a equipa? Os adeptos das outras equipas? Os árbitros? Os jornalistas? Claro que não.

Um dia li que “enquanto houver 1% de possibilidades, haverá sempre 99% de fé”. A época pode não estar a corresponder às nossas expectativas, tudo o que podia correr mal correu, acreditar numa boa época é difícil, mas continuo a acreditar que JUNTOS SOMOS MUITO MAIS FORTES e que só juntos conseguimos dar a volta a isto. Não há impossíveis no futebol e de cada vez que aquela bola começar a rolar será sempre uma nova oportunidade de vencer.

Ontem mostramos que momentos difíceis qualquer um tem, mas que se nos mantivermos unidos conseguimos reerguer o Vitória. Depois de tudo o que se passou, foi tão bom ver a equipa a ser embalada pelos nossos cânticos e iluminada para a vitória pelas luzes que invadiram as bancadas.

Ainda há muita coisa que precisa de ser corrigida ainda há muito para fazer, mas no momento em que as lanternas se ligaram, os adeptos se levantaram e em uníssono voltaram a cantar eu senti que esta fase chegou finalmente ao fim, que a época recomeçou e a esperança que já não existia em alguns adeptos (até em mim começava a diminuir, devo admitir) começou a desabrochar novamente.

Na semana passada, pela primeira vez na minha vida, dei por mim a questionar-me se afinal eu sabia realmente o que era ser vitoriana. Ser vitoriana teria de implicar ser violenta, criticar tudo e todos ou ter de optar entre apoiar e ser exigente (as duas coisas não podem coexistir?)? Ser vitoriana não era, como sempre pensei, apoiar nos bons e nos maus momentos independentemente de concordar ou não com aquilo que se estava a passar dentro e fora das quatro linhas? Seria o “aconteça o que acontecer sou do Vitória até morrer” apenas mais uma frase feita que era entoada sem qualquer sentimento?

Ontem, naquele momento em que as lanternas se ligaram, os adeptos se levantaram e em uníssono voltaram a cantar eu senti que ser vitoriano é algo totalmente diferente de apoiar ou criticar. Ser vitoriano é sentir, sofrer, pensar, chorar e sorrir. Ser vitoriano é ser parte integrante de algo muito superior a nós (e ontem, pela primeira vez em muito tempo, eu voltei a senti-lo).

Ontem, naquele momento em que as lanternas se ligaram, os adeptos se levantaram e em uníssono voltaram a cantar eu voltei a ser feliz no D. Afonso Henriques, eu senti-me orgulhosa de fazer parte desta família e tive certeza que o meu lugar é mesmo na tribuna Nascente a apoiar o Vitória. Ali eu sou FELIZ!

Ontem, naquele momento em que as lanternas se ligaram, os adeptos se levantaram e em uníssono voltaram a cantar eu senti que afinal eu não estava nisto do “apoiar a equipa em todos os momentos” sozinha. Naquele momento, eu senti que afinal ainda era possível acreditar e lutar. Naquele momento eu senti que afinal ainda estamos nisto JUNTOS.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.