Proibicionismo

Uma das principais armas, de uma ditadura, é a proibição.

Em Portugal e até ao 25 de Abril, exceptuando o período da primeira República, sempre vivemos em ditadura ou em regimes antidemocráticos.

Daí a naturalidade com que se vedavam as propriedades e as mansões, dos senhores do capital ou latifundiários.
Uma mentalidade que se tornou comum, qualquer que fosse o nível de vida das populações.

Muros, sebes, portões, portas, fechaduras, alarmes e câmaras de vigilância, tudo serve para impedir o acesso ou o olhar.

“Proibida a entrada”, “Cuidado com o cão”, proibido e mais proibido.

Vem isto a propósito de uma proposta de lei, apresentada pelo Bloco de Esquerda e pelo PAN, no sentido de ser permitido o cultivo da canábis e a sua utilização para fins terapêuticos.
Imediatamente se levantaram as vozes do proibicionismo, fazendo grande alarido: “Isto é tudo uma camuflagem!

Elesquerem é uma oportunidade, para estenderem ao consumo recreativo”.
Há um ditado popular, muito antigo, que diz: O fruto proibido é o mais apetecido.

Posto isto, fica a pergunta. A quem beneficia a proibição?

Vários países estão a liberalizar a venda controlada de canábis, tanto para fins terapêuticos, como para fumar.
Se houver o cuidado de esclarecer, a partir das escolas, sobre os possíveis malefícios, daquelas substâncias, teremos uma forte redução de consumidores.

Está provado que, o consumo de álcool ou de tabaco matam, a canábis não.
Proibir, perseguir e condenar, nunca será o caminho.

Atitudes como as que vão imperando no nosso país, só beneficiam os traficantes.
Esta opinião, dado por um leigo na matéria, não pretende dar lições de nada a ninguém, só quer que se discuta, que se oiçam as vozes de quem percebe da poda.

Dito por um não fumador: Melhor seria não o fazeres, mas se fumares, não abuses.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.