12 tipos de vitorianos que encontramos nas bancadas do D. Afonso Henriques

Os vitorianos que somos, os vitorianos que amámos e os vitorianos que adoramos odiar.

O 12º jogador do Vitória, geralmente descrito como uma massa anónima e militante que vai ao estádio apoiar o clube que ama é muito mais do que isso, é a junção de vários vitorianos singulares. Somos todos vitorianos, mas cada um de nós tem uma forma distinta e única de apoiar, sentir, pensar e viver o Vitória.

Apoiá-lo, senti-lo, pensá-lo e vivê-lo de uma forma singular não faz de nós mais ou menos vitorianos. Ninguém é bom ou mau vitoriano, temos é formas diferentes de o expressar e sentir (e torna-se cada vez mais importante que sejamos capazes de perceber e respeitar isso). Abrir mão da pluralidade de perfis nas bancadas do estádio do Rei seria empobrecer o Vitória naquilo que ele tem de mais singular.

Olhando para as bancadas do D. Afonso Henriques conseguimos traçar o perfil de alguns tipos de vitorianos:

  1. O vitoriano excessivamente fanático

Este vitoriano tem rituais de pré-jogo e as suas camisolas estão desgastadas pelo contante uso. Este vitoriano é supersticioso e extremamente leal. Ele tem tudo do Vitória (e tem sempre um objeto do Vitória consigo). Este vitoriano vê todos os jogos do Vitória… a equipa A, a equipa B, os SUB-15, os SUB-19, o voleibol, o basquetebol, o polo aquático e até revê os jogos dos anos 80. Todas as suas atualizações das redes sociais são sobre o Vitória (este vitoriano vai escolher o Vitória sobre qualquer coisa nesta terra).

  1. O vitoriano extraordinariamente bem informado

Este vitoriano passa os jogos a relatar factos incrivelmente específicos. É capaz de estar o jogo inteiro com os headphones nos ouvidos a ouvir os comentários da rádio enquanto vê o jogo ao vivo. Não larga o telemóvel e de 5 em 5 segundos está a ver as estatísticas do jogo. Este vitoriano sabe todas as estatísticas de cada jogador (nunca fiquem presos numa discussão sobre o Vitória com este vitoriano, vai durar horas).

  1. O vitoriano extremamente entusiasmado

Este vitoriano adora fazer a onda, vibra com o Sou Vitória e sabe de cor todas as letras das músicas de apoio (assim como das coreografas que as acompanham), pode fazer parte da claque ou estar apenas no meio da multidão. Este vitoriano vai passar literalmente os 90 minutos sem parar de cantar independentemente do resultado (ele vai ao estádio apenas para apoiar a equipa e cumpre a sua missão religiosamente).

  1. O vitoriano pessimista

Este vitoriano está sempre pessimista. Embora sempre orgulhoso da sua equipa, este vitoriano não admite muito. Cada época é uma oportunidade de frustração nos olhos deste vitoriano (evitem estar perto deste vitoriano no final dos jogos que correram mal, o vosso humor ainda vai ficar pior).

  1. O vitoriano otimista

Este vitoriano é sempre positivo. Costuma ser um tipo divertido. Ele não vê nada de errado com a equipa. Este é o vitoriano que está a perder 2-0, com um minuto de tempo de compensação e ainda acredita que podemos vencer. Para este vitoriano a culpa é sempre do árbitro, da equipa adversária, do tempo, da bola, de absolutamente qualquer coisa que possa absolver a equipa da culpa (este vitoriano ama a equipa do jeito que ela é).

  1. O vitoriano claque

Este vitoriano está constantemente a utilizar frases genéricas como “O Vitória é nosso”, “Aconteça o que acontecer sou do Vitória até morrer” ou “Eu sei que dói, mas eu sei que é lindo”. Ver jogos ao lado deste tipo de vitoriano é quase como ter um líder de claque ao vosso lado. Este tipo de vitoriano pode parecer um pouco irritante durante a época, mas todos aprendemos a apreciá-lo porque ele mantém qualquer jogo animado (por pior que seja o resultado no marcador).

  1. O vitoriano que devia ter sido treinador

Este vitoriano perdeu a sua oportunidade de ser treinador e acabou por tornar-se treinador de bancada. Ele faz questão que todos na bancada fiquem a saber as suas táticas e aquilo que o treinador da equipa está a fazer de errado ou que devia ter feito de forma diferente. Se não estiver a dar dicas ao treinador e aos jogadores, estará com certeza a reclamar com o árbitro. De qualquer forma, este vitoriano tem padrões extremamente elevados para os treinadores, jogadores e árbitros.

  1. O vitoriano social

Este vitoriano vê o jogo apenas como um evento social. Ele não se preocupa muito com futebol, mas assiste aos jogos tão religiosamente quanto qualquer um dos outros. Ele vai aos jogos para passar um bom tempo com os amigos.

  1. O vitoriano resmungão

Este vitoriano reclama com qualquer decisão do árbitro. Qualquer decisão será tendenciosa para com a equipa adversária. Pode ser a decisão mais óbvia da história do futebol, mas este vitoriano irá sempre ver o jogo como injusto.

  1. O vitoriano ocasional

Este vitoriano não tem ideia que o Hernâni já saiu do Vitória. Ele ainda acha que o Nilson é o guarda-redes da equipa, o Flávio Meireles o capitão e provavelmente que o Cajuda ainda é o treinador do Vitória. Este vitoriano refere-se ao Vitória como o Guimarães. O vitoriano ocasional vê 2 ou 3 jogos por época.

  1. O vitoriano queixoso perpétuo

Este vitoriano consegue reclamar até quando o Vitória está a ganhar 5-0. Ele vai reclamar enquanto estiver a ganhar e enquanto estiver a perder, após uma grande vitória ou uma grande derrota… o tempo todo. É impossível de satisfazer (não querem assistir a um jogo ao lado deste vitoriano. Terão garantidos 90 minutos de comentários negativos).

  1. O vitoriano realista

Este vitoriano é um realista. Ele tem algum merchandising do Vitória: camisolas, cachecóis, talvez uma caneca ou um chapéu (mas nada em excesso). Ele sabe apreciar uma vitória e aceita uma derrota com dignidade. Elogia quando a equipa merece e crítica de vez em quando (quando sente que é necessário). Ele conhece a equipa, as posições dos jogadores e outras informações relacionadas com o futebol. Ele segue as informações do futebol do Vitória e nada mais. Ele é extremamente fiel e ainda tem esperança de ver o Vitória campeão um dia (ele aceita a equipa com seus pontos fortes e fracos).

 

Não importa qual destes vitorianos são (muito provavelmente serão uma mistura de muitos deles ou até de outros que não foram mencionados aqui). Não importa qual é a bancada em que veem os jogos. Não importa a quantidade de jogos que conseguem ver no estádio. O que importa é que sentem, pensam, apoiam e vivem o Vitória. O Vitória não sou eu ou tu, o Vitória somos nós: esta mistura estranha de pessoas unidas pelo amor ao Vitória. Isto é que faz do Vitória um clube único.

Nós, o 12º jogador, somos parte integrante da equipa: sem nós, o exército do Rei jogaria para uma bancada vazia; sem nós, não haveria a animação constante que os 90 minutos de jogo nos proporcionam. Quando o Vitória sobe ao relvado todos nós somos importantes, todos nós fazemos falta.

Por isso, vamos, JUNTOS, apoiar 90 minutos sem parar, torcer pela equipa e vibrar com a prestação do nosso 11 (esperemos que continue a evoluir). Agora, mais do que nunca, precisamos de estar unidos e coesos. O Vitória precisa de voltar a ter garra, de ser respeitado e temido. A época ainda não acabou (as coisas ainda podem ficar muito piores ou melhorar radicalmente), mas talvez precisássemos de bater no fundo (como batemos) para percebermos que, JUNTOS, somos SEMPRE muito mais fortes.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.