Circular, Circular!

Pela enésima vez, porque o Sr. Presidente da Câmara voltou a falar de mobilidade, quando disse que tinha a ambição de concluir a circular urbana, venho abordar o tema da sustentabilidade ambiental.

Tanto mais que, durante as mesmas declarações, o Sr. Presidente afirmou que, os vimaranenses preferiam utilizar o próprio automóvel.

Mas com certeza!

Se um cidadão, para fazer uma viagem à cidade, despende 40 minutos e 1.78€ para cada lado e tem um automóvel na garagem, por que carga d’água há-de ir de autocarro!?

Voltando à circular e ao desejo do Sr. Presidente em a terminar, gostaria de lembrar que, a parte construída, já leva cerca de duas décadas e não foi feita a pensar no futuro porque, caso o fosse, não seria um perigo constante e zona com excesso de acidentes.

Neste momento deveria estar construída ou em construção, uma segunda circular que ligasse a saída da auto-estrada, em Silvares, ao parque industrial de Ponte, seguisse em direcção a S. Torcato, por Penselo, contornasse a montanha da Penha, descesse até Nespereira, seguisse para Moreira de Cónegos, Lordelo, Serzedelo, Pevidém, Ronfe, Brito, onde se faria um nó com a A11 e continuaria até Caldas das Taipas.

Pela experiência que tenho, relativamente a propostas e sugestões, não estranharei os impropérios e “bocas” dos velhos do restelo, ao terem conhecimento desta ideia.

Pela parte que me toca, espero cá estar, daqui por vinte anos e ouvir dizer que, afinal, “a ideia até nem era tão estapafúrdia como isso”.

Também espero viajar em autocarros eléctricos, de tamanhos adequados às necessidades, com preços e horários abrangentes.

Poder deslocar-me, sem limite de horário e com o passe social atribuído, além dos reformados e pensionistas, a todos os que tenham baixos rendimentos e até que haja justiça social.

Ver novamente crianças a nadar no rio Ave ou Selho, com famílias a usufruírem das suas margens, sem encontrarem o lixo deixado pelas anteriores.

Em suma, mais que uma capital verde ou um concelho engravatado e pé no lixo, espero ver uma terra simples mas limpa para todos.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.