Prato do dia: Plástico

As praças de Guimarães são conhecidas pelas suas noites animadas. O desafio é escolher entre as mais diversas ofertas, os espaços são pequenos e por isso, quer de verão quer de inverno a “malta” espalha-se pelas praças.

Em grupos mais pequenos ou maiores os amigos conversam e riem, tentam distrair dos dias rotineiros que preenchem as semanas. Na mão os copos de vidro deram lugar aos copos de plástico e quando vazios são atirados para o chão.

Certo é que a Vitrus limpa tudo rapidamente e que quem escolhe os estabelecimentos das praças para tomar o pequeno-almoço não é confrontado com as toneladas de lixo da noite anterior.

Certo é também que a maior parte do lixo que se faz nas noites de fim-de-semana  vimaranenes é de plástico. Copos para as bebidas alcoólicas e para os sumos são de plástico, quase todos vêm acompanhados de palhinhas de plástico uma das maiores pragas que, a maioria das vezes, vai parar ao mar.

Todos os anos são lançados para os oceanos entre cinco a 13 milhões de toneladas de plástico, que provocam graves problemas às diferentes espécies que vivem nos oceanos. Alguns animais acabam sufocados, presos ou ingerem os químicos que mais tarde entram na cadeia alimentar.

Perante este cenário de agravamento no uso dos plásticos, o Partido Ecologista Os Verdes entregou na Assembleia da República um projecto de lei que defende a proibição da utilização de louça descartável na restauração. Esta proposta entregue em Julho de 2017, define a proibição da comercialização e importação de utensílios de refeição descartáveis em plástico, podendo ser substituídos por produtos produzidos a partir de matérias biodegradáveis ou compostáveis.

É necessário um período de tempo para que a restauração se adapte e encontre os melhores produtos de materiais reutilizáveis que substituam os existentes. É necessário alterar hábitos, esse é um processo lento que desejamos que acelere para poder acompanhar as alterações que o planeta terra sofre a cada dia.

Mas para isso é também urgente que as novas soluções sejam compatíveis economicamente e que todos sejamos compensados pelos comportamentos mais ecológicos. Como se explica que apesar de as pessoas fazerem um esforço por reciclar continuem a pagar uma elevada taxa de lixo que vem incluída na factura da água.

Para que os peixes continuem a fazer parte da nossa cadeia alimentar, e até uma parte importante, contribuindo para uma dieta saudável, é urgente preservar o meio onde vivem. Até porque não estamos condenados aos copos de plásticos,  aos pratos de plástico, aos talheres de plástico que usamos e deitamos ao lixo. Há alternativas, para as quais poderão ser encaminhadas as indústrias que hoje se dedicam à sua produção.
E também não queremos estar condenados a que os componentes tóxicos que compõem esse plástico e que entretanto foram parar ao mar,  façam parte daquele belo peixinho grelhado que está no nosso prato..

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.