Esperança

Hoje escrevo no meio da ansiedade, esperando a chegada de mais um membro à família. É o meu segundo neto e pode chegar a todo o momento.

Nos primeiros dias e anos, viverá no melhor conforto possível, até começar a ter contacto com o meio, cada vez mais alargado, que contribuirá para a formação do seu carácter e personalidade.

O mundo que o espera, apesar das catástrofes naturais, tem tudo para ser um paraíso, embora alguns teimem em transformá-lo num inferno.

Ao longo da vida, não faltarão dificuldades! Aprenderá a respeitar os ventos e as marés, a conhecer e conviver nos espaços que lhe couberem e aceitar cada convivente.

Terá ao seu dispor, a possibilidade de fazer amigos, entre as várias espécies de animais. No entanto, também terá de aprender a defender-se deles, principalmente dos humanos.

Infelizmente, no planeta que lhe tocou para viver, o maior perigo vem dos terráqueos, seus irmãos, que levam tempo demais a aprender, que a felicidade de alguns, não pode ser alcançada à custa do sofrimento dos outros.

O país que o acolhe, tal como todos os outros, foi criado a partir de divisões arbitrárias, baseadas no orgulho e preconceito, na ganância e fome de poder, causadoras de guerras no passado, no presente e, para mal do nosso bem-estar, também no futuro, tem tudo para lhe dar felicidade, assim o queira quem nele habita.

Irá conhecer homens e mulheres que, se julgando-se mais que os outros e organizados em grupos de diversas denominações, tudo farão para o dominar, formatar e explorar.

Pessoalmente, pela experiência acumulada, desejo que tenha uma estadia longa e digna. Que dê o contributo possível, para que o meio em que será criado, se transforme num sítio agradável para viver, em comunhão com todos os outros animais.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.