Dia dos Namorados

No “Dia dos Namorados” foram divulgados os resultados do Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro pela Associação Plano i.

Os resultados são assustadores. Não querendo elaborar em demasia, os inquiridos têm em média 15 anos e, com esta curta idade, uma grande fatia (40%) acha normal um namorado/a decidir como o outro se deve vestir, 25% acha normal insultos, 28% acha que uma agressão não é violência se a vítima não ficou marcada.

Num inquérito nacional feito a mais de 4000 jovens, um quarto e, portanto cerca de 1000, acha normal a existência de violência sexual entre namorados, como por exemplo, forçar beijos em público e/ou pressionar ou coagir para ter relações sexuais.

Dentro deste universo, nos cerca de 3000 jovens que dizem já ter “uma relação de intimidade”, 56% já foram vítimas de violência no namoro.

Talvez este estudo nos ajude a entender os números da violência doméstica em Portugal e, pelo aquilo que se adivinha as coisas não vão melhorar.

É assustador que tantos jovens iniciem as suas relações amorosas de forma tão violenta. Na opinião da maioria destes jovens (67,1%), a razão que leva a comportamentos violentos é o ciúme.

Assumindo que os jovens aprendam com aquilo que vêm em casa e a realidade que os rodeia, é preciso não esquecer que os media também têm aqui uma palavra a dizer.

Histórias de amores impossíveis, trágicas e de amores obsessivos pululam por aí mostrando o amor romântico como algo cheio de sofrimento, conturbado e difícil. É normal, histórias de relações equilibradas não são muito apelativas, mas são bem mais saudáveis e bonitas de se viverem.

A falta de educação, se é que se pode dizer assim, para as emoções mostra assim o seu resultado. Confunde-se amor com posse, dor e agressões como provas de amor, violência e dependência emocional como normal. Ama-se cobrando ao outro que nos faça feliz e obrigando o outro a que nos prove todos os dias que nos ama também.

O amor, as relações, sejam elas românticas ou não, não devem ser isto e não devem ser centradas naquilo que o outro nos pode ou deve proporcionar.

É bem mais bonito apaixonarmo-nos por pessoas, que com tudo de bom e mau que temos, escolhem livremente caminhar ao nosso lado.

Luísa Alvão, 33 anos, licenciada em Cinema, pela Universidade da Beira Interior e pós-graduada em Mediação Cultural – Estudos Comparados do Cinema e da Literatura pela Universidade do Minho. Gosta de contar histórias. Trabalha como programadora e produtora do Shortcutz Guimarães. É também fundadora e presidente da Capivara Azul – Associação Cultural.