Um só Vitória

Habitualmente dedico este espaço a questões do foro político. Tenho, por princípio, evitado dedicar-me àquilo que é a vida do Vitória Sport Club. Estando a maior instituição desportiva do concelho de Guimarães em período eleitoral mais se reforça esta questão e tudo me aconselharia a evitar misturar, num espaço habitualmente destinado à vida política do concelho, a vida interna do clube de todos os vimaranenses.

Vou furar este princípio. Não para tecer considerações sobre qualquer uma das candidaturas ou para declarar qualquer tipo de apoio mas por estar preocupado com o que se poderá seguir às eleições, no que à unidade do clube e dos seus apoiantes diz respeito.

As últimas semanas têm trazido à tona um conjunto de argumentos que estão para lá da boa ou má gestão financeira, da boa ou má gestão desportiva, dos bons ou dos maus resultados.

Não poucas vezes, tenho assistido à tentativa de distinção entre bons e maus sócios. Vitorianos e “vitorinos”. “Sócios de bancada” e “sócios de camarote”. “Sócios de cachecol” e “sócios de croquete”. Mais do que isso, têm-se repetido e ampliado discursos inflamados que alternam entre aqueles que “diabolizam” quem queira colocar em causa o trabalho dos últimos seis anos e aqueles que não aceitam que haja quem considere positivo o que tem sido feito na gestão do clube.

À semelhança do que vai acontecendo também na política um pouco por toda a parte, os discursos são cada vez mais extremados e o respeito pelas opiniões contrárias cada vez mais reduzido. Por se tratar de desporto e de paixão clubística é especialmente normal que assim seja. Mas não é desejável que, por uma questão eleitoral, se coloque em causa a unidade de um clube que tem na força dos seus sócios o seu maior ativo.

Todos têm a responsabilidade de não transformar o maior ativo do clube no seu maior adversário. Olhemos à cisão ocorrida, por exemplo, num dos clubes da capital, para compreender quão profundas se podem tornar as feridas de uma clivagem eleitoral que, ao invés de discutir projetos distintos, discute pessoas.

Esclareçam-se as alternativas e cumpra-se a democracia. E que dia 25 de março haja apenas um Vitória. Seja “Contigo Vitória” ou um “Novo Vitória”, mas sempre um só Vitória!

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.