Desassosego

Certamente que este sentimento não será único. Acordamos, vemos as notícias e não reconhecemos o mundo em que estamos.
Vemos o conflito da Síria a agravar-se a cada dia que passa e ter mais países a intervir no conflito. Vemos os homicídios nos Estados Unidos – ainda só estamos em Fevereiro e o massacre na Marjory Stoneman Douglas High School, de acordo com Gun Violence Archive, foi o 30ª. Mais a sul, a segurança no Rio de Janeiro fica nas mãos do poder militar para se controlar a violência. Espero enganar-me, mas parece-me que isto não vai acabar bem. Isto apenas referindo aqueles casos que os media nos põe pelos olhos dentro.
Na nossa pequena cidade, o último domingo foi também marcado por episódios de violência. Ironicamente, encontrava-me com uma amiga de Braga de longa data no Porto, quando Vitória e Braga se encontravam no nosso estádio. Tinha só estado atenta ao resultado e não liguei às notícias. Na segunda-feira, o espanto: 52 detidos e 8 feridos. Os vídeos são assustadores. Pergunto que insanidade é esta. Dizem-me que agora há uma “cena”, os “casuals”.
Pergunto-me de onde vêm estas pessoas. Não gostam de desporto, não gostam de futebol, apenas gostam de violência. E esta violência em relação ao futebol aceita-se e normaliza-se como se fizesse parte da festa. Não faz. O futebol não é isto, o desporto não é isto. É inadmissível que uma centena de pessoas entre numa cidade unicamente com o objectivo de provocar violência.
Li hoje uma notícia em que a ciência forense já descobriu como retirar ADN de um cabelo sem raiz. Certamente um grande avanço para a ciência. O desenvolvimento tecnológico e científico não pára e galga cada vez mais rápido. Era importante que o desenvolvimento social tentasse avançar um bocadinho mais e mais rápido. É incompreensível como a espécie humana – tendo já levado com duas guerras mundiais em cima – ainda não tenha aprendido a viver em paz.

Luísa Alvão, 33 anos, licenciada em Cinema, pela Universidade da Beira Interior e pós-graduada em Mediação Cultural – Estudos Comparados do Cinema e da Literatura pela Universidade do Minho. Gosta de contar histórias. Trabalha como programadora e produtora do Shortcutz Guimarães. É também fundadora e presidente da Capivara Azul – Associação Cultural.