GENTE VIGENTE | Luís Lisboa

Por César Elias

Se não fosse o GENTE VIGENTE rubrica da nossa querida gazeta DUAS CARAS que desvenda e remarca os cânones cá da terra, hoje, sobre o nosso quinto convidado, seria suficiente legendar a sua fotografia com o seu próprio nome. Os muitos que o conhecem sabem sobre esta verdade. Se se fala em música em Guimarães, em entretenimento, em resiliência cultural, em metal (género musical que tanto ferve nas nossas velhinhas ruas), o nome Luís Lisboa é simplesmente obrigatório! Não conhecem? Então preparem-se. Prazerosamente vos apresento um assombro da cultura vimaranense.

O Lisboa é apaixonado por música. Mas, muito além disso, digno de um caráter criativo, é de se lhe tirar o chapéu a forma com que nos dá a sua paixão. É que gostar de música é muito lindo, sim, e abençoados sejam aqueles que se deixam perder por ela, mas vivê-la assim, em tamanha harmonia, a ir tão bem remexer naqueles temas que já nem sabíamos que amávamos, não é para qualquer um. E isto para nem sequer falar na louvável atitude de nos oferecer cultura à margem dos regulamentos impossíveis de cumprir, das burocracias bárbaras que muitas mentes brilhantes já ceifaram, só, assim mesmo, com “meia dúzia de trocos” salvaguardados e borrifados com o suor do trabalho e, acima de tudo, com atitude e amor. Tudo se consegue com atitude e amor, verdade?

Licenciado em humanidades na faculdade de filosofia de Braga, que é como quem diz: pessoa douta em coisas bonitas como o latim, o grego, o classicismo e o esplendor da nossa língua e literatura, sobrevive fielmente do trabalho em auditorias no nosso estimável “pedregulho”, que é o Guimarãeshopping. Quem não se recorda do Lisboa a aconselhar sobre um cd ou um vinil na Valentim de Carvalho? Eu recordo. O mundo era mais normal nesse tempo.

Promotor e organizador de espetáculos desde o recôndito ano de mil novecentos e noventa e seis, destaca-se visivelmente pelo Vimarannes Metallvm Fest, que segue a bom ritmo já na sua décima primeira edição, e que é já um marco da febre metaleira vimaranense e referência nacional e internacional do mundo belo e amigável dos festivais de metal.

Há ainda o Berço Fest que conta com seis edições, o Carnevale Metallvm, já na terceira ronda, e um motim de espetáculos e oferendas musicais que a enumerar aqui, seria uma proeza jornalística ou um atentado à vossa vontade de ler. Uns setenta espetáculos desde meados do ano de dois mil e seis. Coisa pouca.

Também formador de guitarra e baixo para aqueles que querem absorver a música alternativa, Luís Lisboa tem vindo a atuar no panorama de “djing”  com noites de terminação “rock’s” em reconhecidos clubes e bares de Porto, Braga e Guimarães, onde nunca falta música de peso para todos os gostos.

E como a vida é para ser bem respirada, o nosso convidado foi também um símbolo do Clube Desportivo Xico Andebol que, apesar de ter deixado de praticar há alguns anos, voltou recentemente a federar-se nos Clássicos do Xico Andebol, ativando assim o desporto como uma das suas paixões e canal de libertação interior.

Naturalmente que sim. Podia ficar aqui a tarde toda a falar sobre tudo o que o Lisboa faz, mas como quero que a vossa sanidade se mantenha fresca e que os meus olhos não comecem a lacrimar ácido, gostava de referir duas coisas antes de finalizar com a lista de bandas em que o Luís passou, ou de que foi mentor:

No meio de tanta criação e dedicação à música extrema o resultado só poderia ser o culminar do homem em “One-man band”!  Nox Obscura é disso exemplo…

E depois há o semblante da paternidade. O Lisboa é recentemente um pai orgulhoso de um lindo e simpático menino que faz questão de trazer consigo para as introduções de alguns espetáculos seus.

Se tudo isto e tudo mais que este nosso vimaranense faz não é digno de um assombro da criação, da inquebrável força de vontade de viver, então não sei o que o é! Até eu,  vou terminar este texto “meio à pressa” para ver se me levanto da cama e espreitar lá fora, só para ter a certeza se ainda vou a tempo do mundo!

Hoje, GENTE VIGENTE, com LUÍS LISBOA.

GENTE VIGENTE: Representas a paixão e o compromisso pela música como poucos na nossa cidade. Porém, há pelo certo um homem comum que se esconde nessas virtudes. Um pai, por exemplo. Podes contar-nos um pouco mais sobre o “Luís”, desvinculado do “Lisboa”?

LUÍS LISBOA: Desde já o meu muito obrigado ao César e à Gente Vigente por, mais do que falar de mim, poder falar do que amo.

Ora bem, esta primeira pergunta é sem dúvida pertinente e diferente, até porque o Luís é uma pessoa absolutamente comum, com problemas, responsabilidades, anseios e receios transversais ao comum dos cidadãos e da realidade que vivemos. Diria mais, o Luís é a antítese do Lisboa pois preza a absoluta privacidade, a rotina, a normalidade e a família. São duas faces da mesma moeda, duas realidades distintas indispensáveis ao equilíbrio e à sanidade. Por conseguinte, é incrível como a paixão representa o verdadeiro meio de locomoção da humanidade, no nosso caso, o Metal, pelo que, a paternidade acabou também por trazer uma razão infinita à vida e uma nova gratidão sem fim.

GENTE VIGENTE: De todo o trabalho pelo qual tens vindo a suar ao longo dos últimos anos, há algum que te tivesse oferecido uma satisfação maior?

LUÍS LISBOA: É muito difícil destacar alguns momentos, mas sem dúvida que os há. Porém, curiosamente, não raras vezes, foram os menos bons que acabaram por ser os mais importantes no crescimento e amadurecimento.

Numa análise diacrónica, quer pelas 15 bandas onde passei, com vários trabalhos lançados e mais de 130 concertos dados por todo o país e além, alguns deles em festivais de renome e com bandas que fazem parte da história da música, quer pelas largas dezenas de concertos e festivais organizados colocando tours e bandas internacionais e nacionais de renome a atuar em Guimarães. Quer pelas centenas de alunos de música e noites de djing há tanto a dizer, a celebrar e sobretudo a agradecer. Contudo, tudo isto soa chato de enunciar e arrogante de enumerar ou destacar.

No seu momento e com as suas condicionantes, todos os trabalhos foram importantes, mas acima de tudo todos são o símbolo da força do homem quando trabalha por amor à nossa causa, ao Metal. A verdade é essa, não sou mais ou melhor que ninguém, provavelmente só serei mesmo mais velho. Pelo que, tive a sorte de partilhar o meu gosto com muita gente que efetivamente contribuiu para sagrar a nossa paixão e essa sim, sempre foi a maior vitória.

Em suma, mesmo depois de tanto tempo, trabalho e dinheiro investidos, sem dúvida que o melhor trabalho e os melhores momentos, serão sempre os próximos.

GENTE VIGENTE: Esperar uma aposta tua no mundo da música é sempre uma surpresa que provoca alguma ansiedade em muitos vimaranenses, e não só. O que podemos esperar do presente e do futuro?

LUÍS LISBOA: A paternidade é um momento que precisa e merece ser vivido na sua plenitude, no entanto, isso não significa ou representa uma deficiência ou uma desabilidade, pelo que aproveito a vossa oportunidade para realmente anunciar que nos últimos anos não tenho estado parado e tenho vindo a preparar e a gravar o regresso musical com aquela que em 1995 foi o primeiro projecto, os Nox Obscura, que apesar de não ter sido divulgado, têm já um tema online e preparam os primeiros lançamentos.

GENTE VIGENTE: Qual a tua ligação enquanto artista, promotor e criador, com a cidade de Guimarães? Que palavras dirias aos que te seguem de perto?

LUÍS LISBOA: É uma ligação umbilical, sou filho e produto da terra e para o bem e para o mal, devo-lhe tudo. Fora de Guimarães estive já em quatro bandas, organizei bem mais de uma dezena de concertos, assim como centenas de noites de djing. Contudo, é aqui que tudo faz sentido. Foi em Guimarães que tudo começou, é em Guimarães que tudo continua e é em Guimarães que tudo nunca acabará.

Agradeço novamente a oportunidade dada e aproveito para dizer que está aqui o nome do Luís Lisboa, é um pouco da sua história, mas podia estar o do Chico, ou o do Toninho, o do Pedro o do Zé, ou todos os outros, porque, na verdade a sua importância é vital na preservação da nossa cultura e na realização e consagração da nossa paixão.

BANDAS E PROJETOS: 

Nox Obscura – Vocals, Guitars (1995)

Winter Cry – Bass and Guitars (1995 – 2000)

Amorak – Lead and Rhythm Guitars (2000)

Seraphitus – Lead and Rhythm Guitars (2000)

Bloody Tears – Lead and Rhythm Guitars and backing Vocals (2000 – 2005)

Stuprum Dei – Guitars (2005 – On Hold)

Infernal Kingdom – Session Live Bass (early 2008)

Black Tyrant – Vocals and Bass (2005 – 2008).

Gormito – Guitars and Backing Vocals (2010)

Ashes Reborn – Session Live and Studio Bass guitar (2010 – 2012)

HACKSAW – Vocals (2005 – 2012)

VRNA – Vocals, Guitars (2005 – 2012)

Archétypo 120 – Bass Guitar (2012 – 2015)

Aktivehate – Live Guitar (7.8.2013 – 2.2.2015)

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