O lugar da mulher é na política

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Não sendo especialmente fã da consagração dos dias internacionais, reconheço-lhes alguma importância no que ao papel da consciencialização para alguns temas concerne. E se há causas assinaladas por um Dia Internacional que ainda tenham que ser lembradas, os direitos da Mulher é, sem sombra de dúvida, uma delas.

É uma luta que continua a ter que ser travada em muitas matérias, é certo, mas com especial atenção em Portugal, em Guimarães e na Política.

Convém, antes de mais, lembrar que a história do voto feminino tem, em Portugal, pouco mais de 100 anos do seu primeiro exemplo, por via de um ato de coragem que levou à discriminação escrita em letra de lei, e fará este ano apenas 50 anos da sua consagração sem qualquer tipo de limitação legal.

É ainda uma história curta, mas que não pode ser desculpa para a velocidade a que se está a dar. Nas últimas eleições autárquicas o PS Guimarães deu o exemplo. Apresentou uma lista totalmente paritária nos lugares eletivos à Câmara Municipal. Na composição e na ordenação, levando à eleição de uma Vice-Presidente.

Infelizmente, nem todos os partidos lhe seguem o exemplo. A coligação Juntos por Guimarães, por exemplo, optou por cumprir os mínimos legais apresentando a 3ª e 6ª posição. Curiosamente, e dando-se a primeira substituição na composição na última reunião de Câmara, e estando eleitos 5 vereadores, deveria ter entrado uma nova mulher para a composição do executivo. Assim não foi, e entrou mais um homem.

Já tinha sido assim no último mandato, quando na ausência da terceira eleita, foram feitas substituições até ao sétimo lugar da lista, sem passar pela sexta.

Também quando olhamos para a constituição das bancadas na Assembleia Municipal, temos dificuldade em encontrar mulheres. São dentro dos limites da lei e menos ainda no que toca à intervenção. Honra seja feita às bancadas à esquerda do PS, onde duas mulheres encabeçavam as listas e lideram as respetivas bancadas.

Servem estes números para destacar aquele que é um preconceito ainda bem presente na sociedade portuguesa em geral, na vimaranense em particular e na cena política local em especial. Isto porque Guimarães tem ainda uma grande dose de tradições conservadoras que atribuem à mulher um papel profundamente desatualizado e desajustado para realidade de 2018.

Se atentarmos, por exemplo, às eleições do Vitória, rapidamente percebemos quantas mulheres estão nas listas candidatas aos órgãos. Por muito que o nosso clube tenha uma tradição especialmente ligado ao futebol masculino, não pode ser justificação única para que de tantas sócias nenhuma tivesse o perfil para integrar os diversos cargos.

Não sei se isto é uma questão com solução nas quotas de género, ou se precisa de imposições legais, mas é necessário que a mudança de mentalidade acelere para que não fiquemos para trás no que aos direitos fundamentais diz respeito.

Esta transformação só se dá de duas formas: com mais mulheres na política ou com homens conscientes de que o valor dos eleitos se mede pela sua competência e não pelo género. Não há dons especiais, nem funções naturalmente exclusivas a não ser as biológicas.

Há um Lugar da Mulher? Há. É na política.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.